Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Dilma e a recusa à Globo: antes tarde do que nunca

No período de baixa inflação, as médias de crescimento do PIB e taxas de inflação são os menores nos governos Lula e Dilma, mas jornalísticos da Globo descontroem fatos positivos para ganhar politicamente

Desde 1995 as médias de crescimento do PIB e taxas de inflação são melhores nos governos Lula e Dilma, mas jornalísticos da Globo desconstroem fatos positivos para ganhar politicamente

 

A presidenta Dilma disse não a sabatina do Jornal da Globo, penso, assim como muitos outros, tardiamente.

As instituições políticas não podem ser intimidadas por um organismo privado e seus mais obscuros interesses. Dilma, enquanto chefe de Estado, deve explicações dos atos de seus governos e dar publicidade das decisões de sua administração à sociedade. A Globo precisa informar, calcada nos mais básicos padrões do bom jornalismo.

Aqui não se trata de dizer que a imprensa não deva investigar desacertos ou malfeitos quando estes existirem e forem comprovados, é também um dos papéis da mídia livre. Mas é fato que a Globo despreza a isenção e o bom jornalismo.

O foco aqui é a afirmação de que um governante não pode se curvar aos caprichos de uma emissora que, planando acima do bem e do mal, resolve impor sua agenda de entrevistas na base da coação e do desrespeito, relegando ao segundo plano, o debate de ideias que tais encontros deveriam proporcionar.

A pauta da despolitização da Globo nestas eleições superou a das coberturas de todos os pleitos pós 1989.

A chantagem mesquinha se sobrepõe aos interesses nacionais.

A Globo não é a única e nem a melhor fonte de informação de que o povo brasileiro hoje dispõe.

Curvar-se às intimações dos jornalísticos da tv mais poderosa do hemisfério sul não é, necessariamente, uma ação de respeito ao público ou de prestação de contas. Atualmente mais se configura ao temor de ser defenestrado pelos braços midiáticos da família Marinho e de seus associados na imprensa.

Neste aspecto Dilma nada perde, pois o que mais se encontra na programação global são horas e mais horas de cobertura enviesada politicamente contrária ao seu governo.

Onde Dilma acerta, esconde-se os seus méritos.

Quando erra, ampliam-se seus tropeços.

Um presidente da República não pode estar submisso à pauta de uma rede de TV, ainda mais se essa corporação prosperou às custas de suas relações com a ditadura militar.

Aspirantes aos cargos executivos deste país não podem portar-se, covardemente, como meros mensageiros daquilo que a Globo entende que o povo deva saber, sob suas condições e edições.

Nas eleições americanas em 2008, Barack Obama negou-se a falar com a Fox, por entender que o canal era porta voz do Partido Republicano e a sua missão consistia em desconstruir o candidato Democrata.

O país não entrou em crise por conta disso, nem a imprensa deixou de ser livre por uma opção lícita de um político.

Penso que Dilma deva buscar todas as emissoras de TV e demais órgãos de imprensa e conceder entrevistas coletivas com mais frequência.

Em 2002 quando Lula derrotou José Serra, sua primeira entrevista como presidente eleito foi uma exclusiva ao Jornal Nacional.

Quatro anos mais tarde, Lula foi a todos os jornalísticos noturnos e concedeu entrevistas como presidente reeleito, direto do Palácio do Planalto, em ordem que obedecia o horário de exibição de cada atração. O Jornal Nacional foi um dos últimos a entrevistá-lo.

Dilma exerceu seu direito de recusar uma entrevista, a democracia não está abalada por isso, pois o que não faltam são debates e espaço na mídia para informação sobre a candidata, mas a credibilidade da Globo, esta sim, sairá ainda mais abalada após estas eleições.

*p.s. o Ibope publicou nova pesquisa que mostra crescimento de Dilma [37%] e Marina [33%] e a contínua desnutrição de Aécio [15%], estes novos índices talvez deem mais confiança a cúpula petista em recusar, com mais frequência, serem enquadrados voluntariamente nas pautas agressivas e desrespeitosas da Vênus Platinada…

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Um comentário em “Dilma e a recusa à Globo: antes tarde do que nunca

  1. Alessandro
    04/09/2014

    Ja passou da hora das emissoras se colocarem em seus lugares e deixar de querer serem deuses acima do bem e do mal e passarem a ser um serviço util a favor da populaçao e do pais. E não nos fazendo de idiotas de 12 anos com programas voltados para crianças, desmiolados, tapados, uma verdadeira lavagem celebrau….. Cadê a fiscalização!!

    Programas que em preno dia já mostram pessoas sendo mortas, assaltadas e tudo que não presta. Gozado o slogan destes canais na maioria das vezes é educação, então pergunto, cade a deles.

    O Brasil não pode continuar nas mãos de meia dúzia que controlam a midia global e não fazem nada de proveito a não ser chantagens, mentiras, especulações, pornografia, violencia… e afundar o pais.

    Não sou partidario de legenda partidaria alguma e so voto porque sou obrigado.

    Sou a favor de cada cidadão brasileiro e ao seu bem moral, intectual.

    Se queremos um pais melhor não podemos continuar deixando que estas midias nos manipule principalmente nossas crianças em fase de formação moral e intelectual.

    Depois não adianta a nós chorar, sabendo que a grande ou a maior causadora de tudo isto é a grande midia.

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