Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Aecioporto: a imprensa em um balcão de favores [ou ringue de batalha política]

Construção de aeroporto com recursos do povo de Minas Gerais em terra de tio é amenizado pela Folha de São Paulo

Construção de aeroporto com recursos do povo de Minas Gerais em terra de tio do senador mineiro é suavizado pela manchete da Folha de São Paulo. Aécio é personagem central do escândalo, mas jornalão menciona “Minas” como sujeito central da frase

Quando é dito que a imprensa é parcial e está jogando ao lado de personagens do meio político e empresarial brasileiros, isto não é uma lamúria de quem se sente perseguido ou em desvantagem em um cenário como este, mas uma infeliz constatação do jornalismo praticado pelas grandes corporações de mídia.

Apurar desvios éticos e malfeitos na condução da coisa pública, são deveres do jornalismo investigativo sério e preocupado em informar a sociedade, de maneira responsável e munido de provas contundentes.

Que sejam apurados todos os escândalos, sejam de governistas ou oposicionistas.

Mas quando surge o recorte partidário no oficio de noticiar, aí perdem a sociedade e a democracia e sacrifica-se a verdade dos fatos. O resultado que se apresenta, em seguida, é a perda da credibilidade. Então deixa-se de ser imprensa e assume-se partido político e a notícia passa a ser mero panfleto.

O governo tem sido alvo de várias denúncias desde 2003, a maioria delas infundadas ou exageradas, outras não. Investigar suspeitas de corrupção é ação imprescindível para o aperfeiçoamento das instituições democráticas, nisso a imprensa tem relevante papel, desde que aja com isenção e objetividade nas apurações.

O que tem saltado aos olhos do leitor é que quando é o governo o alvo de suspeitas, infundadas ou não, a mídia carrega na tinta e exagera nas manchetes. Primeiro passa o atestado de culpa, depois, com menor exposição, conclui se o malfeito ocorreu ou não. Isto é efeito colateral de um partidarismo explícito praticado pelos maiores grupos empresariais de imprensa. A disputa política se dá na formação da opinião pública, as redações simulam teses e testam suas hipóteses noticiosas em escala industrial.

O papel investigativo do jornalismo político não pode ser castrado, pelo contrário, precisa ser estimulado, doa a quem doer, governo ou oposição, independente de quem é governo ou quem é oposição. Não se está aqui pedindo moderação da mídia corporativa nas denúncias que surjam contra o governo, pelo contrário.

O fato é que a oposição é preservada com notícias tratadas, deliberadamente ajustadas para causar o menor estrago possível quando são os oposicionistas atuais alvos de acusações graves, ou quando suas políticas públicas falham e causam enorme prejuízos a população.

É o que se percebe na cuidadosa manchete da Folha de São Paulo ao noticiar que o ex-governador de Minas Gerais e atual candidato a presidência pelo PSDB, Aécio Neves, mandou construir um aeroporto em uma fazenda de seu tio com dinheiro do contribuinte mineiro.

O jornal paulista foi leve em sua manchete: “Minas faz aeroporto em fazenda de tio de Aécio”. Quem lê a chamada de capa não sabe que foi o próprio Aécio quem mandou construir o aeroporto, mas como está publicado parece que o Estado de Minas Gerais, sem definir o responsável por isso, cometeu o malfeito e, quem sabe, o senador nem tenha parte nisso.  intenções escondidas nas entrelinhas da notícia.

Mas e se Aécio fosse da base aliada do governo e candidato pela coalizão liderada pelo PT ao Planalto, a capa seria tão benevolente? Não, obviamente, baseado nas recentes posições políticas tomadas pela Folha de São Paulo. O neto de Tancredo talvez fosse saldado com uma chamada do tipo: “EXCLUSIVO: Aécio fez aeroporto em fazenda do tio quando governou Minas”. 

Estariam exagerando? Não, pelas evidências que surgiram deste escândalo até o momento, creio que este deveria ser o tratamento dispensado ao político tucano. A credibilidade é o que faz o leitor buscar informações em um meio de comunicação e ela está calcada na imparcialidade. Atualmente títulos como a Folha de São Paulo não buscam alcançar novos leitores, ou oferecer subsídios para a formação de massa crítica. Mas tão somente conquistar mais cabos eleitorais para defender suas causas. no meio dessa peleja, ficam caídos inertes o jornalismo sério e a verdade dos fatos.

O mesmo tratamento “amigo” já havia sido dispensado aos casos do trensalão paulista e mais recentemente da seca do Sistema Cantareira.

O Estadão, por exemplo, fez um favor ao tucano ao dar capa sobre o descaso do governo de Geraldo Alckmin com o abastecimento de água, falando em “crise hídrica”, parece que a culpa é da natureza, não é mesmo?

Mas se o raciocínio para Aécio, também valesse para Alckmin e ele estivesse ao lado de Lula e do PT, não seria surpreendente se o jornal desse a notícia de forma mais direta e nomeando responsáveis, tal como: “Alckmin não investe e sistema Cantareira entra em colapso”.

Ou quem sabe a matéria de capa sobre o trensalão fosse mais dura: “Documentos exclusivos do trensalão provam corrupção no governo Alckmin”.

E desta maneira a audiência vai perdendo a fé no noticiário que a grande imprensa produz e o jornalismo vai se transformando em balcão de favores ou ringue de pesadas batalhas partidárias.

Que o noticiário pese para o malfeitor ou mau administrador, seja ele de que partido for.

As manchetes não podem ter alvos pré-definidos para a ruína moral de adversários ou servir para poupar aliados do juízo da opinião pública pelos erros que cometerem.

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