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Pessimismo vão: o Brasil é de todos, seus problemas também

O descolamento da realidade e o alto teor de egoísmo e mesquinhez é capaz de gerar imagens como esta

O descolamento da realidade e o alto teor de egoísmo e mesquinhez é capaz de gerar imagens como esta

O que é esta onda de revolta e pessimismo (de parte da classe média tradicional)  que assola as redes sociais e o dia a dia das pessoas?

Porque este, definitivamente, não é um sentimento compartilhado pela maioria do povo, a imensa parcela da população brasileira está sendo disputada ferozmente por quem se cansou “tudo isto que está aí”.

O Brasil avançou significativamente, econômica e socialmente, isto não é uma afirmação deste blog, mas de organismos nacionais e internacionais.  Os índices de pobreza extrema, de desemprego, de renda e da educação, por exemplo, melhoraram nos últimos 10 anos, quem afirma o contrário o faz por questões de fundo político.

Este país tem um déficit social monstruoso, de séculos de exploração e abandono, que apesar de atenuado, não foi resolvido e nem será nos próximos anos, muito ainda há a ser feito, algumas políticas públicas precisarão ser melhoradas e a representatividade social na política necessita ser aprimorada.

As mudanças trazem consigo conflitos, inevitavelmente, de classe.

A classe média que denunciava um país miserável e apontava a saída pela esquerda em um passado recente, hoje, em parte, aliou-se ao que há de mais retrógrado para reivindicar total atenção do governo às suas demandas e, ao mesmo tempo, condenar programas sociais como o Bolsa Família, como se uma coisa devesse excluir a outra.

Afinam-se no discurso anticorrupção e tentam apropriar-se de uma cobrança que é de todos os cidadãos de bem. Afinal quem quer corrupção, senão corruptos e corruptores? É o discurso do óbvio.

E de onde vem os corruptos, políticos ou não? E os corruptores, em geral agentes do setor privado em busca de vantagens pessoais ou corporativas à margem da lei?

Os malfeitores vem da sociedade, em boa parte do seio dos mais ricos, não são extraterrestres, são parte daquilo que aceitamos como valores éticos, culturais e morais.

O cidadão que prega a pena de morte para delitos cometidos por menores infratores, principalmente quando pobres e negro, é o mesmo que solicita vários “recibos” médicos para não pagar o imposto que deve. Sonegação esta que faz falta ao Tesouro para aplicar em programas educacionais que atendam ainda mais jovens pobres das periferias.

Aquele que lista uma enorme relação de motivos para ser melhor remunerado em seus bons empregos e o faz com justiça seus pedidos, pouco se lixa se o que paga a sua empregada doméstica é digno de ser considerado salário pelo o trabalho que é executado. Esquiva-se ao reclamar que o mínimo é muito alto, para justificar não ter que pagar mais.

E o que falar de quem faz pregações veementes contra a corrupção em reuniões sociais, mas quando flagrado descumprindo leis apela para a tentativa de subornar agentes da lei?

Esta parcela da classe média que crê que o Brasil não presta e sonha em morar nos Estados Unidos ou na Europa, que responsabiliza a falta de educação dos mais pobres pelos problemas do país, porque não seguem seus conselhos na hora de votar, estes mesmos nada tem a propor de melhor aos brasileiros neste momento.  Simplesmente revoltam-se contra o reflexo de suas próprias almas mesquinhas e egoístas, que negam possuir. Estão diante do espelho e não se reconhecem.

O Brasil é de todos nós, brasileiros. Para o bem ou para o mal.

Não há como aceitar os argumentos de grupos sociais, que de lá do conforto do topo da pirâmide social, apontam os culpados e não se incluem no problema.

O brasileiro não pode querer avançar pela perigosa via do ódio de classe, da falta de justiça ou pela máxima mesquinha do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.  Somos um povo solidário e fraterno, em sua maioria.

O problema do Brasil não reside apenas na má política e seus fazeres delituosos, que precisam ser rejeitados e a política reformada, isto é reflexo de uma parcela considerável da sociedade que age hipocritamente, pois se no público condena desvios, no privado se farta de cometê-los, mesmo que pequenos, mas a cada dia.

A intolerância à violência e à corrupção precisam se situar no mesmo nível que a intransigência à desigualdade social, ao racismo, à fome e à falta de oportunidades iguais para todos.

O Brasil é um país de todos, eximir-se de culpa das mazelas que ainda persistem, é ato contínuo de insídia, só o protesto ou a lamúria não apontam saídas necessárias.

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Um comentário em “Pessimismo vão: o Brasil é de todos, seus problemas também

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