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Gilmar Mendes: o óbito da probidade?

Gilmar Mendes está cercado de fatos graves, como a lista em que aparece um valor de R$185 mil do Valerioduto, mas a imprensa, exceto Carta Capital, e a oposição não dão um pio sobre o desastrado e probo(?) ministro do STF

O texto que segue é de julho de 2012 e foi construído sob os efeitos conjunturais de indícios de envolvimento de Gilmar Mendes, controverso ministro do Supremo Tribunal Federal, com o esquema do mensalão tucano.

Os deslizes continuam a ser empilhados no histórico deste magistrado.

Mendes, sem qualquer constrangimento ético, foi capaz de pedir vistas a um procedimento do STF que proibiria as doações de empresas privadas para as campanhas eleitorais, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4650, proposta pela OAB, mesmo com a decisão já ter sido consolidada com o voto favorável da maioria, mas com este turvo artifício, o ministro paralisou o processo e manteve tudo como dantes no pleito de outubro… Nas redes sociais corre a campanha #devolveGilmar, pelo prazo regimental do STF ele já deveria ter devolvido os autos há 177 dias para que , enfim, seja tornado regra o fim do financiamento privado nas eleições.

O novo capítulo dos acessos autoritários e pouco éticos de Mendes diz respeito ao fato de ter sido escalado como relator para julgar as contas da campanha de Dilma, mesmo com a desaprovação do Ministério Público Eleitoral .  Também é de conhecimento público que o ministro tem agido de maneira política e sistemática contra os governos do PT e atravessado a decorosa linha do comportamento republicano, que é exigido a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Confira o texto e veja se não continua sob medida para o ministro?

Gilmar Mendes, o mais controverso e combatido ministro do Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte da justiça brasileira segue enrolado, mais uma vez, em sérias denúncias.
Desta vez surge em uma lista em que, como apontam os indícios, teria recebido R$ 185 mil do esquema do mensalão tucano, desembolsado pelo publicitário Marcos Valério, para o caixa dois da campanha ao governo de Minas Gerais de Eduardo Azeredo em 1998.

O ministro indicado pelo ex-presidente FHC perde, a cada novo fato que se apresenta contra sua pessoa, as condições morais exigidas para desempenhar tão delicada função na república.

Já bastaria toda a desastrosa narrativa em que denunciou Lula por pressioná-lo a não julgar o mensalão este ano, ato desmentido por Lula e por Nelson Jobim, também presente no encontro, para removê-lo do STF.
O ministro acusou mas não provou, jogou todas as suas fichas em sua imagem de homem público e probo, para convencer a opinião pública de que falava a verdade.  Fracassou.

Aliás o histórico de Mendes não é dos melhores, segundo juristas importantes, o douto ministro desmoraliza e descredencia o STF como lugar de justiça e guardião dos pilares da democracia.
Como chegou a afirmar o jurista Dalmo Dallari, ao advertir que, se Mendes chegasse ao Supremo, estaríamos “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Dallari tem tido toda a razão.

Seu envolvimento suspeito com Demóstenes Torres, após viagem patrocinada por Carlinhos Cachoeira no jatinho do contraventor, trazendo-os de Berlim para o Brasil, já seria mais um episódio capaz de marcá-lo por grandes dúvidas por estar cercado de tal companhia e gozado do patrocínio de um criminoso.

Os dois habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas, em apenas 48 horas, quando Mendes era presidente do Supremo, já seriam suficientes para escandalizar todo o magistrado e a sociedade brasileira.

Mas tais arroubos passaram discretamente pelos holofotes da imprensa e não foram motivos de moções de desagravo da oposição, nem mesmo daquela se coloca mais a esquerda.

Mendes segue colecionando escândalos e sendo protegido dos feitos duvidosos que protagoniza.

O personagem deste mal acabado enredo, não custa nada lembrar, no caso do Mensalão tucano, votou convicto pela rejeição da denúncia contra o senador tucano de Minas Gerais, Eduardo Azeredo.
Na edição de Carta Capital desta semana, é publicada uma lista inédita de beneficiários do caixa 2 da campanha à reeleição do senador mineiro, então candidato a governador em 1998.
A suspeição se materializa pela aparição do nome de Mendes nesta lista e ao lado o registro do valor de 185 mil reais.
O esquema foi operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza, que assina a lista registrada em cartório.
Coincidência?

[clique na imagem para ampliar]

Segundo a Carta Capital “a documentação foi entregue à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte. Ele defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo Miraglia, a morte foi “queima de arquivo”.

O que está exposto nas bancas de todo o Brasil sobre Mendes lançam sobre ele, novos indícios graves, de mais uma trama de sua coleção de condutas pouco ortodoxas para o desempenho de cargo tão importante.

A lisura de processos de grande relevância pode ficar comprometida pela sua simples presença no plenário como julgador.

Apesar de todo o socorro que recebe de parte considerável da imprensa e do silêncio constrangedor por parte de partidos da oposição, principalmente do PSDB e do DEM, o ministro parece enfrentar, no mínimo, questões éticas sobre conflitos de interesses em pelo menos dois importantes processos: o mensalão de 2005 e o mensalão tucano, em que surge como beneficiário deste esquema milionário.

Tão lastimáveis evidências de possível mal feito cometido por um ministro do STF ferem com gravidade a sua pretensão de probidade, além de aleijar severamente a capacidade do STF de julgar, com a imparcialidade obrigatória, de um de seus magistrados.

O ataque preventivo

A intriga que montou, em conluio com a velha imprensa, para imputar uma suspeição em Lula, sobre uma suposta pressão do ex-presidente para não fosse julgado o caso do mensalão em 2012, parece se encaixar, perfeitamente, em um ataque preventivo para desqualificar as provas que ora eclodem contra si.

Desta maneira, Mendes poderia se queixar de ataque leviano contra a sua honestidade e decoro.

Poderia fazer uso de um discurso de homem público perseguido por denunciar fatos de tamanha gravidade, sofredor de uma obra vingativa por sua “atuação republicana”.

Acontece é que Mendes, encontra-se em avançado processo de óbito de sua probidade.

Poderá a mais alta corte do país ter que arcar por tão caro prejuízo de suas aspirações de justiça plena e cidadã.

3 comentários em “Gilmar Mendes: o óbito da probidade?

  1. Pingback: E o mensalão tucano, Barbosa: pau que dá em chico, dá em francisco? | Palavras Diversas

  2. Palavras Diversas
    28/07/2012

    …e é preciso coragem para comentar, sem uma postura covarde de usar anonimato… Se patrocínio definisse quem defende quem, Época e Veja caluniariam também o Mendes, não? Pois também tem grandes patrocínios públicos como a Caixa, Petrobrás e BNDES… é preciso ter um pouco mais de argumento também, né?

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  3. Anonymous
    28/07/2012

    Qual das listas é a verdadeira, a publicada pela rede de difamação em que consta o nome do Gilmar ou a Lista publicada pela revista Carta Capital´financiada pela Caixa para caluniar adversarios do Lula, em que o nome do Gilmar não consta. Olha, até para difamar e cauniar tem que se ter um mínimo competencia.

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