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O ódio encontrou o nome para tentar vencer a esperança?

Marina Silva entrando na disputa ameaça Aécio Neves e passaria a protagonizar, pelo lado conservador, com Dilma Rousseff estas eleições

Marina Silva entrando na disputa ameaça Aécio Neves e passaria a protagonizar, pelo lado conservador, com Dilma Rousseff estas eleições

A se confirmarem os rumores, que dão conta que Marina Silva aceitou assumir a vaga de candidata a presidência pelo PSB, a acriana terá escolhido este o cenário para desempenhar papel político ativo, não em 2018, como até então sinalizava.

Isto talvez responda questionamentos sobre qual relevância sua chapa terá nessa disputa.

Fica cada vez mais claro que Marina entra na briga para protagonizar com Dilma Rousseff estas eleições e que as precipitadas negociações políticas, pós morte trágica de Eduardo Campos, garantirão espaço e publicidade para se apresentar como a candidata central da oposição.

Aécio Neves pode ser deslocado para mero auxiliar, atacando os projetos do governo e abrindo caminho para a ex-senadora, o que as próximas pesquisas de opinião poderão estabelecer como uma nova realidade.

O que reforça, ainda mais, a tese de que Marina terá que abraçar bandeiras conservadoras na campanha, como a redução de investimentos sociais, diminuição do estado e o estabelecimento de uma agenda recessiva. Sem esses requisitos a candidata não garante a primazia pelo corredor da oposição.

O fato é que o candidato do PSDB é quem tem mais a perder com este possível arranjo: perde apoio político, financiadores de campanha e eleitores para o PSB, ou seja, falando claramente, perde o posto de principal candidato da oposição. Fica menor do que quando entrou.

Marina poderá, se bem sucedida em seus acordos, avançar entre os indecisos e eleitores de Aécio e do Pastor Everaldo. Por outro lado, esta é uma decisão difícil para o PSB: a ex-petista e ex-verde não é um quadro do PSB, apenas está abrigada na legenda, a menos de um ano, porque o Rede Sustentabilidade não conseguiu cumprir a tempo as exigências da legislação eleitoral e não poderia lançar-se candidata agora em 2014.

Marina seria adversária de Campos e o seu discurso em muito difere do ideário histórico do PSB.

A substituta de Campos não é a candidata dos sonhos dos socialistas, não desperta euforia nos quadros do partido, porque não é confiável aos olhos de seus colegas de legenda e tem prazo para abandonar a quem lhe deu asilo, logo que o Rede tiver seu registro aceito pelo TSE.

O PSB será usado, conscientemente, para abrigar uma aposta que não é dele, diferente de Campos, quadro histórico do partido. Marina é um nome que representa a aspiração de retorno ao poder de grupos conservadores, que embarcam na nau que tiver mais fôlego para enfrentar Dilma e o projeto de poder do PT. E abertamente fazem a defesa de que “qualquer um(a) serve”, desde que não seja a Dilma, vide recentes manifestações dos grandes bancos e do sistema financeiro em seus comunicados ao mercado.

Aí reside outro grande problema neste arranjo eleitoral tão dissonante: Marina terá a tarefa não de conquistar apoiadores de seu projeto, até aqui desconhecido e misterioso, mas apenas pescar os descontentes com o governo e fazê-los acreditar que é ela, e não Aécio, quem pode encarnar melhor a catalisadora de votos anti-Dilma.

Fernando Collor foi eleito em 1989 ancorado na premissa de que “qualquer um, menos o Lula” era o melhor para o Brasil. Os eleitores, em grande parte, não depositavam as suas esperanças em Collor, mas sim um voto de defesa contra um projeto que temiam, considerando o caótico contexto político mundial da época, da vitória norte americana contra o socialismo soviético em ruínas. E a história nos conta o que aconteceu, venceu o medo, perdeu a esperança.

A estratégia parece repetir-se, Marina precisará convencer os descontentes que é a mais capaz para vencer Dilma, sem ter que despertar a esperança em um país melhor para o eleitor, mas, tão somente, agindo como condutora do sentimento de vingança de setores mais conservadores da sociedade contra o petismo. E para cumprir tão árdua tarefa não faltarão recursos, humanos e financeiros para a titular da chapa do PSB.

É a possibilidade que o conservadorismo mais danoso aos interesses nacionais viu surgir, resultado de uma tragédia humana, de o ódio vencer a esperança.

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