Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Credibilidade: a lista de Felipão e os “técnicos” dos presidenciáveis

O banqueiro, o acadêmico e o 'investidor". Quem tem os melhores resultados para ganhar a confiança do eleitorado no discurso econômico dos candidatos ao Planalto?

O banqueiro, o acadêmico e o “investidor”. Quem tem os melhores resultados para ganhar a confiança do eleitorado no discurso econômico dos candidatos ao Planalto?

O técnico da seleção brasileira de futebol, Luiz Felipe Scolari, convocou os 23 jogadores com quem conta para vencer a copa do mundo no Brasil.

Um ou outro nome podem ser contestados, mas o que está na lista não surpreende pela trajetória do time canarinho sob seu comando. Vai haver quem goste ou desgoste, mas em geral o brasileiro vai torcer pelo seu sucesso, respaldado pelos bons resultados alcançados ultimamente, principalmente a conquista da Copa das Confederações no Maracanã em 2013.

Retrospecto é muito importante para determinar a confiança, tanto em um time de futebol quanto em um técnico.

Conquistas e resultados expressivos não podem ser desprezados no comando de um bom time.

Este post não pretende falar da lista da seleção brasileira ou de Felipão.

A analogia é feita para, de maneira sucinta, apresentar os “técnicos” que orientam os times dos candidatos a presidência.

Retrospecto, como dito antes, é fator importante para ganhar a confiança do público e poder vislumbrar novas conquistas.

Pois bem, os candidatos ao Planalto já apresentaram nomes importantes da equipe que os assessora, mas a figura de destaque, devido ao manancial de noticias sobre a economia brasileira na mídia, é a do economista, aquele que norteia os programas de governo dos postulantes.

Aécio Neves já afirmou que pretende, em uma administração tucana, convidar Armínio Fraga para o ministério da Fazenda.

Fraga, para quem não se lembra, mas queira dar-se ao trabalho de pesquisar no onipotente Google, foi presidente do Banco Central de FHC e responsável pelos juros mais altos praticados desde o plano real, chegando a a taxa Selic a estratosféricos 45% ao ano sob sua gestão.

E não é só isso o que assusta [ao trabalhador, pois o sistema financeiro sente arrepios de saudades dos tempos dos juros altíssimos].

Em recente entrevista ao Estadão, o coordenador da área econômica do time de Aécio, afirmou, categoricamente, que o salário mínimo, e, consequentemente, os demais salários, estão muito altos, dando a entender que é preciso conter tais avanços.

O mercado se agitou e reagiu bem a afirmação de Fraga.

O trabalhador talvez não saiba, porque a informação não ganhou destaque no Jornal Nacional, mas penso que se soubesse reagiria muito mal a esta postura arrogante e enviesada de Fraga, de culpar salários e não lucros exorbitantes, pelo o que considera descaminho da economia.  Os lucros dos bancos crescem, sem contenções, nem por isso o economista chefe da equipe tucana acha que precisam ser aparados.

Veja você mesmo a declaração no vídeo disponibilizado pela TV Estadão no Youtube:

Eduardo Campos e Marina Silva são muito próximos da família Setúbal, controladora do maior banco privado do Brasil, o Itau, Maria Alice Setúbal é uma das maiores apoiadoras do partido Rede.

Segundo publicado pela Infomoney, Campos teria afirmado que desejaria Roberto Setúbal, presidente do Itau, como ministro da Fazenda de seu governo.

Um banqueiro assumindo o posto mais importante que dita os rumos da economia de um país? O candidato do PSB não disfarça que seu propósito é passar uma mensagem conservadora ao mercado e tentar angariar generosos apoios do sistema financeiro.

Nunca é demais lembrar que quanto mais a alta for a taxa Selic,  pior para o país, e melhor para os credores da dívida pública, em grande parte os bancos privados.

Imaginem que aquele que coordena a política econômica e define seus rumos poder beneficiar seus próprios negócios e os de seus pares com a adoção de taxas de juros mais conservadoras [altas].  Ou seja, tira dinheiro do Estado brasileiro com uma mão e pega com a outra mão, a do setor privado, no mesmo balcão!

Dilma Roussef tem como titular da Fazenda Guido Mantega, economista com doutorado em Sociologia, o ministro de maior longevidade na pasta em toda a história. Suas credenciais não se limitam ao tempo que responde pela economia brasileira ou a sua extensa formação docente.

Mantega é também o ministro, em tempos de democracia, que manteve os índices inflacionários e o crescimento do PIB, combinados de forma saudável.

A inflação ao longo dos últimos oito anos esteve dentro da meta e com a menor média desde a redemocratização dos país em 1985.

Os gráficos a seguir comprovam o controle inflacionário e o crescimento da economia:

Inflação dentro da meta desde 2004

Inflação dentro da meta

 

Entre 2006 e 2013 média de crescimento da economia foi muito boa, excetuando-se o ano de 2009 quando estourou a crise mundial

Entre 2006 e 2013 média de crescimento da economia foi muito boa, excetuando-se o ano de 2009 quando estourou a crise mundial

Somam-se a isto ajuste fiscal moderado, com diminuição constante da relação dívida pública/PIB e câmbio estável.

Maior redução da desigualdade social do Brasil ao longo de sua história e a projeção do PIB brasileiro ao posto de sétima maior economia do planeta.

Se retrospectos são importantes apresentações para quem se credencia a algo, Dilma tem larga vantagem na área econômica sobre seus oponentes, Aécio e Campos.

Os bons resultados alcançados por Mantega e toda a área econômica do governo são pilares importantes no jogo eleitoral que se desenrola no momento e sobre aquele se projeta até outubro.

Ter mantido um acadêmico na Fazenda retirou as pressões por vantagens e privilégios do setor financeiro, como teria um ministro “colega” dos banqueiros.

As pressões inerentes ao cargo, estas se mantém, qualquer que seja o ocupante da pasta, como as cobranças da sociedade e do setor produtivo sobre o controle da inflação, crescimento da economia, câmbio e taxas de juros.

Nestes aspectos Mantega tem o que mostrar de positivo e se coloca como fiel da balança na elaboração e formulação do discurso econômico para as eleições de outubro e de um futuro governo.

Dilma é quem tem o craque no time, os demais flertam com possibilidades pouco confiáveis.

Anúncios

2 comentários em “Credibilidade: a lista de Felipão e os “técnicos” dos presidenciáveis

  1. Pingback: Superar o neoliberalismo é urgente | Palavras Diversas

  2. Esta matéria é excelente, pois elucida um perfil de candidatos, mostrando sua preocupação com desenvolvimento do Brasil, onde quem faz com que a economia de um país se desenvolva é a classe média, e assim quem o fez com uma gestão econômica esplêndida foi Guido Mantega; onde todas as suas atitudes na área econômica foram visando o aumento e o fortalecimento da classe média em nossa sociedade. E eu tenho certeza que o povo brasileiro sabe disso.

    Curtir

Deixe aqui seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Democratização da mídia, apóie!

Seja amigo do Barão!

Digite seu e-mail para seguir este blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 3.452 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: