Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Grande mídia finge imparcialidade para legitimar noticiário parcial

midia-partido

Mídia não se assume, mas age partidariamente

A mídia toma partido?

A grande maioria dos leitores e não-leitores talvez ainda não se interesse por esta questão. Alguns apenas consomem notícias, sem ao menos, fazer uma análise de qual voz está sendo amplificada e difundida na imprensa.

Em geral as marcas de maior alcance não assumem de que lado estão ou de o que ou quem tomam partido.

Aberto Dines, em artigo no Observatório da Imprensa, articula sobre questão levantada pela Ombudsman da Folha de São Paulo: “Por que a mídia não assume?”

O meu entender para que não assumam suas posições está adiantado no título deste post, mas concordo em uma afirmação de Dines: há em boa parte da imprensa a disposição para o animus diffamandi .  Veja, Folha de São Paulo e a Globo usam e abusam de tal expediente. Primeiro acusam, montam cenários caóticos e para depois confirmar [ou não] a veracidade dos fatos jogados no ventilador.

O noticiário carregado de ataques contra o governo e condescendente em relação a oposição e seus erros e malfeitos, entregam a parcialidade estampada pela grande imprensa. Não é um fato isolado, mas um modo operante, comum e sistemático.

A pauta da corrupção tem sido o prato feito para a radicalização deste tipo de artifício.

Dines tem o seu ponto de vista:

A pergunta do ano continua sem resposta. Outras, também

“Por que a mídia não assume?” A questão levantada pela ouvidora/ombudsman da Folha de S.Paulo Vera Magalhães Martins (em 31/8) continua no ar, intocada, irrespondida. Tudo indica que assim permanecerá.

Faltam apenas três domingos até conhecermos os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais e nenhum jornal, jornalzinho ou jornalão – inclusive aquele que a contratou para funcionar como pedrinha no seu sapato – tentou atender ou satisfazer a cobrança, seja na forma de reflexão ou avançando opções.

A convenção adotada pelos grandes jornais americanos e europeus prevê que a solene “declaração de voto”, registrada na página de opinião, seja publicada com alguma antecedência de modo a dar tempo aos leitores para verificar se não resultou em manipulação do noticiário em detrimento dos demais candidatos/candidatas.

Esgota-se a antecedência, parece que não será desta vez que a nossa imprensa conseguirá oferecer algum avanço em matéria de transparência e responsabilidade. Constata-se justamente o contrário: as agressões e ofensas que se imaginava confinadas no âmbito da tuitelândia e dos maus bofes das redes sociais migraram para o bojo da “grande imprensa” – que tenta se legitimar buscando, debalde, se assemelhar às ágoras gregas, porém cada vez mais dominada por botinadas, valentices, calúnias e xingamentos.

Eflúvios da rinha

O pool armado para repercutir e vociferar a suposta delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, veiculada pela ilibada Veja, responde indiretamente à pergunta formulada pela ouvidora/ombudsman da Folha. Nossa imprensa tem enorme dificuldade em ajustar-se a regras, em buscar equilíbrios. Jamais exigida como fiel da balança, mais seduzida por cruzadas e sarrafadas do que por ponderações.

Os erros cometidos pela rede de veículos repetidores no suposto vazamento da delação de PRC exibe a incapacidade de nossa imprensa em refrear o seu irrefreável apetite para badalar escândalos e aumentar o barulho. Como já foi dito aqui, por falta de treino e forte vocação genética, a noção vigente de imparcialidade não passa de uma alternância de parcialidades.

Uma marretada no prego e outra na ferradura é o nosso ideal de distanciamento jornalístico, hoje facilitado pela troika que comanda o pelotão de candidatos, dois deles na oposição. Nestas eleições a veiculação de ofensas atingiu níveis jamais alcançados – nisso concordam até os colunistas mais exaltados das diferentes facções. As infrações eleitorais aproximam-se de patamares assustadores. E ainda faltam as três semanas finais de vale-tudo.

Assoberbada pelo volume de infrações, a Justiça Eleitoral parece incapaz de conter o ânimo dos players e impor um padrão mínimo de contenção e decência. Agarrada à questão da invulnerabilidade do sistema do voto eletrônico – sobre o qual não paira qualquer suspeita – esquece que o clima de exaltação pode ser mais letal para a democracia do que uma eventual manipulação de resultados. Manifestações de rua de teor claramente eleitoral, porém disfarçadas com palavras de ordem ideológicas, colocam em perigo a imperiosa tranquilidade que deve anteceder e suceder os pleitos.

À imprensa não deveriam escapar esses sinais. Nem a frustração do leitorado/eleitorado com o constrangido silêncio diante da provocação veiculada pela ombudsman da Folha. Até o momento nossa mídia parece tomada pelo animus diffamandi, o gozo da difamação, e mesmerizada pelo frenesi que vem da rinha. Dominada pela trepidação, esquece que uma de suas funções essenciais é evitá-la.

Alberto Dines / Observatório da Imprensa

Anúncios

2 comentários em “Grande mídia finge imparcialidade para legitimar noticiário parcial

  1. Pingback: Grande mídia finge imparcialidade para legitimar noticiário parcial | A Estrada Vai Além Do Que Se Vê

  2. Pingback: PSDB pagou R$732 mil para cooperativa de assessor de Alckmin | Palavras Diversas

Deixe aqui seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Democratização da mídia, apóie!

Seja amigo do Barão!

Digite seu e-mail para seguir este blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 3.451 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: