Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

#SomosTodosOque?: racismo e oportunismo nas redes

No doce mundo das celebridades as mazelas da sociedade se resolvem com campanhas de marketing para proveito próprio... Acreditam que conscientizam a sociedade sobre questões importantes comercializando produtos

No doce mundo das celebridades as mazelas da sociedade se resolvem com campanhas de marketing para proveito próprio… Acreditam que conscientizam a sociedade sobre questões importantes apenas comercializando produtos

Umas palavrinhas: o ato xenófobo-racista dos torcedores espanhóis contra o jogador de futebol brasileiro, Daniel Alves, tomou conta das redes sociais na última semana.

Mas os desdobramentos soaram tão mal quanto a ignorância dos agressores do jogador brasileiro.

Logo o “movimento” #somostodosmacacos foi apropriado por ricos e celebridades, que costumam reduzir questões importantes  a frases de efeito e campanhas de marketing.

Em geral, salvo exceções, são pessoas que não compreendem este fenômeno, muitas vezes costumam desqualificar opiniões especializadas que apontam casos concretos de preconceitos, social e racial, disseminados pelos meios de comunicação que lhes empregam ou que lhes dão generosos espaços para falar sobre tudo, com conhecimento sobre nada.

Zeca Baleiro foi bastante feliz em expressar sua opinião sobre o oportunismo de quem acha que capitalizando sobre um fato vá esclarece-lo e conscientizar seus próprios pares…

Confira:

“Soou profundamente infeliz a meus olhos (e ouvidos) a tag #somostodosmacacos, lançada por Neymar e a agência de publicidade Loducca, e urgentemente capitalizada por Luciano Huck em forma de camisetas logo postas à venda, após o igualmente infeliz episódio da banana envolvendo o jogador brasileiro Daniel Alves na Espanha.

Duplamente infeliz, eu diria, porque antes de tudo corrobora de forma burra o argumento dos racistas (de que “negros se assemelham a macacos”), depois porque, a julgar verdadeira a tese de Darwin, o slogan presume e sugere um retrocesso de pelo menos alguns milhões de anos. Sim, porque, se viemos mesmo dos macacos, é certo também que evoluímos a um ponto altíssimo, o ponto de aprendermos incríveis capacidades, legadas apenas a humanos (até onde se sabe), como fazer arte, escrever livros, criar campanhas antirracistas, apresentar programas de tv e jogar futebol. E também de aperfeiçoá-las ao máximo e colocá-las a serviço da vileza (“escrotidão” talvez fosse mais apropriado), do cinismo e do arrivismo mais desbragado.

Os idiotas consumistas têm um fetiche: querem ser update, estar na “crista da onda”, como se dizia no tempo em que eu era jovem e o mundo um inferno um pouco menos inóspito e mais poético. A massa ignara certamente comprará milhões dessa estúpida camiseta, mas não tenho dúvidas: #somostodosbabacas seria mais adequado.”

Zeca Baleiro

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4 comentários em “#SomosTodosOque?: racismo e oportunismo nas redes

  1. Sandra! Brilhante a conclusão de seu comentário! Nem Grego nem Troiano, pau nos dois!

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  2. Racismo é como bosta…quanto mais ficarmos banalizando mais ele será praticado…com a bosta é assim: quanto mais olhamos para ela, mais ela nos enoja. Consideremos o seguinte: Persegue-se de várias maneiras os CARECAS, BARRIGUDOS, LOIRAS DE LABORATÓRIO, JUDEUS, TURCOS, ESCOCESES, estes 3 últimos pela “pão duragem”, persegue-se tudo quanto a Sociedade acha que deve ser perseguido. O Policial é chamado de “Cana”, “Meganha”, o Funcionário Público é chamado de Barnabé. Nenhum deles gosta ou agradece os tratamentos que recebem, assim como é justo que quem tem a pele escura não tem que gostar de ser chamado de MACACO. Que tal nivelarmos estas questões e darmos da todos um tratamento justo? Racismo (brigas étnicas) é quando se nega o direito de uma pessoa, devido a sua raça. Na África, desde os tempos do Tráfico negreiro e provavelmente bem antes, há as disputas Étnicas, africanos combatendo africanos. Isto é menos racismo? Tenho 63 anos e neste tempo todo sempre convivi com as piadinhas sobre os tipos acima descritos, mas nunca convivi com racismo, talvez por ser uma morador da periferia, morando em cortiços, favelas, bairros pobres. QUETAL RIRMOS DOS BRASILEIROS, QUE DESCONHECENDO OU ESQUECENDO QUE É FRUTO DE UMA MISCIGENAÇÃO (BRANCOS, ÍNDIOS E NEGROS), QUE ACHAM QUE PODEM SER RACISTAS!!!

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  3. Sandra Lucia
    03/05/2014

    Não creio que a atitude do Neymar, dos marketeiros e demais celebridades ou não, tenha sido oportunista ou inconsequente, mas acredito que muita vez somos capazes de um tipo de julgamento fundamentalista que, tb em nada colabora com o que pretende defender. A vida me ensinou e continua a ensinar que devemos nos manter o máximo possível distantes de dois extremos: o ser carrasco e o ser vítima, enfim…

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  4. Muito belo esse texto, falando da estupides oportunista de Luciano Hulk (o eterno garotão) sobre banalizar um fato tão repugnante e pobre de espirito como o racismo. Mas só que descordo de uma coisa meu caro Zeca Baleiro, nós não evoluímos do macaco e sim fomos feito por Deus sua imagem e semelhança, assim sendo é que temos o poder de criarmos e “fazer arte, escrever livros, criar campanhas antirracistas, apresentar programas de tv e jogar futebol”. Eu creio sempre oque diz a Bíblia em Provérbios 12. versículo 14: “Você será recompensado pelas coisas boas que disser e receberá de volta aquilo que fizer”.

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