Palavras Diversas

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Mídia e oposição querem o golpe e não a reforma política

Só a pressão popular pode inverter a ordem das coisas, que tanto a mídia e a oposição desejam: o golpe à reforma política

Só a pressão popular pode inverter a ordem das coisas, que tanto a mídia e a oposição desejam: o golpe à reforma política

Os desdobramentos da operação Lava Jato confirmam as relações espúrias entre políticos, agentes públicos e empresários. Ou seja, a prova de que a corrupção se origina nas campanhas políticas e que são os financiadores privados aqueles que dão a partida para o malfeito.

Muitas vezes o político serve aos interesses de seu mecenas eleitoral em primeiro lugar e, caso não haja conflito de interesses, em segundo lugar a sociedade e o bem comum.

O momento exige uma forte mobilização pela reforma política, para varrer das eleições o poder econômico e o cabresto empresarial pós eleições sobre as bancadas e governos eleitos.

Apesar de, comprovadamente, cumprirem um papel político difuso, tanto a oposição quanto a mídia não se manifestam sobre a necessidade de se reformar a política. Discursos e editoriais se concentram apenas em atacar o governo, Dilma e o PT.

Demonstrando, com clareza, a falta de vontade de mudar o cenário viciado de campanhas que, em geral, nascem corrompidas com dinheiro de doação privada, como de empreiteiras, por exemplo.

Não adianta querer tirar o sofá da sala, é preciso mudar os costumes, é necessário ir ao fundo da questão, caso contrário soa à opinião pública que todo o ruído não passa de mais uma tentativa de se ocupar o poder central, a qualquer custo.

Imprensa e opositores agem com oportunismo e cinismo, pouco parecem se importar em alterar as regras atuais, de maneira democrática, e em firmar com o governo uma cruzada anticorrupção e pró-eleições limpas e fechar acordo para votar, em regime de urgência, a proposta de plebiscito da constituinte da reforma política, por exemplo. Concedendo ao povo o poder de decidir diretamente sobre a questão.

O silêncio da grande mídia e dos principais partidos que se opõe a Dilma revelam, também, que seus integrantes foram “agraciados” com dinheiro farto para elegerem-se ou disputar os pleitos com vantagens financeiras absurdas. Fica a impressão que os telhados da oposição são de vidro finíssimo e que preferem apenas centrar fogo na presidenta e deixar tudo como está, contando com a seletividade da imprensa para gerar desgaste político ao governo e mostrar-lhes como salvadores da pátria.

À Dilma, ao PT e ao núcleo mais progressista do governo é preciso explorar estes fatos para fortalecer a agenda da reforma política e conclamar a sociedade por eleições mais representativas, democráticas e livres do abuso do poder econômico.

As investigações em curso representam, de fato, um imenso capital político da presidenta, pois independente do caminho que as ações investigativas tomem, pela primeira vez é possível afirmar que o governo investiga e é investigado com independência pela Polícia Federal, isto é novo na República, não tem precedentes, nem paralelo.

O velho é a prática lesiva aos interesses do povo, da corrupção e do cinismo moralista que a direita costuma usar para alcançar seus objetivos mais imediatos, que, definitivamente, não são os de aperfeiçoar a política e livrá-la dos malfeitores, mas apenas alcançar êxito em mais um golpe contra a democracia, como em tantos outros que desferiu ao longo de nossa história.

3 comentários em “Mídia e oposição querem o golpe e não a reforma política

  1. paulobretas
    21/12/2014
  2. Ester Neves
    18/11/2014

    Disse o procurador-geral da República, Rodrigo Janot: “Está visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Youssef operava para o PSDB” (Folha de S. Paulo, matéria publicada em 17/11/2014).

    De que lado ficarão os homens de bem, principalmente aqueles que se dizem “homens de Deus”: Dos que praticam a corrupção ou dos que estão tentando mudar o paradigma desse cancro que marca a política brasileira?

    Não posso me declarar surpresa com as revelações do procurador-geral, Rodrigo Janot, que evidenciam as inter-relações promíscuas, que têm construído o poder político, em nosso país. Trata-se de estupro da nossa democracia. Uma fraude inaceitável do processo eleitoral, mas que, infelizmente, tem sido a marca registrada da política brasileira, desde sempre. Um processo que se inicia com o financiamento das campanhas eleitorais, que tem sido denunciado por autoridades competentes. Porém, o nosso Congresso corrupto tem demonstrado não haver interesse em mudar, por razões óbvias.
    O que mudou com essa matéria foi a minha esperança de quem as coisas tenham começado a mudar, conforme declarações do procurador-geral, quando disse: “O sistema republicano e a Justiça começam a mudar de paradigma. A Justiça de três, quatro anos para cá, não é mais uma justiça dos três Ps, de puta, de preto, de pobre. Ela está indo em cima de agente político e de corruptor. Acho que [essas novas operações e prisões] serão o grande propulsor da reforma política. E esse sistema é corruptor mesmo, se continuar esse sistema não vai mudar nada, pois vamos derrubar essas pessoas e outros virão ocupar esses espaços. O efeito que estou apostando é a reforma política.”
    O que podemos fazer para que a mudança continue? Precisamos lutar pela reforma política.
    Que todos sejam punidos, de todos os partidos, corruptores e corruptores. Que não se jogue mais a sujeira pra debaixo do tapete.
    Reforma política já!
    Para ler a matéria da Folha, com as declarações do procurador-geral acesse:
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/11/1549171-prisoes-vao-levar-executivos-a-abrir-o-jogo-diz-procurador.shtml

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  3. luizmullerpt
    17/11/2014

    Republicou isso em Luizmuller's Blog.

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