Palavras Diversas

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Aécio não é o restaurador da República. Ou, a demagogia reacionária

Aécio reclama para si o papel de restaurador da República, mas suas ligações e práticas políticas o desautorizam a ostentar este título

Aécio reclama para si o papel de restaurador da República, mas suas ligações e práticas políticas o desautorizam a ostentar este título

A corrupção é um tema marcante em qualquer eleição no Brasil, desde que as eleições livres foram consolidadas na República.

O pressuposto da probidade é dado de maneira, muitas vezes, imprópria.

A corrupção não é um mal dos políticos, apenas, mas uma prática tolerada, moderadamente, pela sociedade.

Os eleitos, em boa parte e principalmente no legislativo, são resultados dessa tolerância do eleitor.

A disputa pela imagem pública mais limpa não deve ser somente um discurso político eleitoral, deve ser prática de vida, exemplo prestado aos grupos sociais mais próximos dos que pregam contra os malfeitos. Tem que ser genuínos.

Logo, colocar em segundo plano qual o projeto de nação que se apresentam em uma eleição e precisam ser considerados e escolhidos pelo povo, e ser reduzido a banal concurso de quem é o mais ilibado, unicamente pelo discurso de que o outro é corrupto, só serve para encobrir questões importantes, geralmente, tomadas a cada quatro anos, beneficiando aqueles que nada tem a apresentar no embate eleitoral.

A corrupção deve ser combatida no dia a dia e o seu combate não pode ser confundido com a disseminação dessa prática. Quanto mais se investiga e se prende, menos o corrupto, e também o corruptor, encontram o espaço adequado para perpetuar suas mazelas. E quanto mais for divulgado os resultados dessa luta, melhor para inibir extensão desta chaga.

Nestas eleições Aécio Neves, candidato do PSDB, tenta colar em si mesmo a pecha de defensor da moralidade e bons costumes na política, ou elevar-se, exageradamente, como o restaurador da República.

Ocorre que seu discurso, arraigado por termos de apelo moral fáceis, não se sustentam na realidade e no histórico de seus embaraços.

Não se pode apontar falhas e malfeitos, com tamanha veemência e virulência, se não se pode passar incólume em um confronto desta natureza.

Não é factível que se esteja tentando apontar caminhos, no campo do combate a corrupção, tentando vender a ideia de que é possível vencê-la, apenas com palavras muito bem encaixadas no discurso proferido em palanques de seus correligionários e da mídia aliada.

Nem tampouco cercando-se de agentes da velha política brasileira e acenando alianças contra aqueles que diz condenar, isso não é republicano, é abjeto.

Pode-se definir corrupção, como ato de se corromper, ou seja, obter vantagem indevida, seja por ação ou omissão, observando-se a satisfação de benefício próprio, a despeito do bem comum.

Quando Aécio construiu dois aeroportos, com dinheiro público de Minas Gerais, para usufruto privado de seus familiares, nas cidades mineiras de Cláudio e de Montezuma, ele cometeu imoralidades políticas, também atentou contra a administração pública de seu estado, para obter a satisfação de beneficiar-se e aos seus familiares.

Quando Aécio nomeou diversos parentes na administração, quando este era governador, garantiu vantagens indevidas ao seu grupo familiar mais próximo, a despeito do bem comum e dos interesses do povo de Minas Gerais.

Quando Aécio recebeu dinheiro para sua campanha em 2002, valores não contabilizados, ou seja, caixa dois, oriundos da Lista de Furnas, que garantiu superioridade financeira sobre seus adversários, ferindo a legitimidade de um pleito para governador de estado, o candidato tucano conspirou contra os preceitos legais das eleições e tirou proveito de fartos recursos financeiros, de origem duvidosa, para corromper o sistema e, mais uma vez, beneficiar-se.

O PSDB, partido de Aécio, foi beneficiário de um escândalo de grandes proporções, iniciada na gestão de um governador aliado de seu estado, o mensalão tucano, operacionalizado por Eduardo Azeredo, que até hoje circula livremente, sem ser incomodado pela justiça, mas engrossa as fileiras do candidato de seu partido e amigo de longa data.

Ao recusar-se a soprar o bafômetro em uma blitz da lei seca no Rio de Janeiro, o tucano atropelou a boa moral e se colocou acima dos demais cidadãos, que respeitam a legislação de trânsito e fazem suas partes para evitar acidentes e preservar vidas. Isto também é corrupção e, pois beneficiou-se de sua patente política para não ser punido, ainda mais grave, foi um péssimo exemplo dado por um senador ao povo brasileiro, que ora se apresenta como candidato a presidência.

Aécio escora-se, e também o seu discurso, em um nicho conservador, raivoso e revanchista, para manter-se na disputa, apesar de todo este histórico nada abonador.

Muitos de seus apoiadores são parte das classes sociais mais ricas deste país.

Alguns dos quais são aqueles que bradam contra nordestinos, pobres, negros e petistas.

 

sonegometro

 

Outros tantos que ajudam a colocar o país no incômodo segundo lugar de país que mais sonega impostos no mundo.

Somente em 2013 foram deixados de recolher cerca de R$415 bilhões de reais, por sonegação fiscal.

A UNAFISCO considera, e muito justamente, que “corrupção, sonegação fiscal, contrabando e tráfico de drogas têm sempre algo em comum:

uma relação muito íntima com lavagem de dinheiro.

Para justificar o enriquecimento ou sinais exteriores de riqueza, os beneficiários dessas atividades ilícitas costumam praticar o que é

denominado de “lavagem de dinheiro”, a fim de esconder as provas da origem dinheiro e fugir do pagamento de tributos.”

São estes que ladram contra a corrupção, mas se lambuzam nela.

O discurso amorfo da corrupção só é elevado ao mais alto tom por estes agentes políticos e econômicos, para tentar tirar proveito eleitoral oportuno.

Não se caracterizam como práticas correntes e cotidianas de suas existências, mesquinhas e egoístas.

O Brasil não avança somente pela construção de um único discurso superficial.

Os malfeitos e malfeitores precisam continuar a ser combatidos, diariamente, antes, durante e depois de todos os pleitos, não apenas durante o calendário eleitoral vigente.

Não serão somente os políticos que conseguirão reduzir, drasticamente, a corrupção, para isso será imprescindível que o judiciário continue a ser independente e as forças policiais autônomas para investigar, julgar e prender os corruptos, de qualquer natureza, origem social e filiação partidária.

Mas nenhum esforço será bem sucedido se não envolver a sociedade, de maneira direta, e colocar este tema na pauta 24 horas por dia, 30 dias por mês e 365 dias por ano.

Caso contrário, corre-se o risco de vermos proliferar discursos oportunistas e vazios, como o de Aécio e de seus apoiadores na mídia, tal qual a Globo, sonegadora de impostos que superam a marca de R$ 1 bilhão, de quatro em quatro ano para se arrogarem como salvadores da sociedade daquilo que eles mesmos cometem.

Combate a corrupção não deve ser o cerne de um exercício demagogo de grupos políticos reacionários, mas materializar-se em um valor a ser apropriado, como um bem inalienável, pelo povo brasileiro. O resto é apenas retórica reacionária e picareta.

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Publicado às 18/10/2014 por em eleições, politica e marcado , , , , , .

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