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Segurança energética americana: Petrobrás na mira

Acidente que matou 11 petroleiros representou a cereja no bolo da política entreguista do governo FHC. Petrobrás estava sendo sucateada para ser entregue ao capital externo

Acidente que matou 11 petroleiros representou a cereja no bolo da política entreguista do governo FHC. Petrobrás estava sendo sucateada para ser entregue ao capital externo

Reproduzimos abaixo texto do blog “Política econômica do petróleo“, de Wladmir Coelho.

Nela encontramos elementos que contextualizam os ataques a Petrobrás, via judicialização da empresa [operação Lava Jato] e o incessante linchamento midiático, liderado pela Globo, que diariamente produz matérias para tentar destruir a estatal.

Não por acaso, alguns articulistas econômicos, repetidos por políticos da oposição, apontam como “saída” a revogação do regime de partilha e a concessão de mais poderes para as gigantes internacionais do petróleo.

A questão geopolítica é apresentada como pano de fundo das ações que atentam contra a soberania energética do Brasil e da América Latina, entre outras ações da política externa dos Estados Unidos.

Confira:

ALGUMAS LIÇÕES DA CRISE PETROLÍFERA SÓ O MERCADO SALVA?

ALGUMAS LIÇÕES DA CRISE PETROLÍFERA

SÓ O MERCADO SALVA?

Wladmir Coelho

“A principal tarefa do setor petrolífero dos Estados Unidos consiste em reduzir os custos da produção para manter a sua posição de liderança no mundo”. Alan Greenspan

– Política de preços: A origem geopolítica

– Os EUA abandonaram os príncipes da Arábia?

– A segurança energética dos EUA inclui todo o continente americano

– A Petrobras na mira 

– O retorno da múmia ou a Segurança Continental do general Távora

Política de preços: A origem geopolítica

A queda no preço do petróleo apresenta em suas origens – veja que não afirmo como única causa – a política de segurança energética dos Estados Unidos. Esta política tem em seu fundamento a independência do país em relação ao petróleo importado do Oriente Médio.

Os EUA abandonaram os príncipes da Arábia?

Ao contrário. Este corte nos valores do petróleo não parece preocupar muito os príncipes proprietários da ARAMCO que participam alegremente, vejam o exemplo da refinaria Motiva Port Arthur, dos investimentos necessários à concretização da política de segurança energética dos EUA.

A refinaria Motiva Port Arthur é a maior e a mais moderna dos Estados Unidos está apta para refinar, inclusive, o óleo de xisto e metade desta empresa pertence aos príncipes.

O envolvimento da nobreza árabe em negócios nos Estados Unidos é amplamente conhecida e inclui a participação da oligarquia dos Bush e a família real “proprietária” do petróleo árabe.

Recordando: Durante o fechamento do espaço aéreo dos Estados Unidos em decorrência dos ataques de 11 de setembro somente um avião comercial recebeu autorização para decolar. Esta aeronave transportava dezenas de príncipes e princesas em direção aos seus respectivos palácios. Oligarquia e monarquia tudo a ver.

A segurança energética dos EUA inclui todo o continente americano

A política de segurança energética dos Estados Unidos não encontra limites territoriais. Vejamos:

  1. a) No Canadá a produção de areia betuminosa foi dirigida para atender este objetivo embora desorganize a economia canadense atualmente voltada para a exportação de óleo aos EUA;
  1. b) O governo mexicano, apesar da oposição popular, avança em seu intuito de privatizar a PEMEX garantindo novas áreas produtivas aos interesses de segurança e mercadológico dos EUA;
  2. c) O controle das Ilhas Malvinas também surge como obstáculo à plena execução do projeto de segurança dos EUA. Um governo nacionalista não convém quando o assunto é petróleo. 
  1. d) A Venezuela, importante fornecedor dos Estados Unidos, enfrenta problemas para manter a política econômica do petróleo independente. Ao dirigir os recursos decorrentes da exploração ao projeto nacional de desenvolvimento.

A opção evidente dos Estados Unidos é promover a derrubada do presidente Maduro. Fato inédito na história?

Neste ponto precisamos observar que: O governo da Venezuela representa um entrave ao projeto de lucro máximo, mesmo com preços reduzidos, considerando as limitações decorrentes do controle estatal da produção petrolífera.

Nos Estados Unidos os petroleiros estão em greve por aumento de salários e garantias sociais. Este fato não ocorria há 30 anos e mostra o aumento na exploração da mão de obra. O menor preço compensado com maior exploração. A Venezuela representa sim uma barreira ao modelo econômico voltado aos interesses das oligarquias dos Estados Unidos.

Quanto ao aumento da exploração da mão de obra vejam a declaração do ex-diretor da Reserva Federal dos EUA Alan Greenspan: “A principal tarefa do setor petrolífero dos Estados Unidos consiste em reduzir os custos da produção para manter a sua posição de liderança no mundo”.

A Petrobras na mira

Alguém ainda considera coincidência a campanha contra a Petrobras? Basta uma simples consulta aos grandes jornais para notar a movimentação descarada dos interessados em privatizar a empresa nacional. Perderam totalmente o pudor e assumem a condição de entreguistas oferecendo o patrimônio do povo brasileiro ao deus mercado.

Os jornais brasileiros apresentam a Petrobras como empresa falida ocultando a crise e números negativos das demais petrolíferas. Neste ponto o leitor pergunta: Está bem prof. Wladmir Coelho; Se todas as empresas encontram-se em dificuldades financeiras quem vai comprar a Petrobras?

Respondo: A política de segurança energética dos Estados Unidos apresenta como elemento executor as empresas privadas de petróleo.  O Estado atua como entidade em condições de garantir as estratégias de concentração de mercado apoiando a empresa em melhor condição de controlar as demais. Esta operação é simples e funciona através de fórmulas como acordos comerciais, subsídios, empréstimos financeiros em condições especiais e redução dos encargos trabalhistas. Existindo qualquer entrave para execução destas medidas entra em cena o canhão.

Nenhuma relação com práticas de mercado como andam escrevendo, tentando confundir o povo, nos jornais do Brasil.

Recentemente um grande jornal dos Estados Unidos anunciou que a Exxon seria a empresa ideal para iniciar o processo de aprofundamento da concentração no setor petrolífero.

Vejam bem: A EXXON apresentou queda nos valores de suas ações, anunciou cortes elevados de investimentos, fechou projetos e jornal nenhum do mundo cobrou a troca da direção por nomes mais “identificados com o mercado”.  Ao contrário: Os executivos das grandes petroleiras reuniram-se e elegeram o presidente da empresa o melhor administrador do ano de 2014.

O retorno da múmia ou a Segurança Continental do general Távora

Nos anos de 1950 o general Juarez Távora defendia a mesma política ora desenvolvida pelos Estados Unidos. Acompanhado de entreguistas, fardados e civis, viajou o país afirmando o seguinte: O Brasil deve manter a propriedade do bem mineral, mas a exploração econômica deve ficar a cargo das empresas dos Estados Unidos. A alegação para fundamentar esta opinião era a Segurança Continental.

A doutrina defendida pelo general Távora entendia que os Estados Unidos, ao controlar a produção, teriam garantido o acesso ao combustível necessário a proteção e defesa do continente. Naquela época a ameaça de plantão eram os soviéticos.

O povo brasileiro não aceitou esta balela e foi às ruas exigir a criação de uma empresa nacional para garantir a auto-suficiência. 60 anos passaram-se e continuam os ataques contra a vontade popular.

4 comentários em “Segurança energética americana: Petrobrás na mira

  1. Cláudio Ribeiro
    25/02/2015

    Entendi… Os EUA são muito bons, por isso interferem nos países, para livrá-los do mal interno…ok
    A gasolina brasileira é a 36ª mais cara, de uma lista de 60 países, nem é tão cara, nem tão barata. Se seguisse as variações do mercado internacional, teria passado dos R$9,00 quando o petróleo chegou aos US$200.
    Realmente temos produção suficiente para a nossa demanda, meia verdade… Os poços explorados não jorram gasolina ou diesel, mas petróleo, que precisa ser refinado.
    Aí está o gargalo. Por conta das “recomendações” do FMI, o Brasil passou 30 anos sem construir uma única refinaria, que voltaram a ser construídas a partir de Lula. Refinarias não são obras simples que se completam imediatamente, demoram anos. Abreu e Lima, em Pernambuco, é a primeira delas a entrar em operação. O Brasil produz mais de 2 milhões de barris de petróleo, mas ainda não tem como refinar 60% disso. Logo exportamos óleo cru e importamos gasolina/diesel para atender a você, a mim e a todo o setor produtivo brasileiro. Aí é que está a grande função da Petrobrás para o país: importa produto agragdo de valor, muito mais caro que óleo cru, sem repassar os custos para o preço final do combustível! Sabe quanto é preço do combustível e quanto é imposto? Pois é, você sabia que o ICMS é o imposto que mais pesa nos combustíveis? Sabia que ele é estadual? Até mais!

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  2. Eu acho que você está vendo PELO EM OVO. Primeiro que há petróleo em camada PRÉ-SAL para explorar também no Golfo do México e na costa ocidental africana. Segundo que as novas matrizes energéticas vão vingar em um futuro próximo, é vital para que a vida humana continue existindo no planeta, precisamos urgente diminuir a emissão de carbono para atmosfera, então o programa de produção de álcool brasileiro é muito mais estratégico para outra nação que o pré-sal. E se o Brasil estivesse preocupado com segurança energética de verdade estaria investindo pesado em pesquisa de fontes alternativas de geração de energia, até investe, mas de forma muito tímida, estaria buscando limpar a matriz energética e não sujá-la. VAMOS FALAR SÉRIO, A PETROBRÁS É UM CABIDÃO DE INTERESSES, QUE DELIBERADAMENTE EXPLORA O POVO DO BRASIL., Gasolina a R$ 3,30 o litro, tenha dó.
    Parabéns a Petrobrás pelos resultados, alcançados com a dedicação de seus funcionários.
    Desculpe pessoal da Petrobrás pela minha sinceridade. Acredito que a Petrobrás se tornou uma das maiores companhias do mundo favorecida pelo monopólio que deteve durante anos no mercado Brasileiro, ela pode comercializar seus produtos com uma margem saudável, pois não tinha concorrentes. ENTÃO A PETROBRÁS CRESCEU EXPLORANDO LITERALMENTE O BRASILEIRO, a grandeza da companhia foi dada pelo povo dessa terra que pagou caro todos esses anos pelo combustível que consome. Imagine que tamanho teria a Exxon se tivesse condições parecidas no mercado dos EUA?
    Acredito que o povo brasileiro não precisa de uma estatal do petróleo, porque ela só o sacrifica, nossa gasolina, o custo da nossa estatal é caro. Imagine a Petrobrás concorrendo em um mercado verdadeiro de livre concorrência, até quando se manteria? O petróleo pode continuar sendo nosso, porque o governo precisa extraí-lo? Outras empresas poderiam extrair e o governo continuar arrecadando imposto sobre o petróleo e pronto…
    Para quem faz bem uma estatal?
    Para quem tem um emprego estável e não pode ser demitido (coisa que poucos brasileiros o tem).
    Para quem tem um cargo nomeado, amigo de algum político influente.
    Para a Oderbrecht e similares que mantém margens saudáveis em seus negócios e seus controladores enriquecem cada vez mais…
    Para o governo, que a cada dificuldade de caixa sobe o combustível de acordo com a sua vontade, baixa o preço para ficar bem com o seu eleitor e depois coloca o valor nas alturas…
    Só….
    E o povo fica ainda caindo nessa bobagem de que o PETRÓLEO É NOSSO…. O Petróleo é deles…. Prova disso é o preço alto da gasolina, é só olhar na placa dos postos de combustíveis.

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    • Cláudio Ribeiro
      24/02/2015

      Bobagem? Por que será que o país que consome 25% do petróleo do planeta interfere na política interna dos países produtores? Sem mais.

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      • JUSTAMENTE, interfere porque as estatais do Petróleo viram moeda de troca política, VIRAM CABIDES DE INTERESSES. Onde já se viu pagar R$ 3,30 um litro de gasolina em um país praticamente auto suficiente de petróleo.. O Petróleo é da Dilma, por enquanto… Hoje os caminhoneiros trancaram a saída da REPAR aqui no Paraná, o governo vai ter que aprender a respeitar o povo..

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