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Rossetto: financiamento empresarial é a gênese da corrupção

Miguel Rossetto defende reforma política com proibição do financiamento privado de campanhas

Miguel Rossetto defende reforma política com proibição do financiamento privado de campanhas

O Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, escreve artigo em que afirma, categoricamente, que o elo entre a corrupção e a política nasce no financiamento empresarial das campanhas.

Mas sua melhor assertiva é: “A nossa democracia não pode depender do dinheiro de bancos, empreiteiras e outras empresas. Não há democracia digna que possa nascer desse sistema.”

Empresas não tem titulo de eleitor, não votam. Logo, não deveriam financiar campanhas.

Todos os candidatos, de todos os partidos, ou pelo menos ou principais partidos políticos, recebem dinheiro de empresas. Não tem ideologia o dinheiro privado: vai da esquerda à direita, de vereadores à Presidência da República, irriga todo o processo eleitoral em busca de vantagens pós pleito.

É isto que precisa ser proibido, os resultados mais imediatos da reforma política poderiam ser o barateamento das campanhas políticas, a possibilidade de melhor representatividade social na política e o combate mais incisivo ao abuso do poder econômico.

Rossetto não fala pelo governo neste artigo, mas lança lenha na fogueira. A reforma política é urgente e necessária para a democratização das eleições.

Confira:

A democracia, o financiamento empresarial e a corrupção

A nossa democracia não pode depender do dinheiro de bancos, empreiteiras e outras empresas. Não há democracia digna que possa nascer desse sistema.

A Câmara Federal vai decidir novas regras para o nosso sistema político. Essa agenda é a mesma do Chile. Em abril, a presidente Michele Bachelet, apresentou ao Congresso o fim do financiamento empresarial, limite de doação para pessoas físicas, redução de gastos de campanha e reorganização dos partidos. No Chile, assim como no Brasil, essas propostas emergem em meio a escândalos de corrupção e instabilidade política.

O financiamento empresarial da política e a corrupção caminham juntos. Essa é a percepção da sociedade civil, encabeçada por CNBB, OAB, UNE e a CUT, que lutam pela proibição do financiamento empresarial de partidos e candidatos.

A promiscuidade entre o setor público e as empresas privadas tem sua origem nas campanhas eleitorais. O financiamento empresarial, além de estabelecer laços suspeitos entre financiadores e eleitos, limita o acesso dos que têm menor poder econômico, aumentando a distância entre os representantes e a sociedade. Sequestra uma das regras básicas da democracia – igualdade na disputa eleitoral – e corrói a transparência dos partidos.

A nossa democracia não pode depender do dinheiro de bancos, empreiteiras e outras empresas. Não há democracia digna que possa nascer desse sistema. Os aportes empresariais nas eleições brasileiras representam mais de 90% do que os partidos arrecadam; em 2014 ultrapassaram R$ 5 bilhões. Uma única empresa doou R$360 milhões! Se os parlamentares não mudarem radicalmente esse modelo não serão eliminadas as causas da corrupção que desvia recursos públicos que deviam ser investidos para melhorar a qualidade da saúde, da educação e da segurança.

A grave crise do sistema político exige posição clara. A reforma política deve enfrentar o mal pela raiz: proibir o financiamento empresarial de partidos e candidatos. Soaria estranho à sociedade que os congressistas não ponham fim a uma regra que favorece suas próprias eleições. Com campanhas mais baratas e representantes eleitos por compromissos e ideias e não por dinheiro, teremos uma democracia e uma República melhores para o Brasil.

Miguel Rossetto é Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, foi vice-governador do estado do Rio Grande do Sul

3 comentários em “Rossetto: financiamento empresarial é a gênese da corrupção

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  3. Marcelo Rocha
    14/05/2015

    Pura verdade, é um problema mundial. Nos EUA, pesquisadores preocupados com o suicídio entre jovens descobriram que a maioria se mata com a arma que a família tem em casa. Recomendaram então uma maior rigor e controle nas armas e dificultar o acesso. Não obtiveram sucesso, a indústria armamentista põe muito dinheiro na campanha política de lá e a maioria dos parlamentares deles jamais votaria leis que restringissem o acesso às arma… Resultado: Que os jovens de lá continuem se matando.

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