Palavras Diversas

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A marcha fascista em curso: política, mídia, judiciário e religião

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Não é apenas o governo Dilma que está a perigo, é toda uma rede de conquistas e liberdade alcançadas, com muita luta, ao longo da história pelos brasileiros que está em jogo

Os atuais desdobramentos políticos e seus duros reflexos na sociedade, já podem ser suficientes para afirmar que o fascismo avança, vigorosamente, sobre o Brasil?

O poderoso aparato midiático/judicial/político montado para criminalizar a esquerda e atacar direitos de grupos sociais, LGBT e negros, por exemplo apontam para um caminho de acirramento radical entre defensores de uma nociva agenda conservadora e progressistas acuados.

Soma-se a estes, lideranças religiosas obscuras, mas populares em seus nichos, que despejam combustível no círculo retrógrado que marcha sobre todos aqueles que não se dobram às suas ideias propostas, baseadas em uma rala mistureba política/judiciária/religiosa, feita para confundir a opinião pública, colocando no mesmo caldeirão fatos isolados e manifestações sociais como rótulos descontextualizados daquilo que combatem, com ódio e pouca informação.

Para isso dar certo, empenham uma ação coordenada entre políticos, juízes, pastores e mídia, repetindo uma mesma tecla ideológica para gerar estereótipos e marcar àqueles que atacam, como inimigos da família e dos valores cristãos.

Os episódios recentes do comercial da Boticário e da Marcha para Jesus, que mais se assemelhou a uma espécie de marcha para o fascismo, em que representantes da defesa da redução da maioridade penal, da pena de morte e da justiça com as próprias mãos, foram saudados efusivamente pelo mar de religiosos dirigidos por seus líderes carismáticos, são grotescas evidências que não podem ser desprezadas. As massas sendo confundidas, sem tempo para refletir, por impostores a caminho da ruptura social.

Há um grande agrupamento neo fascista em movimento, em que setores mais retrógrados do Judiciário desempenham papel importante para criminalizar lideranças políticas de esquerda e poupar políticos de direita de seus crimes de corrupção, garantindo nomes para promover a limpeza política e social pretensas.

A mídia transmite propaganda anti-corrupção contra integrantes do PT e do governo, mas pouco ou quase nada fala de escândalos que envolvem seus aliados. A manipulação do noticiário é escandalosa e nunca antes vista em nossa história, em tamanha intensidade e impostura. A grande imprensa engajou-se, com todos os seus recursos, em uma cruzada político-ideológica conservadora. Até alguns anos seria inimaginável que a Globo, um braço forte do catolicismo brasileiro, dispusesse de generoso espaço para que Silas Malafaia, bitolado líder evangélico, faça suas pregações fascistas em rede nacional.

O partidarismo exacerbado do Judiciário e da mídia e o avanço de lideranças religiosas para o mesmo palco, não deixam dúvidas de que há um forte arranjo para a tomada do poder neste momento.  Mesmo derrotados nas urnas, a tentativa golpista se dá pela via parlamentar, onde o governo Dilma é frágil, ao mesmo tempo em que conquistam vitórias para suas agendas fundamentalistas, propagam em alto e bom som seus ditames na mídia, com grande destaque para a Globo e Folha de São Paulo.

A mistura de carismáticas lideranças religiosas, com um noticiário propagandista que repete ideias pré concebidas a exaustão, como ensinado por Joseph Goebbels na Alemanha nazista, e políticos, de passado e presente condenáveis, como Roberto Jefferson, Aécio Neves, Jair Bolsonaro etc, posando de bons moços e defensores da família, da moral e dos bons costumes, fecham o ciclo pré-fascismo que o país atravessa.

Se terão sucesso nesta empreitada, só a sociedade e seus grupos mais progressistas poderão impedir e dizer. O tempo já corre contra as liberdades de expressão, religiosa, de gêneros e contra a democracia.

As atuais marchas são cópias vulgares dos exercícios de Mussolini, Hitler e da atual Ucrânia.

Está cada vez mais perigoso contrapor a bestialidade desta aliança decadente.

Apesar de maioria, a timidez das reações à estes ataques aos direitos cidadãos pode favorecer a tirania do retrocesso.

Não é apenas o governo Dilma que está a perigo, é toda uma rede de conquistas e liberdade alcançadas, com muita luta, ao longo da história que está em jogo.

8 comentários em “A marcha fascista em curso: política, mídia, judiciário e religião

  1. Pingback: A inquisição política-social avança a passos largos | Palavras Diversas

  2. Jorge
    13/06/2015

    Benito Mussolini foi elevado a primeiro Ministro da Itália em 1922 e fundou a República Sindical Fascista Italiana.
    O currículo de Mussolini é invejável para qualquer fascista que ambiciona o poder, incluía uma facada em um colega de escola, ida para outro país fugindo do serviço Militar, professor primário incapaz de se manter em qualquer tipo de emprego, serviu como secretário da união dos trabalhadores italianos em Lausane, como secretário do Partido Trabalhista de Trento, prisão na Suíça por vagabundagem, outra prisão na Suíça por falsificação de documentos, deportação e prestação forçada do serviço militar ao qual serviu de novo na guerra e saiu ao ser ferido por uma granada, algumas encrencas com a polícia Italiana e alguns períodos de poucos meses de prisão, foi expulso do Partido Socialista Italiano por indignidade moral e política, amancebou-se com Ida Dalser que vendeu seu salão de beleza para abrir um jornal para ele dirigir, teve um filho com ela que nunca reconheceu e, como insistiam no reconhecimento, em 1935 mandou-os juntos para um hospício onde morreram mãe e filho, este assassinado por sucessivas injeções em 26 de agosto de 1942.
    Fundou o fascismo sindical que era uma somatória do sindicalismo nacional, corporativismo, nacionalismo, expansionismo e progresso social.
    Como benefícios à população ele fez obras públicas que preveniram enchentes nas regiões afetadas, aumento da oferta de trabalho e melhorias no transporte público.
    As estratégias para alcançar, manter-se no poder e ampliá-lo incluíam a censura de adversários políticos, opositores e denunciantes das barbáries e roubalheira do governo, o uso de milícias (camisas negras) para instigar o terror, combater e atacar os oponentes, além de sistemática propaganda política eficaz do Estado. Para executar essas estratégias Mussolini tinha algo a mais que o normal, um “plus”, um grande atributo pessoal, um verdadeiro dom de compreender e interpretar da melhor forma o espírito do proletariado, além de ótima oratória para as massas proletárias.
    Submeteu a Itália a uma somatória de fundamentos socialistas, idéias de figuras nacionalistas/humanistas (Carlo Pisacane, Giuseppe Mazzini, Giuseppe Garibaldi, etc), Marxistas (Vladimir Lenin, Angélica Balabanoff – ainda quando exilados da Rússia), anarquistas (Carlo Cafiero, Mikhail Bakunin, etc), do filósofo Friedrich Nietzsche e do Sindicalismo Revolucionário de Georges Sorel (greve geral, Maquiavelismo apelativo para a emoção popular, uso da violência para derrubar a Democracia Liberal e o Capitalismo e ação direta de militantes e ativistas).
    Assim que assumiu o poder, Mussolini iniciou uma campanha de fanatização que culminou com o aumento do seu poder com total manipulação através de negócios e troca de dinheiro com Partidos Políticos, Sindicatos e Instituições diversas, obteve o apoio da Burguesia e da Igreja que em troca foi recompensada com a doação do Estado do Vaticano e uma indenização ao Papa por supostas perdas territoriais antigas.

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  3. Cláudio Ribeiro
    07/06/2015

    Os comentários publicados confirmam a hipótese do texto.
    Primeiro: falar em africanizar o Brasil? Amigo, só um pequeno detalhe histórico, o Brasil tem na África uma de suas matrizes étnicas mais importantes, o que, em muito, enriquece o Brasil.
    Fascismo não é salvação nem para fascistas…

    Segundo, confundir crítica política com ideologia é outra hipótese levantada no texto. Por falta de argumentação política, o sujeito mal utiliza o termo “fascismo”, talvez porque não saiba o que signifique mesmo, ou porque não tenha referências históricas para falar sobre.

    Tão aí dois exemplos de pessoas que engrenaram a marcha do fascismo e não sabem como e nem onde estão ou podem chegar…

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    • Jonas Santo
      09/06/2015

      Cláudio Ribeiro, você resumiu com muito propriedade o sentido do texto. Parabéns.
      Lembrei-me de uma frase de Raul Seixas “Falta cultura para cuspir na estrutura!!!”
      Os comentários abaixo resumem muito bem o que o Raul quis dizer.

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  4. O PT foi o partido dos trabalhadores, mas agora é só o partido dos bandidos do Haiti, que ameaça africanizar o Brasil. Diante desse perigo mortal, o fascismo pode ser a nossa salvação. Abaixo a imigração indesejada!

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  5. O PT foi o partido doa trabalhadores, mas agora é só o partido dos bandidos só Haiti, que ameaça africanizar o Brasil. Diante desse perigo mortal, o fascismo pode ser a nossa salvação. Abaixo a imigração indesejada!

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    • Salvatore
      10/06/2015

      O mal é essa mania que sempre tivemos de esperar a salvação vinda dos outros.
      Os vermelhos são a salvação! Os fardados são a salvação! O cara de terno bonito é a salvação!
      Enquanto isso, nós, o gado, achamos que estamos fazendo política ao escolhermos quem ficará com os nossos melhores cortes.
      Fascismo é a salvação dos fascistas e dos não-pensantes, apenas!

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  6. Eu acho que Fascistas são todos os políticos do Brasil, de todos os partidos. PARA QUE MAIS FASCISTA QUE O PT? Se auto denomina DEMOCRATA, SALVADOR DA PÁTRIA, resolveu ficar no poder a qualquer custo, MENTINDO, LANÇANDO O PAÍS EM UMA CRISE FINANCEIRA… Agora quer socar o LULA de volta. Que democratas é essa gente, que não permite e não acredita na alternância do poder? O duro é pagar gente para espalhar o medo com notícia sem fundamento…

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