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Pesquisas, pesquisas, eleições a parte

Constantes vazamentos de dados para o mercado e contratação de Ibope e Datafolha pelos maiores grupos de mídia do país levantam suspeitas sobre uma atividade não auditada

Constantes vazamentos de dados para o mercado e contratação de Ibope e Datafolha pelos maiores grupos de mídia do país levantam suspeitas sobre uma atividade não auditada

As recentes pesquisas de opinião tem mostrado, como registrado no gráfico acima, algumas tendências.

1. Dilma segue estável, crescendo dentro da margem de erro;

2.Marina cai, também dentro da margem de erro;

Ocorre que, pegando as últimas duas pesquisas do Ibope, Datafolha e Vox Populi, entre os dias 6 e 18 de setembro, foi possível identificar dois pontos fora da curva.

  • A recente pesquisa Vox Populi, feita alguns dias antes de Ibope e Datafolha, mostrou uma queda considerável da candidata do PSB, contrariando uma tendência que apontava subida. Marina ostentava um índice de 28% , depois passou para 31% e 33%, sucessivamente, até despencar para 27%. São menos seis pontos percentuais em uma única semana, ou cerca de 20% de perda de intenção de voto;
  • Aécio seguia estável em 15%, até subir para 19% no Ibope e depois recuar para 17% no Datafolha, o que aparenta ser uma evolução do mineiro. O Ibope foi o único que mostrou, em um período de três dias, um crescimento de quatro pontos percentuais.

O fato é que não houve, neste período, nada que justificasse tamanha ascensão do tucano.

Por outro lado, Marina despencou no Vox Populi, mas aí cabe uma ressalva: A exceção dos demais candidatos, ela tinha estado em índices mais elevados nas duas primeiras pesquisas do Ibope e Datafolha. No Vox Populi ela havia obtido 28% e, em seguida, caiu para 27%, dentro da margem de erro.

Os outros institutos de pesquisa tem convergido, suavemente, os números de Marina, como apresentado nos dois mais recentes levantamentos, de encontro ao que o Vox Populi já mostrava a duas semanas atrás.

Aécio teve um crescimento acima da margem de erro pelo Ibope, sem que os demais tivessem registrado esse movimento abrupto.

Dilma, em todas as seis amostras colhidas, moveu-se dentro da margem de erro, oscilando entre 36% e 39%.

Calculamos a média dessas pesquisas e o seguinte resultado foi obtido, com arredondamentos:

Dilma 37%

Marina 30%

Aécio 16%

Resultado muito parecido com o que o Datafolha publicou sexta feira…

Suspeitas?

Ou Marina foi inflada artificialmente para ser credenciada como real ameaça a hegemonia petista, ou Aécio foi ajudado pelo Ibope para forjar um sprint na reta final do primeiro turno.

Ou ambas as possibilidades.

Quanto a Dilma, seus números mantém-se em uma trajetória de crescimento moderado.

É preciso considerar que esta análise considera institutos de pesquisas distintos, com amostras diferentes, porém muito próximas umas das outras.

Erros históricos de Ibope e Datafolha

O histórico dos institutos de pesquisas e a contratação e divulgação dos resultados destes pelos principais grupos de comunicação do país, levantam hipóteses sobre possíveis manipulação de resultados, em benefício de uns ou para fabricar cenários a serem explorados por seus contratantes, ao ponto de gerar os resultados desejados em sondagens seguintes.

O Ibope tem em seu currículo um dos maiores enganos de sua história: na véspera do primeiro turno das eleições baianas de 2006, afirmava que Paulo Souto, então no PFL, venceria Jaques Wagner, do PT, no primeiro turno, a sua vantagem era de  oito pontos percentuais. O resultado foi o contrário, Wagner liquidou a fatura na primeira volta, com 52% dos votos válidos contra 43% do pefelista.

Detalhe: Souto era ligado a família que controlava [e ainda controla] o maior grupo midiático do estado e, também, eram [e ainda são] correligionários do candidato e, ao mesmo tempo, contratantes do Ibope…

Nas eleições municipais de 2012, o Datafolha protagonizou uma manipulação grotesca de resultado de pesquisa ao cravar que José Serra e Celso Russomano disputariam o segundo turno em São Paulo, alijando Fernando Haddad do PT do certame.

A cinco dias do primeiro turno uma pesquisa Datafolha garantia que Russomano tinha 29%, Serra 27% e Haddad 22%, o petista foi o mais votado e, depois, venceu no segundo turno o candidato do PSDB, com 55,5% da preferência do paulistano.

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Um comentário em “Pesquisas, pesquisas, eleições a parte

  1. Pingback: Sarney, o maior cabo eleitoral de Marina | MANHAS & MANHÃS

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