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Copa das Copas: a ironia do avesso das previsões catastróficas

José Maria Marín, Aecio Neves, FHC e Marco Polo Del Nero, que aliança político-futebolística! Leia o texto até o fim e tire suas conclusões

FHC, Aécio Neves, José Maria Marín, atual presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, que assume a CBF em 2015, que aliança político-futebolística! Leia o texto até o fim e tire suas conclusões

Enfim acabou a Copa do Mundo Brasil 2014, uma vergonha indelével para o país, um rótulo que perdurará por séculos, os historiadores em um futuro longínquo a tratarão com o devido rigor histórico.

Como previsto pelos meios de comunicação, em tom de aviso para evitar tamanho vexame, esta copa seria marcada pelo despreparo e pelos remendos de última hora.

Arnaldo Jabor foi enfático e, com tamanho apreço ao Brasil que seus escritos denotam, disse que este evento iria “revelar nossa incompetência para o mundo”, um sábio incompreendido pelos seus críticos.

O senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná, já havia implorado que o governo abrisse mão de realizar esta copa em favor de outro país melhor preparado e com mais capacidade para tocar tamanha empreitada, um símbolo de patriotismo.

Como noticiado pela imprensa nativa, em seu esforço ufanista de nos defender de nós mesmos, o caos se instalou na organização da copa do mundo.

Manifestações gigantescas sitiaram as cidades sedes e a segurança pública não foi capaz de garantir a segurança de turistas estrangeiros e das delegações, muitos incidentes eclodiram e centenas foram feridos pelos movimentos furiosos do Não Vai Ter Copa.  Imagens que correram o mundo, maculando o país e afugentando futuros visitantes e investidores. Um horror!

Miriam Leitão havia afirmado em final de 2013 que algumas sedes não teriam como garantir o suprimento de energia elétrica e um apagão seria inevitável, por culpa, única e exclusiva de Dilma Rousseff. Como falado pela especialista da Globo, vários jogos foram interrompidos por falta de energia elétrica, principalmente os realizados no Norte e Nordeste.  A presidenta poderia ter convocado Leitão para consultar o governo na área de infraestrutura energética. Uma falha imperdoável.

E teve mais, infelizmente para nos fazer corar de vergonha. O Globo já havia vaticinado que um iminente surto de dengue poderia provocar uma fuga em massa dos torcedores que aqui chegassem e não deu outra! Visitantes europeus e várias representações de mídia internacional e até seleções deixaram a competição sem mesmo completar suas partidas. Como o caso da Alemanha, um fiasco dentro dos campos, por causa do surto de dengue que atingiu o litoral baiano em que se hospedou.

Os aeroportos superlotaram e várias equipes tiveram seus jogos adiados porque não conseguiram chegar aos estádios no horário marcado, o que levou a Fifa a interromper por mais de uma semana a competição, fato inédito e que só aumentou a exposição de nossa frágil capacidade de gerenciamento.

O COI temendo o pior, retirou do Rio de Janeiro as Olimpíadas de 2016, Chicago foi a cidade escolhida. Era o melhor a fazer, segundo editorial escrito a quatro mãos por Merval Pereira e Reinaldo Azevedo, até então, os maiores defensores da copa no Brasil e que durante a competição atenuaram, com grande espírito nacionalista, todas as imperdoáveis falhas cometidas pela organização, mas que tiveram que se render a realidade que tornava impossíveis qualquer tentativa de encobrir os percalços e desventuras de um povo teimoso em não querer acertar.

Enfim, como antecipado para o Brasil e para o mundo, esta copa do mundo seria um fragoroso insucesso, um vexame e exporia nossos defeitos mais clamorosos, nos condenando por toda a eternidade como desditosos incorrigíveis, uma lástima.

O governo foi incapaz de organizá-la, em todas as esferas de poder envolvidas, com um mínimo de decência e zelo.

O mundo carimbou esta copa como a pior de todas as copas, segundo jornalistas estrangeiros que já haviam coberto outros torneios dessa magnitude e pela imprensa internacional, e a hashtag #piorcopadascopas se transformou em viral planetário, rivalizando apenas com o #nãovaitercopa.

A torcida fez o que pode para sustentar a copa dentro dos estádios, comportou-se civilizadamente e ainda foi, por demais, cortesa ao elogiar a presidenta nos jogos de abertura e da final, ao exaltar sua trajetória política aos olhos do planeta, um orgulho para o país tal comportamento civilizado da classe média alta, aprovado em várias pesquisas de opinião.

O que alivia tamanha dor da “classe dominante” é que tudo foi dito antes pela imprensa, que diga-se de passagem, foi imparcial e procurou mostrar, a todo instante os legados deixados por este campeonato. Assim cidadãos esclarecidos e polidos puderam abrandar imensa decepção, porque o povo não tava nem aí para as seleções e turistas internacionais, foi indelicado e insensível com os estrangeiros, tratou-os mal, desprovido de qualquer sentimento de hospitalidade e cordialidade, foi frio e indiferente.

Mas o que salvou esta copa do mundo foi a atuação da seleção brasileira!

Que maravilha de atuação nos gramados canarinhos, o povo nunca havia sentido tanta glória com um escrete tão encantador e revolucionário no seu modo de jogar.

Se a organização falhou e nos expôs maliciosamente ao mundo e trataram de nos recolocar no nosso devido lugar subalterno, foi o futebol quem nos trouxe um pouco de alegria e tornou mais leve tanto padecer após sucessivos revezes fora dos campos.

A amarelinha, comandada com brilho excepcional por Felipão e Parreira e com um suporte altamente qualificado da CBF, foi responsável por tornar esta copa inesquecível para o brasileiro.

A vergonha fora dos estádios foi suplantada pela inquestionável superação e capacidade técnica dos profissionais envolvidos dentro das quatro linhas.

Felipão saiu fortalecido com o título invicto e com goleadas históricas contra adversários outrora poderosos e hoje decadentes, como Holanda e Alemanha. O comandante brasileiro, fã de Pinochet, foi procurado pelo PSDB para apoiar seu candidato e catapultá-lo à vitória nas eleições, coisa que a CBF, ungida pela felicidade do povo pela conquista, já fizera antes do mundial iniciar.  Tais apoios, dizem infalíveis especialistas políticos, como Fernando Rodrigues e Rodrigo Constantino, podem fazer Aécio vencer em primeiro turno.

E salve a seleção brasileira e seu encantador futebol.

A imprensa estava certa, não?

Afinal, como disseram os porta vozes da mídia predominante, com bastante antecedência, a organização da copa do mundo estava marcada para nos envergonhar como nação, mas a seleção brasileira, esta sim um primor, estava preparada para ser bem sucedida e vencer com autoridade a copa, provocando uma onda gigantesca de felicidade aos brasileiros.

Os formadores de opinião não falham, assim como a seleção da CBF…

E foi o que ocorreu, não foi?

Só que não…

Esta foi a copa das copas, a seleção naufragou, porque seus modelos, de gestão ou de jogar, são arcaicos e seus dirigentes representantes do atraso e do que há de pior na política do país.

Nas ruas e na organização a copa foi um sucesso arrebatador. Valeu Brasil, pelo desmentido contundente aos mensageiros do fracasso e aos desbocados e deseducados vips das arquibancadas.

 

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4 comentários em “Copa das Copas: a ironia do avesso das previsões catastróficas

  1. E aí PIG (Partido da Impressa Golpista) Chupa essa. KKK…

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  2. Gideone
    13/07/2014

    compartilhei esse texto em vários grupos e está sendo um sucesso, muito bom! o nome do site foi junto. pergunto se não tem problema ?

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  3. Pingback: Copa das Copas: a ironia do avesso das previsões catastróficas | A Estrada Vai Além Do Que Se Vê

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