Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Edifício Brasil em obras

Morador de um prédio com vários problemas que começou a mudar seu rumo. Fato verídico, similar ao que ocorre no país. É preciso parar de só apontar os problemas e fazer parte da solução

Morador de um prédio com vários problemas que, recentemente, resolveu mudar seu rumo . Fato verídico, similar ao que tem ocorrido no país nos últimos anos, as mudanças agradam a maioria e desagradam a uma minoria histérica

Moro em um prédio que tem, aproximadamente, cinco décadas de existência.

Passou por várias administrações de síndicos e quando me mudei para cá estava em condições nada razoáveis: elevador soltando o acabamento, pastilhas da fachada caindo com as chuvas mais fortes, gastos descontrolados, vazamento de água, sistema elétrico envelhecido etc.

Há um bom tempo não ocorriam obras e os condôminos também não se organizavam para resolver seus problemas mais urgentes.

Muita reclamação, pouca ação. Como se a cobrança pela solução e a resolução dos mesmos acontecessem, tão somente, pela imposição de frases negativas e reivindicatórias, mas sem participação e convencimento.

A maioria não se colocava como parte do problema, ou da solução. Esse ofício era ocupação de muito poucos residentes.

De uns tempos para cá, sob nova gestão, o prédio tem passado pelo maior conjunto de obras desde que foi construído.

Desde então teve suas pastilhas reafixadas e pintadas; acabamento do elevador modernizado, assim como a atualização do software que controla suas paradas nos andares, sem o desagradável solavanco de antes; controle maior dos gastos; pintura da garagem e tratamento das pilastras contra rachaduras e infiltrações; troca da fiação e colocação de dutos de PVC do sistema elétrico; aluguel de espaço para uma antena de transmissão de dados no terraço do prédio, aumentando a receita do condomínio etc.

Algumas destas obras estão em andamento, ultrapassando os prazos fixados e ainda levarão tempo para serem finalizadas, mas serão concluídas.

Tudo tem seu custo, o convencimento feito à maioria de que era preciso mudar o rumo do condomínio e fazer os investimentos para modernizar e preservar a construção cinquentenária, foi o primeiro ato da mudança.

A elevação de alguns gastos por conta das reformas e o maior envolvimento dos proprietários, foram outras exigências importantes neste processo.

Não se muda nada mantendo velhos hábitos.

Mas é preciso compreender que as mudanças podem consumir bastante tempo e não devem ser confundidas com estagnação.

Quando cheguei aqui ouvia as reclamações das pessoas do estado de conservação do prédio e do descaso do síndico, estes eram a maioria.

Na eleição que selou a mudança, o síndico nem sequer foi capaz de defender seu mandato, possivelmente, nunca mais se candidatará para o cargo, tamanha a rejeição à sua condução administrativa.

Alguns anos se passaram, muitas coisas mudaram, mas ainda tem aqueles, hoje minoria, que continuam reclamando da administração do prédio, algumas vezes, chegando a insensatez de afirmar que “bom era antes desse cara aí, agora só sabem aumentar a taxa de condomínio”. Sobra reclamação para tudo, coisas importantes ou coisas mínimas, como a falta de habilidade de um morador para abrir uma porta que dá acesso a garagem: “a fechadura é uma droga, não funciona, aliás, nada nesse prédio funciona!” A generalização do caos é algo recorrente por alguns, para tentar dar vida a um estado de coisa que não existe.

Uma observação importante: a taxa de condomínio subiu em paralelo aos índices inflacionários, mas por alguns anos o valor foi congelado, nada se fazia, nada se cobrava e o prédio caminhava, a passos largos, para a ruína física e de seus proprietários.

O condomínio é hoje uma excelência, em suas instalações e administrativamente? Não, óbvio que não poderia ser, afinal foram anos de descaso e abandono, resultado de um acordo tácito entre quem geria e seus moradores: nada se faz, nada se cobra a mais. Mas todos perdiam, matava-se a esperança.

Mas o fato das reformas terem sido iniciadas já é, por si só, a maior obra que a atual administração deixa de legado.  Para alcançar níveis melhores de gestão e maior conforto era preciso, imediatamente, interromper uma trajetória de negligência com o bem coletivo. Isso foi feito.

Quando se avança os resultados logo aparecem e a satisfação atinge a maioria, não a todos. Porque a unanimidade não é um cenário possível nas relações sociais mais complexas, esbarra em interesses, inclusive daqueles que se beneficiam do atraso e da ruína.

O primor no trato das questões coletivas é um valor inalcançável e vai se colocando mais a frente, após cada novo progresso conquistado, como estímulo para continuar avançando, mudando mais.

Aqueles que reclamam, ou por interesses presentes e futuros ou por privilégios rifados, estes permanecerão a espreita, à espera de uma crise ou de um acidente, para serem reconhecidos em suas razões encobertas de mesquinharias.

O que meu prédio difere do Brasil atual?

Cinco décadas, cinco séculos, muitas obras…

Ambos experimentam um período histórico muito parecido: as mudanças acontecem, agradam alguns e desagradam outros.

Os que se beneficiam são maioria nos dois casos, os que reclamam das pequenas coisas, na tentativa de agigantar problemas comuns, são minoria. Porém são barulhentos e reclamantes de suas prerrogativas distintivas.

A democracia é um bem de toda a sociedade, seja da população de um país inteiro ou de dezenas de proprietários de um prédio residencial e é através dela que se consagram ações que beneficiam a grande parte de seus integrantes.

É urgente que aqueles que se sentem bem representados possam fazer mais barulho, legitimando aquilo que está posto ou sendo realizado e cobrando mais mudanças, com mais inclusão e justiça social.

Para o bem do prédio, para o bem do país.

Anúncios

Deixe aqui seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Democratização da mídia, apóie!

Seja amigo do Barão!

Digite seu e-mail para seguir este blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 3.451 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: