Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Mercado especula com cenário eleitoral: Tá ruim para quem?

Em 2002 o mercado gerava expectativas de que uma vitória de Lula quebraria o país. Inflação, dólar e risco país dispararam. Com a vitória do petista, o mercado acomodou-se com a nova realidade. Ocorre que todos os índices que cresceram foram por conta da inépcia do governo tucano e irresponsabilidade fiscal de FHC em ano eleitoral

Em 2002 o mercado criava expectativas de que uma vitória de Lula quebraria o país. Inflação, dólar e risco país dispararam, chegando a 2400 pontos em setembro daquele ano. Com a vitória do petista, o mercado acomodou-se com a nova realidade e recuperou-se rápido e alcançou recordes positivos, hoje risco país é 210

O mercado tem se agitado ultimamente nas vésperas de divulgação de pesquisas eleitorais e boatos lançados de possíveis quedas dos índices de Dilma provocam ondas especulativas na Bovespa com possibilidades de ganho de curtíssimo prazo. Nada muito diferente do que o que foi tentado em 2002.

O mercado de ações costuma criar expectativas de ganhos (ou perdas) com determinados cenários criados no curto/médio prazo, não se confirmando tais previsões a bolsa de valores tende a se acomodar e explorar a realidade consolidada.

Assim foi em 2002, no início daquele ano com Lula liderando todas as pesquisas, especialistas da área econômica lançavam prognósticos sombrios caso o petista vencesse.  Atribuíam a Lula o dólar a R$3,99 e o risco país batendo recorde de 2400 pontos!

Era Lula subir e a ladainha voltava a mídia com força para assustar o eleitorado e contaminar o ambiente econômico e político.

Pois bem, Lula venceu e o dólar e o risco país caíram, paulatinamente até chegar ao piso de 137 pontos em 2007, recorde histórico de confiança no Brasil!

O dólar hoje vale bem menos que em 2002, R$2,20, o Brasil tem reservas internacionais de cerca de US$370 bilhões.  O quadro de terror econômico desenhado pelos agentes do mercado não se confirmou, mas quem apostou no curto prazo ganhou bastante dinheiro. Não muito diferente do que está ocorrendo no momento, com fortes ações especulativas para tentar firmar um cenário futuro favorável a grupos econômicos, mas também ganhar bastante dinheiro com a volatilidade do mercado de ações no presente.

A cantilena atual é similar a de 2002: com Dilma o mercado quebra; Dilma é intervencionista; Governo traz insegurança aos investidores.

Mas a verdade é que os números da economia são bem diversos do que aqueles que os donos do capital vendem aos investidores.

O mercado segue negociando cerca de R$7 bilhões diários na Bovespa e os investimentos estrangeiros são significativos, colocando o Brasil entre os principais destinos do dinheiro que aciona o setor produtivo no mundo.

A pergunta é: Tá ruim para quem?

Não, com certeza, para a maioria dos brasileiros que vivem do suor de seu trabalho.

Mas não somos nós que dizemos isso, é o cenário vigente.  O país não cresce com vigor, mas se desenvolve em um nível acima dos países em desenvolvimento ou das nações mais ricas do planetas, com um comportamento saudável, invejado por povos de vários países: gerando mais empregos e renda.

Desde 2009 o mundo ainda sente os reflexos da maior crise do capitalismo desde 1929, para se ter uma ideia, apenas superficial, deste fenômeno, segundo levantamento da Organização Internacional do trabalho (OIT), publicado pelo EstadãoA crise financeira iniciada em 2008 expulsou do mercado de trabalho 62 milhões de pessoas no mundo e, hoje[2014], 202 milhões de pessoas estão desempregadas, o equivalente a um Brasil inteiro. Enquanto isso, uma elite composta por apenas 85 indivíduos controla o equivalente à renda de 3,5 bilhões de pessoas no mundo.” Um escárnio! Como comparação, no mesmo período o Brasil gerou quase 12 milhões de empregos formais!

Lula disse que a crise por aqui seria uma marolinha e foi ridicularizado por sua declaração, mas o tempo mostrou quem estava certo.

Apesar do crescimento da economia em ritmo menor do que o experimentado entre 2004/2007 e o espetacular ano de 2010, o país preserva a classe média e os mais pobres de ter que pagar a conta da crise lá fora.

Não há arrocho salarial, nem ataque aos direitos trabalhistas, tampouco aperto fiscal com aumento de impostos, muito pelo contrário os incentivos ou renúncias fiscais do governo central alcançaram a marca de R$170 bilhões em 2013.

A pergunta precisa ser refeita: Tá ruim para quem?

O grande capital e o sistema financeiro querem mais do que já tem, vislumbram taxas de juros exorbitantes e centenas de bilhões de reais a mais provisionados no orçamento da União para pagar os juros da dívida pública.

Não é que esteja ruim para o empresariado em geral, muitos setores aumentaram seus lucros, mas alguns não se contentam com o que já abocanharam, querem muito mais, não por acaso sentenciam a “inevitável” alta dos juros, que só beneficia aos credores do Estado…

O mercado diagnostica uma rígida política de corte de gastos e investimentos públicos e redução da massa salarial do trabalhador, a começar pelo fim da valorização do salário mínimo, o que contaminaria as negociações salariais das demais categorias. Daí seria o começo para jorrar mais dinheiro nas contas internacionais de alguns bilionários brasileiros.

Este governo não lê esta cartilha recessiva, por isso o mau humor destes agentes com Dilma, já a oposição se propõe a seguir qualquer ideário para ser aceita como porta voz do grande empresariado, a fatia mais rica e poderosa deste estrato social.

Apresentaremos aqui alguns dados que confirmam a pujança de nossa economia e as saudáveis condições para seguir crescendo com distribuição de renda, de maneira mais justa.

  • Acordos salariais: entre 2003 e 2012 quintuplicou o número de acordos coletivos de trabalho em que houve ganhos acima da inflação, conforme é possível conferir AQUI, em painel do Dieese, quanto mais colunas azuis em cada ano pesquisado, melhor o resultado para o trabalhador;
  • Valorização do salário mínimo: desde 2003 o menor salário pago no país tem crescido acima da inflação e influenciando, positivamente, os acordos de categorias que recebem acima do piso nacional, os gráficos abaixo, do Dieese confirmam esta política:
Salário mínimo em valor real atualizado é o maior

Salário mínimo em valor real atualizado é o maior desde 1984!

O salário mínimo atual compra mais

O salário mínimo atual compra mais que o dobro de cestas básicas do que o de 1995, o segundo ano do plano real!

Desde 2003 os reajustes do salário mínimo tem sido acima da inflaçaõ

Desde 2003 os reajustes do salário mínimo tem sido acima da inflação

E tem mais, segundo levantamento do Portal Brasil, o valor em dólar do salário mínimo em 2002 (US$64) era quase 5 vezes menor do que o que está em vigor (US$303)!

  • Redução da desigualdade: a política de valorização do salário mínimo combinada com os programas sociais de transferência de renda, como o Bolsa Família, fizeram o país dar um salto na redução da desigualdade. Por outro lado, constatamos, com tristeza, que se não fosse o golpe militar que instaurou uma ditadura de 21 anos em 1964, o quadro econômico e social do Brasil hoje seriam ainda melhores.  Foram 4 décadas perdidas sob políticas recessivas e concentradoras de riquezas. O índice Gini que mede a desigualdade social de um país, somente em 2010 alcançou os valores obtidos em 1960:
  • índice GINI

    O ápice da desigualdade foi alcançado durante os dois governo de FHC, que colocou em prática medidas duras e impopulares, como aumento das tarifas públicas, privatizações e arrocho salarial

  • Redução do desemprego: em total acordo com os dados mostrados, o Brasil atravessa o melhor momento do emprego, praticamente classificado como país de pleno emprego.  O índice de desemprego de março foi o mais baixo para o mês desde o início da série histórica iniciada em 2012, marcando 5,4%.
Um estudo apontou que desde o governo Sarney, foi durante período neoliberal do PSDB que os índices de desemprego mais cresceram e alcançaram recordes negativos

Um estudo do IBGE apontou que desde o governo Sarney, foi durante período neoliberal do PSDB que os índices de desemprego mais cresceram e alcançaram recordes negativos. A pesar da mudança de critérios da pesquisa em 2002, Lula foi quem mais fez o desemprego recuar

As taxas médias anuais vem caindo, ano após ano, com incremento da renda do trabalhador, desde 2003, sinal inequívoco do acerto das políticas públicas para aquecer o mercado de trabalho

As taxas médias anuais vem caindo desde 2003, ano após ano, com incremento da renda do trabalhador, sinal inequívoco do acerto das políticas públicas para aquecer o mercado de trabalho

  • Criação de empregos com carteira assinada: no período de 2003 a 2013 foram criados quase 18 milhões de empregos formais. Segundo o Ministério do Trabalho acumulado de 2014  mostra um acréscimo de 344.984 empregos (+0,85%), resultado superior ao verificado no mesmo período de 2013 ( + 306.068 empregos).

    Durante os 8 anos de mandato de Lula foram gerados mais de 13,4 milhões de empregos, com média anual de 1,68 milhões. Dilma gerou até 2013 4,52 milhões de empregos com carteira assinada, com média de de 1,51 milhões/ano

    Durante os 8 anos de mandato de Lula foram criados mais de 15,5 milhões de empregos, com média anual de 1,93 milhões. Dilma gerou entre janeiro de 2011 e março de 2014 4,86 milhões de empregos com carteira assinada, mais de 20 milhões de empregos formais gerados em 11 anos

  • Geração de empregos formais: Somente em 2007 o número de trabalhadores com carteira assinada no Brasil ultrapassou a barreira dos 50%. Em 2003 Lula recebeu o país em que o trabalho formal representava apenas 43% do total de empregados. Em 2009 este número saltou para 54% de pessoal empregado com direitos previstos na CLT.  A PNAD do IBGE ressalta que a média de formalização do trabalhador brasileiro nos anos a 1990 situava-se na média de 44%, parte disso devido às políticas recessivas e ao alto desemprego.

Estes são apenas alguns dos dados que atingem diretamente o trabalhador brasileiro e podem ser encontrados na internet e em órgãos oficiais.  O Brasil é referência em políticas de transferência de renda mundo afora e foi um dos países que mais empregou em 2013, enquanto o planeta fechou 5 milhões de postos de trabalho.

É verdade também que o país necessita avançar e muito ainda em saúde e educação, continuar investindo em infraestrutura, mas não podem ser ignorados os avanços obtidos nos últimos 11 anos.

Logo não há razão para toda esta onda de pessimismo e catastrofismo pregada pelo mercado, o empresariado também obteve ganhos importantes neste período.

Agora se há descontentes, e isto é natural em qualquer governo, a maioria que se move pelo caminho do “quanto pior, melhor”, parece fazê-lo por questões de cunho eleitoral.

O brasileiro comum quer mais, quer continuar mudando, mas parece indicar que não retroceder de onde está, quer continuar por este caminho, exigindo mais, daquilo que é seu de direito.

Rentistas e agentes do grande capital internacional não prezam por oportunidades para todos, Portugal e Espanha são provas disso, reclamam ganhos muito maiores para eles, o que só faz aumentar a desigualdade e concentração de riqueza.

E aí, como é que fica, depois de algumas informações relevantes sobre o quadro social e econômico do Brasil?

Tá ruim para quem?

Para o pessimista profissional…

*Em tempo: durante o XIV Encontro Nacional do PT, Lula foi enfático ao dizer que é preciso combater a desinformação sobre um país que tem excelentes números na economia e que tem sido exemplo mundo afora no combate às crises sociais, mas que é sonegado, escondido ou distorcido por quem tem esses dados, mas se recusa a informar a sociedade sobre um Brasil que tem dado certo e bombardeia, diariamente, a população com noticiário negativo e pessimista.

Um comentário em “Mercado especula com cenário eleitoral: Tá ruim para quem?

  1. Então me respondam: Tá ruim pra quem?

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