Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Não há almoço grátis no noticiário da grande imprensa

O documentário e a peça “O Mercado de Notícias”, tradução de Jorge Furtado e Liziane Kugland da peça do dramaturgo inglês Ben Jonson (1572- 1637), “The staple of news”, revela aquilo nos espanta nos dias atuais, mas que é recorrente desde o século XVII, o partidarismo deslavado e o servilismo econômico exercido por uma considerável  parte da imprensa.

O que fazem hoje os expoentes da grande imprensa internacional e também da brasileira, naquilo que considero a  maior coalizão política do planeta e difusora de valores culturais unissonante, liderada pelo Ocidente, tendo os EUA e a Europa como centros difusores, irrigada por dinheiro de patrocinadores e agentes da política internacional, nada mais é do que consolidar uma visão de mundo construída para alicerçar a hegemonia dos mais poderosos, política e economicamente, agindo desreguladamente do centro para a periferia.

O tal mercado de notícias contraria e favorece interesses e isto não se dá ao acaso. O noticiário internacional, como pode ser percebido, se lido ou assistido com atenção, em exemplos recentes como os conflitos na Ucrânia, México, Venezuela e também aqui no Brasil, seguem fielmente o script, ao estabelecer “verdades” maciçamente difundidas, independente da confirmação ou não dos fatos.

Com esta lupa é possível compreender o porquê da mídia apostar em nomes do futuro ministério de Dilma, com mais ênfase ou apelo. A guerra de machetes e a disseminação, muitas vezes, forçada de boatos sobre este ou aquele ministeriável é parte disso.

Roberto Marinho, nos anos 1980 gabava-se ao dizer que o mais importante não era aquilo que saía no Jornal Nacional, mas o noticiário que era impedido de chegar a opinião pública.

No documentário tem uma afirmação que se enquadra, e muito bem, para a atualidade, dito por Leandro Fortes:

“Todo mundo que te passa informação tem o interesse. Não existe fonte sem interesse. O que você precisa fazer é filtrar esses interesses, é saber se o interesse de quem passa é convergente com o interesse público.”

Neste texto apresentamos outras afirmativas que desvelam as práticas mais fiéis de alguns jornalistas e suas preocupações com seu fazer social, já outras demonstram, cabalmente, que os fatos não importam, mas sim ludibriar o leitor ou audiência sobre aquilo que insistem em chamar de “verdade”, confirme:

Fernando Rodrigues:

“O bom jornalismo vai sobreviver. Sempre que há uma demanda na sociedade para produto de qualidade, para um bom jornalismo. Não importa a plataforma onde ele esteja. Vai surgir algo novo onde as técnicas do bom jornalismo vão prevalecer.”

Bob Fernandes:

“Não conheço nenhum caso recente de censura do Estado, que tanto temem. E eu conheço, e qualquer jornalista conhece, centenas de casos de censura feita pelos dono do meio de comunicação. Como é que as pessoas não dizem isso com todas as letras?”

Jânio de Freitas:

“Eu tenho uma esperança, que não é grande, de que as pessoas se deem conta de que o jornalismo depende dos jornalistas.”

José Roberto de Toledo:

“As empresas jornalísticas precisam entender que não vendem informação. Elas vendem credibilidade. Quando você compra o jornal, a revista, assiste o telejornal ou o portal na internet, você tá indo atrás de alguém que você possa acreditar.”

Maurício Dias:

“O jornalismo brasileiro tem uma neurose: ele não se aceita como agente político. Aí ele se refugia, de uma maneira geral, naquela história da isenção da imparcialidade e que expressa o interesse da sociedade.”

Mino Carta:

“O que há de ser um jornalista? Esse homem que conta a verdade factual. Não é? Para garantir a sobrevivência humana. É uma questão de sobrevivência do homem. A defesa da verdade.”

Paulo Moreira Leite:

“Quando o jornalismo só quer confirmar suas próprias convicções, é um jornalismo feito com base em preconceitos. Os piores caras do mundo foram os caras que só queriam confirmar seus preconceitos.”

Raimundo Pereira:

“Esse negócio de você buscar o novo tem um mistério. Porque na aparência, tem milhares de novidades todos os dias, em todos os cantos. Cabe ao jornalista selecionar e ver aquilo que realmente é novo, aquilo que reorganiza o passado.”

Renata Lo Prete:

“O jornalista vê, escuta e conta. E se não vê com atenção e não escuta de fato, contar fica muito difícil.”

Cristiana Lobo:

“Eu tenho que conversar com o que vem me contar a notícia e com aquele que corre pra não contar a notícia. O nosso desafio é esse, ter os dois lados e conseguir contar o enredo o mais próximo da realidade possível.”

Geneton Moraes Neto:

“De tanto lidar com o que é extraordinário, um dia o jornalista passa a achar que o extraordinário é ordinário. Então ele começa a jogar notícia no lixo.”

Luis Nassif:

“Muita informação sem estar organizada, estruturada e hierarquizada, não é nada. Então o papel do jornalista é pegar aquele monte de informação, aquela montanha de informação, organizar, estruturar e dar uma lógica.”

Para você, caro leitor, quem é que se aproxima do que seja a verdade factual neste mercado de notícias?

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