Palavras Diversas

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O “novo” já nasce velho

Ao sabor dos ventos midiáticos favoráveis e das pesquisas eleitorais, a campanha de Marina Silva altera pontos polêmicos de sua plataforma de governo.

Vale perguntar: falta segurança ou sobram pressões?

Se sobram pressões, a candidatura da “novidade”, da política-apolítica, é dominada por grupos sociais conservadores que se opõe aos direitos da comunidade LGBT.

Se opõe a mais o que? É preciso confrontar a escamoteação de uma candidatura que não apresenta, com clareza, suas credenciais e propostas e avança [sobre direitos da sociedade?] ao sabor das oportunidades que se abrem, mesmo que para isso se contrarie com uma rapidez desconfiável.

O vídeo acima, de O Rappa, banda que declarou apoio a Eduardo Campos e é patrocinado pela Natura é esclarecedor para este momento:

“O novo já nasce velho”

Enquanto a voz amena
Fala de equilíbrio
Um rosto é só um rosto
E quem está falando
Parece uma questão divina

E a tv tira a atenção
Na hora do culto hardcore
Pois a miséria é um insulto
Motiva a fé do mundo

E o defunto não deve enjeitar a cova
Humilde, desumano
Não vou duvidar do passado
Como se já não existissem velas para acender
Mas que diferença faz
Se nossas mães não choram mais

E de meu pai não vejo sorriso
Se o velhos não podem
Criar suas rugas
O novo já nasce velho”

Como comportar pastor Silas Malafaia e progressistas na mesma barca?

Tem gente sobrando e não é o pastor Malafaia…

Confira o texto do Muda Mais:

“nova política” apresenta: a candidatura das erratas

A primeira errata diz(link is external)  “por erro de revisão, na página 144 do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, o programa de energia nuclear foi citado como um dos que merecem atenção para aperfeiçoamento e aumento de sua presença na matriz energética do país”. A errata foi lançada após a proposta apresentada anteriormente no programa pessebista ser duramente criticada na imprensa e por técnicos da área. Há de se levar em consideração a contradição presente no fato de uma candidata que se sustenta por seu viés ambientalista defender o investimento maciço em uma forma de energia controversa, amplamente criticada por movimentos sociais de defesa do meio ambiente.

Na manhã de hoje, outra alteração: “texto do capítulo ‘LGBT’, do eixo ‘Cidadania e Identidades’, do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, que chegou ao conhecimento do público até o momento, infelizmente, não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão sobre o tema durante as etapas de formulação do plano de governo”, publicou a candidata em seu site oficial(link is external). Do programa, foram eliminados trechos em que Marina se comprometia com a aprovação da lei de identidade de gênero, em articular no Congresso leis que garantam o combate à homofobia e regulamentação do casamento gay, entre outros pontos. Vale lembrar que Marina Silva já havia se posicionado contra o casamento de homossexuais em outras ocasiões.

Após o lançamento das propostas para o público LGBT, Marina também foi alvo de críticas duras nas redes, especialmente por evangélicos, parcela importante de seus apoiadores e parceiros políticos, como é o caso das manifestações do Pastor Silas Malafaia no twitter(link is external)

Não foi só no caso da política LGBT e da energia nuclear. No dia 22 deste mês, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem com o título “Campanha de Marina discute ampliação do ‘controle social’ da atividade política”, que também foi revogada pela campanha, que alegou que o jornal teve acesso a uma versão anterior do programa(link is external) no qual as “formulações apresentadas não estavam alinhadas com os princípios que consideravam relevantes para o debate sobre o tema”.

Em poucos dias (poucas horas, nos dois primeiros casos), a candidata do PSB já revogou pontos estratégicos de seu programa por 3 vezes, sempre alegando erros de terceiros. Já que os coordenadores da campanha e a própria candidata afirmam que as propostas foram amplamente discutidas com a sociedade, existem duas alternativas diante dos fatos: (i) o programa foi formulado e não passou pela aprovação de Marina Silva, o que é grave; (ii) a candidata e sua campanha estão reformulando as propostas de acordo com pressões de setores, algumas vezes conservadores, da sociedade. Vale notar que Marina Silva afirmou que manteria as diretrizes anteriormente propostas por Eduardo Campos e, com as alterações realizadas, pode estar quebrando parte fundamental desse compromisso.

Quando tanto se fala na nova política, é de se estranhar tanta dificuldade em definir claramente propostas sobre temas que são tão caros à população, objeto de amplo debate em diversas instâncias da sociedade . Em uma disputa presidencial, a clareza das propostas é fundamental para a decisão dos eleitores. 

MudaMais

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Publicado às 30/08/2014 por em eleições, politica e marcado , , , , , .

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