Palavras Diversas

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Governo pode mudar sua política. A política pode mudar o governo

A conta do PMDB tem sido alta para o governo, mas o serviço entregue é ruim

A conta do PMDB tem sido alta demais para o governo, mas o serviço entregue pelos peemedebistas é ruim

O atual cenário de confronto velado entre o Legislativo e o Executivo, impõe uma certeza:  é preciso que o governo resolva suas pendências com o Congresso, em espacial com a Câmara, o quanto antes.

Que o Planalto, sob inadiável negociação, consiga definir uma pauta de interesses mútuos ou acordados. Determinar uma agenda que resguarde a imagem das duas casas e preserve o caráter trabalhista da administração Dilma.

O fato é que a atual ruína nas relações Câmara/Planalto atinge em cheio a imagem da presidenta.

Nenhum governo consegue passar quatro anos discursando, implicitamente, que todos os retrocessos, perdas de direitos e derrotas legislativas são culpas de um adversário travestido aliado.

A opinião pública, em algum momento, poderá não mais aceitar esta fala e cobrar decisões duras e arriscadas.

O governo está entregando à oposição uma plataforma eleitoral bem acabada, dilapidada.  Em 2018, continuando a atual guerra nos bastidores entre o governo e seu principal aliado ao centro, o PMDB, quem se candidatar a sucessão de Dilma, terá mais facilidade para dizer às massas que o governo do PT retirou direitos e permitiu que teses retrógradas fossem vitoriosas, como a redução da maioridade penal, a terceirização das atividades fins e a ampliação da idade para aposentadoria compulsória de ministros do STF, alguns tristes exemplos em pouco mais de cinco meses do segundo mandato.

Mesmo que tenha razão em afirmar que o núcleo do governo não apoia medidas como as citadas aqui, o difícil será explicar a sociedade e muito pior, em uma disputa eleitoral, que só houve retrocesso, porque a oposição e o “inimigo íntimo” do Planalto agiram nos bastidores para que o cenário vigente só se aprofundasse.

Não será possível convencer a todos, talvez nem a maioria dos que apoiam Dilma.

Porque a sociedade cobra, e a história confirma isso, resultados práticos das administrações públicas. Aquilo, que de concreto, foi realizado. O povo tem sido pragmático no momento de ajuizar governos, por isso Dilma foi reeleita.

A decisão arriscada, que poderá ser exigida por parte dos brasileiros que sustentam o governo, é a exigência do divórcio em uma relação desgastada e sem futuro com o PMDB. É um risco, pois a separação não levará apenas o PMDB para o outro lado front.

Os agregados desta união deverão seguir o caminho peemedebista.  PP e PR devem acompanhar, de mala e cuia, seu aliado ao centro.

Ao governo restaria um PDT desfigurado e rachado, como mostraram as recentes votações do PL 4.330 e da redução da maioria penal, um PSD apenas de olho no espólio deixado pelo PMDB, mas pouco confiável para uma união de longo prazo, um minúsculo PROS, dos irmãos Cid e Ciro Gomes, o também nanico PRB da Igreja Universal e os seus mais fiéis partícipes, PC do B e PT.

O que não garantiria 200 votos em uma Câmara que tem 513 deputados!

No Senado, não chegariam a 30 votos em um quórum de 81!

Prenúncio de crises políticas ainda maiores. A falta de governabilidade destroçando a governança e provocando sequências inimagináveis de instalações de CPIs e até de pedidos de impeachment contra Dilma, todas com garantia de assinaturas mínimas com folga.

A articulação política, entregue ao vice-presidente da República, presidente do PMDB e primeiro nome na linha de sucessão de Dilma, Michel Temer, mostra-se inepta e pouco confiável.

Falta articulação política ao governo, o que somente em momentos delicados como o atual são facilmente perceptíveis.

Permanecendo o estado conflituoso entre o governo e a Câmara, liderada, em tese, pelo maior aliado, quem mais perde é o povo trabalhador deste país e quem mais avançam são os defensores de uma agenda patronal e retrógrada.

Em segunda instância, perde o PT a capacidade de sustentar, sem ser desautorizado pelos fatos consolidados, suas bandeiras históricas na defesa de direitos trabalhistas e de combate ao retrocesso social.

O remédio menos amargo para combater os principais sintomas deste mal estar é sentar-se á mesa com o PMDB e agregados, aparar as arestas, salvar programas sociais importantes e tentar impedir ou adiar, votações desastrosas para os trabalhadores.

Se para aprovar os ajustes da equipe econômica, esta estratégia  deu certo, pode, também, ser viável para outras iniciativas do interesse do Planalto.

O governo pode até mudar suas políticas, mas a política pode mudar governos, isto não pode ser ignorado pelo conselho político de Dilma.

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2 comentários em “Governo pode mudar sua política. A política pode mudar o governo

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