Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

A mídia embolou a eleição

Marina Silva cresce amparada por gigantesca campanha midiática favorável e ameaça Dilma

Marina Silva cresce amparada por gigantesca campanha midiática favorável e ameaça Dilma no segundo turno

Com a divulgação do novo levantamento do Ibope, o cenário atual é de empate entre Dilma Rousseff e Marina Silva, pois se por um lado Dilma vence no primeiro turno, no segundo turno, é Marina quem salda a fatura.

Mas pesquisa eleitoral não é fato consumado, muita água ainda vai mover o moinho e o quadro de hoje poderá não ser mais o de amanhã.

Para isso creio que alguns fatores serão essenciais.

Qual será a reação da coordenação de Dilma? Partirá para o embate com Marina e politizará a disputa ou continuará centrando sua propaganda política nas realizações de seu governo?

Se chamar Marina para uma peleja direta, retira de vez Aécio Neves do tabuleiro e poderá ver os eleitores do tucano migrarem para Marina, em maioria, no segundo turno. Risco pequeno, visto que é provável que estes já o abandonem no primeiro turno e votem na candidata do PSB se perceberem que Aécio não chegará com chances em 5 de outubro.

Se optar pela segunda opção e conseguir manter seus índices acima dos 35% poderia virar espectadora de uma luta sangrenta entre seus adversários se os índices de ambos permanecerem a uma distância inferior a 10%. O risco seria ter pouco tempo no segundo turno para polemizar com o adversário, hoje Marina, e recuperar o terreno perdido por ter adiado demais o embate político, que ora se faz necessário distinguir para o atônito eleitorado, vítima de intenso bombardeio midiático marineiro.

Para Aécio sobram duas ações a tomar.

Ou ataca Marina e busca recuperar seu eleitorado, ou assimila o golpe e passa a atuar como linha auxiliar de Marina nas investidas contra Dilma, antecipando, claramente ao eleitor, os passos do tucanato em um segundo turno entre as candidatas.

O PSDB e a direita costumam aderir aos times que podem lhes garantir recompensas futuras, se colocarem sua força mobilizadora e recursos financeiros em troca antes.

Aécio corre o sério risco de perder, nas próximas semanas, financiadores de campanha e apoiadores políticos, se novas pesquisas consolidarem os índices divulgados pelo Ibope.

E em uma campanha tão influenciada pelo poder econômico, como a nossa, e para um candidato sem base política na sociedade, isso pode ser o atestado de óbito de suas pretensões, daí poderia resultar sua aceitação de trabalhar como coadjuvante da coalizão do PSB  contra Dilma e o PT.

Para Marina deverão, desde já, jorrar doações para a sua candidatura, novos nomes devem se somar a sua chapa e esmagar, de vez, a participação do PSB na coordenação de sua campanha, tornando o partido apenas um etiqueta necessária, mas desprezível pós eleições. Tal como ocorreu em 1989 com o PRN, que abrigou Fernando Collor, que não tinha espaço no PMDB.

O resultado da pesquisa publicada hoje revela outras questões, não menos importantes.

Marina foi catapultada por um gigantesco esquema de mídia que a colocou em destaque, ininterruptamente, como um ente  quase mitológico que chegou para a disputa eleitoral como a solução de todos os problemas do país, mesmo sem apresentar ao eleitor seus projetos, isto não importou para fermentar sua candidatura, apenas seu formato foi suficiente para garantir adesões até o momento.

A maciça presença da candidata do PSB na mídia, coberta de um manto à prova de juízos de valor, só é comparável na história recente do país em dois momentos: no engajamento da imprensa nas campanhas de Collor em 1989 e de FHC em 1994.

Este fenômeno está presente nestas eleições, novamente. Potencializada por um evento trágico, que foi a morte de um postulante a presidência em plena campanha, Eduardo Campos, colega de chapa da ex-senadora acriana.

A outra certeza, extraída deste momento, é que haverá, sim, segundo turno. Isto é óbvio.

Marina e Aécio estarão juntos para enfrentar Dilma, em uma aliança que será costurada não apenas para disputar o segundo turno, mas para governarem juntos.

O próximo e decisivo passo desta peça pode e deverá ser dado por Lula, o maior cabo eleitoral deste país. O ex-presidente não deverá se acomodar com a nova realidade imposta, sob sua liderança podem sair lances poderosos de mobilização e reação partidária.

Ao que parece, a morte trágica de Campos caiu como um luva para setores mais conservadores da vida política brasileira.

Anúncios

Deixe aqui seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Democratização da mídia, apóie!

Seja amigo do Barão!

Digite seu e-mail para seguir este blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 3.452 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: