Palavras Diversas

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Vale tudo da direita em 2010: rede de boataria ecumênica [vai se repetir?]

Na reta final das eleições de 2010, o candidato tucano José Serra conseguiu montar um grupo ecumênico de propagação de boatos que denegriam Dilma Roussef. Recebi telefona e e-mail “denunciando” a petista por apoiar abortos e querer acabar com as religiões…

O texto abaixo é de outubro de 2010 e reflete muito bem o ambiente de terrorismo eleitoral, irrigado com muito dinheiro, que ninguém soube explicar ou averiguar de onde vinha, para forçar o segundo turno.

Cartas, panfletos, cartazes, e-mails, telefonemas disparados de empresas de telemarketing e missas e cultos com pregação anti-Dilma foram a tônica das duas últimas semanas antes do primeiro turno.

2014 não deverá ser diferente e expedientes como estes deverão se repetir.

Para quem acredita em vitória fácil, é sempre bom analisar que grupos políticos derrotados em sequência, tendem a agregar qualquer grupo que esteja disposto a ajudar no esforço contra um adversário em comum, não importando o que pregam, nem tampouco suas práticas.

Não me surpreenderei com a soma de setores fascistas aos fundamentalistas religiosos este ano, no outro lado da trincheira.

É o vale tudo eleitoral.

Confira o post:

O fundamentalismo religioso espreitando a livre consciência dos fiéis

O texto abaixo,  de João David Cavallazzi Mendonça, do Bloguilhéu, representa o desconforto de quem se sente incomodado com o patrulhamento religioso sobre a sua livre consciência para decidir o destino de seu país.
Representa, entre tantas outras coisas, o movimento de interferência que alguns setores evangélicos reinvindicam sobre o juízo de seus “rebanhos”, utilizando-se de expedientes pouco cristãos e, por demais, aéticos, para fazer valer duvidosas escolhas sobre o grupo.

Eleições presidenciais: os evangélicos e o mar de boataria

Caros irmãos
Não está fácil assumir ser evangélico nos dias atuais. Por causa de alguma perseguição religiosa? Não. Por causa dos próprios evangélicos.
Explico-me.
O que eu vejo acontecer dentro do território evangélico nestas eleições presidenciais tem me causado uma mistura de indignação, vergonha, constrangimento e nojo.
Não quero generalizar, é claro, mas fico impressionado com o alto grau de preconceito, de ingenuidade, ou – o que mais me assusta – com o alto grau de perversidade que tem marcado a participação de uma parcela evangélica no processo eleitoral.

Perturbo-me com a capacidade que um boato tem de se instalar e se propagar por entre as fronteiras evangélicas.
Poucas vezes vi tanta perversidade.
Maldade mesmo.
Ingenuidade às vezes. Será?
Um evangélico deveria ser prudente como uma serpente (Mt.10:16), e não a própria serpente. Descubro entristecido que em nosso meio há muitos que “aguçaram a língua como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios” (Sl.140:3).
Outros há que deixam-se ser picados por serpentes. E repassam o veneno.
Veneno impregnado de preconceito e cólera.

Dilma é lésbica. Espalham um e-mail possivelmente falso de uma suposta ex-amante. Ninguém consegue encontrar a mulher; o advogado citado no texto não existe, não tem nem registro na OAB. Não interessa, o importante é passar a informação adiante, verdadeira ou falsa.

Dilma disse em Minas Gerais que nem Cristo tira dela a vitória. Chuvas de mensagens repassadas com esta “blasfêmia”. Mentira. O jornal Estado de Minas, que faz parte do Grupo Diários Associados, informou que a suposta declaração não existiu. A candidata não teria dito aquela frase em comitê algum de Minas. Mas não interessa, o importante é passar a informação adiante, vedadeira ou falsa.

Dilma vai fechar as igrejas. Reedição da velha ladainha de tantos anos, desde que Lula foi candidato pela primeira vez. Com alta porcentagem do “voto evangélico”, elegeu-se Collor, que realizava sessões de umbanda nos porões da Casa Presidencial, e todos sabem o que aconteceu.
Dilma matou pessoas. Guerrilheira, pegou em armas, é uma pecadora da mais alta periculosidade. Informação fora de contexto, que só quem sabe o que é uma ditadura compreende. Mas a idéia de uma mulher terrorista cabe muito bem a quem quer impor medo aos incautos. E a claque evangélica aplaude, regozija, e passa adiante – e radiante – a informação. Mentira? Verdade? Não importa.

Dilma é a favor do aborto e dos homossexuais. Como se nenhum outro candidato fosse. Como se estivéssemos decidindo uma eleição para presbítero ou diácono. Como se Serra e Marina fossem missionários evangélicos lutando pela implementação dos preceitos bíblicos em cada casa no país. Como se não houvesse, em todos os partidos políticos, sem exceção, integrantes alinhados com causas sociais complexas, que alguns evangélicos insistem em reduzir ao simplismo de ser contra ou a favor. E aqui evangélicos unem vozes com a força retrógrada da CNBB, num raro ecumenismo contra um mal pior: a desigualdade social? não, o PT.
O PT é o representante do império da iniquidade. Sim, e os quinhentos anos de massacre da dignidade humana e injustiça social que vieram antes do PT foram o quê, o Paraíso?

Dilma é mulher, e não deve ter autoridade sobre o homem. Portanto, não pode ser Presidente. Não, não é piada, eu li isso de verdade, e fico constrangido em admiti-lo. Não é preciso comentar. Qualquer evangélico que concorde com esse pensamento obtuso certamente nem chegará comigo à leitura deste trecho – já me abandonou nas linhas acima.

Uma tal VINACC – Visão Nacional para a Consciência Cristã – da qual eu nunca havia ouvido falar, entra em ação e elabora uma “carta aberta para a sociedade brasileira”, “alertando quanto a votar nos candidatos dos seguintes partidos: PT, PCB, PV, PDT, PSTU, PC do B, PSOL e PCO.” A voz de comando é seguida a risca por alguns, tal qual mandamento extraído do Decálogo.

Pastores terroristas – muitos ligados a partidos de direita – vociferando de seus púlpitos ameaças e mais ameaças às suas apavoradas e perdidas ovelhas que não conseguem pensar por si mesmas, que no afã da busca pela liberdade em Cristo, encontraram a escravidão hipnotizante dos lobos vestidos com pele de cordeiro.

Não tenho problemas com quem vota no Serra por questões ideológicas, por juízo próprio, por diferenças de visão de mundo, por maneiras diferentes de entender o papel político, por programas de governo, por preferências partidárias, por convicções pessoais. Ao contrário, admiro quem tem opinião própria. Não brigo nem discuto com ninguém quando se trata de convicções político-partidárias – já fiz isso quando era mais jovem e não trouxe benefício algum. Aprendi com a maturidade – acho eu – a não defender político, porque amanhã eles certamente irão me decepcionar, fazer algo contrário ao que dizem hoje, e eu fico sem meus preciosos amigos que perdi nas discussões. Nenhum político vale o preço de uma amizade.

Meu problema também não é com os que, por razões pessoais, odeiam o PT e tudo que vem dele, independente do que seja. Nunca verão nada de positivo. Nenhuma possibilidade de abrandar suas críticas. Mas democracia é isto, estão todos no seu legítimo direito. E o partido, diga-se de passagem, oferece sua generosa parcela de contribuição.

Meu problema é com aqueles que, sob o disfarce de espiritualidade, exercitam o que há de pior no mundo das trevas, à base de blasfêmia, falsa acusação e calúnia.

Minha dificuldade é com aqueles que, sem perceber sua postura de ingenuidade e alienação, viram massa de manobra política nas mãos de líderes inescrupulosos.
E meu problema é com os que plantam e alimentam preconceitos, e não hesitam em lançar mão de meios desleais para impor suas convicções.
Não escrevo em nome de nenhum grupo evangélico.
Não recomendo voto a ninguém.
Tenho o meu voto. E gostaria muito que o respeitassem. Quero apenas ser livre para escolher conforme minha consciência, sem patrulhamento religioso, sem ter que nadar neste mar de boataria em que se transformou o meio evangélico nestes dias.

“A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá.” Provérbios 19:9

João David Cavallazzi Mendonça < Bloguilhéu >

Florianópolis – SC

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5 comentários em “Vale tudo da direita em 2010: rede de boataria ecumênica [vai se repetir?]

  1. Cláudio Ribeiro
    10/10/2010

    Rita seja bem vinda e se sinta a vontade para contribuir, criticar ou elogiar.
    Eu que agradeço sua companhia e a dos demais no Blog, que é de todos!

    À luta, porque só perde quem desiste de lutar.

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  2. Rita de Cássia
    10/10/2010

    Oi Claudio é um prazer imenso estar lendo os teus textos que para me é de uma grandiosidade,e conhecimento,chegui por aqui atraves do blog do Nassif,e já me tornei seguidora,como estou triste com o queta acontecendo com a politica no Brasil,já sabemos de outras eleições que aqui se costuma querer ganhar na base da sujeira,da baixaria mas como essas eleições eu ainda não havia visto.Não tenho religião sou atéu,mas respeito e adimiro quem a tem, costumo usar uma frase biblica para relatar o meu estado agora''conheci a verdade e ela me libertou'' e fico tão feliz quando encontro pessoas que levam adiante sua fé ,sem preconceito e diferênçãs,saiba que aparti de hoje você ganhou mais uma fã e admiradora dos teus textos.

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  3. tocha
    09/10/2010

    Hantora, pelo que li à respeito de suas palavras, dá para perceber nitidamente que vc, não tem conhecimento algum em relação à leitura, vc leu, leu, e não entendeu nada, falta-te conhecimento e discernimento, o texto acima, não se refere em momento algum sobre praticas de, bater bumbos, (umbandismo),vc foi bem agressiva em suas colocações, defendendo sua suposta religião. O autor aqui faz uma menção, sobre o meio no qual, dar-se-á, entender que é evangélico.Entendo que através das palavras do autor, ele as colocou, sentindo uma certa vergonha de seus irmãos de fé, pois, para nós crentes somente no nome de Jesus, o Nosso rei dos Reis e nosso Salvador, é extremamente louvável essa crítica e concordo com ele,líderes evangélicos que ontem apoaivam cadidato x, os mesmos que lançavam palavras torpes contra candidato(a) y, e hoje esses mesmos líderes apoiam candidato…, é vergonhoso. Por conseguinte, esses mesmos, criticavam publicamente, mas, hoje, não tem corajem de virem à publico pedir perdão, declarar que estavam errados à respeito de tal candidato(a),para nós isso é lastimável,sabe-se lá o motivo da mudança repentina, seja interesse político, barganhas,mas quer saber, é falta de discernimento e amor a palavra de Deus, portanto, não venha criticar uma pessoa que expos seu pensamento, e dizer que ele se esconde atrás de uma bíblia, conhecereis a verdade e a verdade te libertará. Ele apenas deseja que as pessoas votem sim, mas, não por interesses alheios, não por pressão, mas, por liberdadem, por ideais e a plena convicção de seus princípios, afinal, cada macaco no seu galho.

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  4. Cláudio Ribeiro
    08/10/2010

    Prezada hantora,

    Antes de mais nada quero reiterar que respeitamos todos os credos. Eu fui batizado na igreja católica, mas já visitei templos evangélicos, de umbanda e do kardecismo, sempre com respeito e reverência à fé do outro.
    O texto, como está apresentado, é um depoimento de um evangélico e suas questões a respeito do “cabresto eleitoral-religioso” que tentam impor em algumas igrejas evangélicas.
    De qualquer forma recebemos seu repúdio e respeitamos sua fé, não podemos nos responsabilizar pela confecção do texto, mas pela veiculação do mesmo. Creio, também, não ter sido o intuito do autor em desrespeitar qualquer que seja a manifestação religiosa dos leitores.

    Obrigado pelas suas colocações pertinentes.
    Este é um momento de união!
    Abs!

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  5. hantora
    08/10/2010

    Ia tudo muito bem no seu texto até que vc de forma leviana e carregada de preconceito agride a Umbanda, insinuando que o que aconteceu com O Collor foi por culpa do ritual.
    Evangélico não tem jeito mesmo, se esconde atrás da bíblia o tempo todo, porque pode pecar o quanto quiser que está salvo, coitados!!!
    Você é EX o quê??? Cometeu qual crime antes de se converter???

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