Palavras Diversas

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Partidarismo da mídia contamina ambiente eleitoral e mercado financeiro

 

Vazamentos de pesquisas tem influenciado o mercado de ações e beneficiado especuladores

Vazamentos de pesquisas tem influenciado o mercado de ações e beneficiado especuladores

Quando afirmamos, com firmeza de propósito, que a imprensa age partidariamente e implode os pilares do bom jornalismo em busca de resultados que favoreçam aos grupos políticos e econômicos que se aliam ou sustentam esta prática, não é mera retórica este exercício.

A instituição do Manchetômetro, instrumento criado para medir cientificamente a postura parcial e manipuladora dos principais meios de comunicação brasileiros, como Globo [O Globo e Jornal Nacional], Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, comprova em dados que este cenário não é peça política encenada em período eleitoral.

É fato que que estes veículos de comunicação atuam, incansavelmente, para retirar do Planalto o atual governo e carregar seu[sua] escolhido[a] para tomar este lugar e garantir mais poder e recursos financeiros em um governo amigo e sócio de suas atividades.

Estes dias apresentaram novos fatos que, somados a tantos outros, confirmam as tintas eleitorais utilizadas na confecção do noticiário.

O desdém com o pronunciamento de Dilma na ONU

Dilma foi a ONU, fez um duro discurso condenando o uso da força da coalizão Ocidental na Síria e defendendo direitos das minorias. A cobertura da imprensa internacional não desprezou o discurso da presidenta.

O Globo, um dos maiores oposicionistas deste governo e líder das oposições, preferiu dizer que Dilma foi a Nova Iorque fazer campanha[!].

O posicionamento do jornal foi de indisfarçável partidarismo e de um esforço descomunal para transformar um ato de ousadia diplomática, independente das análises que se façam da postura de Dilma ao condenar a guerra patrocinada pelos EUA, em uma ação inconsequente e de propaganda.

Bom dia Brasil para Marina

Outro momento flagrante dessa conduta de dirigismo político foi realizado nas entrevistas do Bom Dia Brasil, da Globo.

Dilma foi interrompida mais de 80 vezes em 30 minutos, numa tentativa de desconstruir sua fala e emparedar a presidenciável com denúncias, críticas e dados, alguns errados, sobre seu governo.

Marina Silva teve cerca de 40 apartes dos entrevistadores e pode apresentar seu discurso sem atropelos.

Nada foi inquirido sobre o imbróglio do avião utilizado pelo falecido Eduardo Campos e pela candidata nesta campanha, apesar do jornal O Globo já ter feito algumas matérias que apontam sérias irregularidades no uso da aeronave e suspeita de caixa 2.

Certamente este esquecimento não foi resultado de um descuido editorial, visto tratar-se de uma empresa servida de recursos humanos, tecnológicos e financeiros em grande quantidade e qualidade. Mas, possivelmente, caracteriza-se como mais uma vã tentativa de interditar esta questão relevante para o eleitor.

A revista Veja considerou a entrevista de Marina no jornalístico matutino da Globo, uma conversa de amigos [correligionários], conforme fragmento extraído do DCM:

“Marina nadou de braçada. Ela falou o que quis e bem entendeu. Não foi interrompida e nem colocada contra a parede (…). Em condições tão favoráveis, fez bonito: sorriu, brincou e atacou. Cada vez que uma bola era levantada, Marina cortava e de forma certeira. E o alvo era a adversária, Dilma Rousseff.”

Discurso de Dilma na ONU foi desprezado pela grande mídia

Discurso de Dilma na ONU foi desprezado pela grande mídia

Noticiário irresponsável e insidioso

Na tarde desta sexta feira, o jornal Valor, do grupo Globo, especulava que as ações na Bolsa de Valores de São Paulo subiam devido ao vazamento de informações sobre a pesquisa Datafolha que seria divulgada depois do fechamento do mercado financeiro.

Segundo o diário especializado em economia, que ouviu um especialista, “O dia foi positivo lá fora e aqui tivemos o ‘kit eleição’ se recuperando. O Vox Populi [divulgado ontem à noite] mostrou empate entre Dilma e Marina e já há algumas consultorias falando que as chances de [vitória de] Marina cresceram. O mercado está de olho agora no segundo turno”, comentou o gestor da Guide Investimentos Luis Gustavo Pereira. 

Os agentes financeiros deitaram e rolaram no mercado de ações, estimulados por um jornal, porque especulava-se que os números do Datafolha mostrariam Marina com mais chances de vitória. O que não se confirmou, pelo contrário, pois Dilma cresceu e passou a liderar, também no segundo turno, revertendo uma desvantagem de 2%, para uma vantagem de 4%. O que não impediu que alguns executivos tivessem operado lucros exorbitantes com historinhas montadas para atrair trouxas, com uma roupagem um pouco mais confiável, com o nome de “análises de mercado e conjuntura eleitoral”.

O Valor trouxe outra possibilidade para o entusiasmo dos especuladores, o rumor de que a revista “Veja” trará reportagem “bombástica” em sua edição de sábado: “A matéria deve trazer novidades sobre os esquemas de propinas e caixa dois envolvendo a estatal, o que poderia trazer prejuízos à campanha de Dilma Rousseff (PT) à reeleição, mudando o rumo da corrida presidencial.”

Ou seja, este boato nem precisa se concretizar ou ser exatamente aquilo tudo como foi espalhado.

A imprensa já o transforma em fato consumado, construindo cenários e suspeitas, que por si só, são confeccionadas como verdades a se confirmar [ou não]. Caso sejam desmentidas pela realidade, o produto já foi difundido e pode alcançar total ou parcialmente seus objetivos antes das eleições, o que vier depois ficaria por conta da justiça reparar ou não os danos causados.

Como exatamente ocorreu com outra reportagem da Veja, lançada irresponsavelmente, sem apresentar provas do que afirmava, apenas com o intuito de atingir Dilma e o PT, em que afirmava que o partido “pagou para “comprar silêncio de grupo de criminosos” com uma imagem de um leque de cédulas de dólares”.

Mas, neste caso o TSE entendeu que a publicação da editora Abril excedeu-se no afã de produzir fatos, sem provar o que afirmava, para influenciar o pleito para prejudicar, dolosamente, a candidata Dilma, confira a decisão publicada na página do TSE:

Por unanimidade, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgou, nesta noite (25), procedente representação e concedeu direito de resposta à coligação Com a Força do Povo e ao Partido dos Trabalhadores (PT) em uma página na próxima edição da revista Veja, publicada pela Editora Abril.  Os ministros entenderam que, na edição de 17 de setembro, a Veja ofendeu a honra do PT ao afirmar, sem comprovação na reportagem, que a legenda teria supostamente pago propina em dólares a um eventual chantagista para se calar e evitar um escândalo que poderia afetar a disputa eleitoral deste ano.   

Ao examinar a representação, o Plenário do TSE julgou que a matéria “O PT sob Chantagem”, que recebeu a chamada de capa “O PT paga Chantagistas para Escapar do Escândalo da Petrobras”, extrapolou os limites da crítica ácida, ofendendo a imagem do partido. Em trecho da reportagem, a revista informou inclusive que os dólares fotografados e que compunham uma ilustração da matéria teriam sido parte dos utilizados para o pagamento da suposta propina.

“Se aquele que supostamente recebeu os dólares não quis se manifestar, de que forma a representada [a revista Veja] conseguiu a fotografia das cédulas que, taxativamente, afirmou terem sido utilizadas para pagamento da chantagem? A revista não explica”, considerou o relator, ministro Admar Gonzaga.

De acordo com o ministro, nesse contexto, “percebe-se que a representada não trouxe elementos consolidadores das informações e das ilustrações exibidas, circunstância que transforma o seu conteúdo em ofensa infundada, porquanto desconectada da trama descrita”.  Ele afirmou, portanto, que o direito de resposta era medida que se ajustava “a tal situação de extravasamento da liberdade jornalística”.

Votos

Os ministros Teori Zavascki, Rosa Weber e o presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, enfatizaram, em seus votos, que o Judiciário e a Justiça Eleitoral, em particular, são fiéis defensores das liberdades de expressão, de informação e da manifestação do pensamento, como pressupostos essenciais à democracia.

“Porém, o texto publicado desborda da simples manifestação, e contém afirmações peremptórias e ofensivas que ensejam o direito de resposta”, destacou a ministra Rosa Weber.

“Acho que é equivocado contrapor o direito de resposta ao direito de liberdade de expressão. Pelo contrário, o instituto jurídico do direito de expressão, tal como plasmado na Constituição, é composto também pelo direito de resposta. É assim que está estruturada a liberdade de expressão na nossa Constituição. Direito de resposta não significa punição, não significa uma limitação à liberdade de expressão”, sustentou o ministro Teori Zavascki.

Já o ministro Dias Toffoli ressaltou que direito de resposta não afeta a liberdade de expressão ou de manifestação. “Em razão da possibilidade do exercício do direito de resposta é que o Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) têm reiteradamente derrubado a censura”. “É em exercício que faz parte da liberdade de expressão, ele não exclui essa liberdade”, disse o ministro.

Ele salientou que a legislação eleitoral proíbe a manifestação favorável ou contrária a candidatos pelos meios de comunicação social concedidos (rádio e televisão). Já os meios de comunicação de caráter impresso, lembrou Toffoli, podem pela legislação apoiar ou rejeitar claramente candidato, dando suas razões, por meio, inclusive, de editorial.    

“O que não é permitido é ir para a calúnia, é ir para algo que não se sabe até que ponto é ou não verdadeiro. E não há manifestação de comprovação desses fatos. De tal sorte, que realmente [a reportagem de Veja] transbordou para a ofensa” afirmou o ministro…” 

Esta condenação imposta a Veja abre uma janela de oportunidades para a justiça eleitoral coibir excessos e partidarismos cometidos por quem deveria informar com responsabilidade e provido de materialidade para sustentar denúncias que veicula em larga escala e alcance.  Como operam atualmente, os principais grupos de mídia desinformam e tumultuam o processo eleitoral e, como em um conflito, se afiguram a entrepostos de notícias que servem para munir seus consortes com discursos falaciosos contra os adversários.

Veja é reincidente nesta prática, o PT tem sido alvo constante de edições insidiosas da revista semanal desde 1989, apenas a obrigação de publicar direito de resposta não seja o suficiente, penso que a aplicação de uma pena econômica seja também necessária para a reparação da honra.

Um comentário em “Partidarismo da mídia contamina ambiente eleitoral e mercado financeiro

  1. Pingback: Por que Dilma pode levar já no primeiro turno? | MANHAS & MANHÃS

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