Palavras Diversas

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Sem regulação, a grande imprensa é uma máquina de vilanias editoriais

Um dos maiores jornais do Brasil, com recursos humanos e financeiros suficientes para apurar matérias com qualidade exmplar, foi capaz de colocar na capa uma ficha falsa de uma candidata a presidencia. Onde? No Brasil e nada aconteceu para este jornal, a não ser a perda de credibilidade...

Um dos maiores jornais de um país, com recursos humanos e financeiros suficientes para apurar matérias com qualidade exemplar, foi capaz de publicar na capa uma ficha falsa de uma candidata a presidência. Onde? No Brasil e nada aconteceu para este jornal, a não ser a perda de credibilidade…

Os grandes jornais impressos do país possuem uma seção para corrigir erros publicados em suas edições.

O “erramos” nunca tem o mesmo espaço que foi concedido ao “erro”.

Direitos de resposta não são prerrogativas respeitadas aos ofendidos, caluniados ou difamados pela imprensa brasileira, mesmo após ingresso na justiça, anúncios costumam demorar tempo demais para reparar ataques a honra e tentativas de assassinatos de reputação.

Da mesma forma que as correções divulgadas nas seções de erros são escondidas em cantos de páginas, os direitos de resposta não são publicados com o destaque idêntico à da injusta acusação impressa.

A imprensa destina espaços pouco nobres para reparar denúncias infundadas.

Algumas empresas de jornalismo se “defendem” da pecha de manipuladoras dos fatos porque contam com a figura de um ombudsman, meras figuras decorativas, sem poder algum para alterar a prevalente cultura de fabricação, indiscriminada, de escândalos editoriais.

E não é somente no noticiário político que isto ocorre.

Quem não se recorda do caso da Escola de Base, atacada pela Globo e repercutida pelas “coirmãs” da maior emissora de TV do país?

A justiça demorou 18 anos para restaurar a verdade:

“Dezoito anos atrás, os donos da Escola de Educação Infantil Base, na zona sul de São Paulo, foram chamados de pedófilos. Sem toga, sem corte e sem qualquer chance de defesa, a opinião pública e a maioria dos veículos de imprensa acusaram, julgaram e condenaram Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada, Mauricio Alvarenga e Paula Milhim Alvarenga.

Chegou-se a noticiar que, antes de praticar as ações perversas, os quatro sócios cuidavam ainda de drogar as crianças e fotografá-las nuas. “Kombi era motel na escolinha do sexo”, estampou o extinto jornal Notícias Populares, editado pelo Grupo Folha. “Perua escolar carregava crianças para a orgia”, manchetou a também extinta Folha da Tarde.

caso escola base mídia

Na esfera jurídica, entretanto, a história tomou outros rumos. As acusações logo ruíram e todos os indícios foram apontados como inverídicos e infundados. Mas era tarde demais para os quatros inocentados. A escola, que já havia sido depredada pela população revoltada, teve que fechar as portas.”

Na edição de notícias políticas esta prática tornou-se praxe, qualquer boato é disseminado com ares de verdade e logo torna-se um poderoso fato, com matérias repercutindo “novas” matérias, sem provas consistentes, informações são “colhidas” em off e, desta maneira, gera-se um imenso acervo condenatório disponível nas diversas mídias.

A reparação, quando prospera, acontece tardiamente, o estrago já foi causado e os danos já são irreversíveis.

Caro leitor, por que você acha que a grande imprensa “erra”, reiteradamente,  mas publica as “correções” destes erros em espaços discretos?

Seria para passar uma falsa impressão a seus leitores e audiência que o jornalismo que praticam é a prova de erros e que, por isso, seria a personificação mais pura da verdade, apesar de “errar” frequentemente?

O embate político não deveria o ser canal para discussão de uma nova legislação que regule os meios de comunicação?

Um governo que tanto apanha, mas sustenta uma imprensa que lhe é adversária ferrenha e, muitas vezes, inescrupulosa, não deveria ter medo do enfrentamento.  Dilma e o PT não podem permanecer reféns das editorias de ocasião da imprensa corporativa.

Os meios de comunicação prestam serviço público de comunicação, tem o dever de prestar informação relevante e fidedigna a sociedade.

A sociedade tem o direito de dispor de recursos para se proteger dos abusos que a imprensa possa cometer, os mecanismos legais que se dispõe já se provaram obsoletos e imperfeitos para condenar vilanias midiáticas.

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Um comentário em “Sem regulação, a grande imprensa é uma máquina de vilanias editoriais

  1. florencio1
    27/04/2014

    Republicou isso em Florencio1's Blog.

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