Palavras Diversas

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Aécio e o discurso revelador daqueles que votam com o fígado

Armínio Fraga, à esquerda, é da equipe econômica de Aécio Neves, juros altos são sua especialidade, assim como superavitis primários exorbitantes. Quem lucra com isso? Não é o povo, meus caros...

Armínio Fraga, à esquerda, faz parte da equipe econômica de Aécio Neves, juros altos são sua especialidade, assim como superavitis primários exorbitantes. Quem lucra com isso? Não é o povo, meus caros…É quem vota com o fígado!

Para uma plateia seleta de grandes empresários, Aécio Neves encheu-se de coragem e sob os olhares de seus gurus na política e na área econômica, FHC e Armínio Fraga, respectivamente soltou a frase que melhor define o que representa a candidatura do tucano: “Estou preparado para [tomar] decisões impopulares”.

O banqueiro André Esteves do banco BTG Pactual traduziu, em parte, esta frase: “aumentar as tarifas públicas”, para combater o “populismo” econômico de Dilma, conforme publicou a Folha de São Paulo.

Aliás, é preciso frisar que a audiência estava repleta de empresários do sistema financeiro, meio em que FHC é respeitado e que lhe rendeu um mimo generoso pela ocasião de seu aniversário de 80 anos, devoção de um amigo do peito [leia AQUI].

Mas é preciso dizer um pouco mais o que significa esta frase, a cerca de seis meses do primeiro turno das eleições.

Quem tem acompanhado o noticiário econômico, principalmente de dezembro de 2012 para cá, poderá comprovar que manchetes e análises pouco isentas da economia brasileira, geralmente feitas por ex-integrantes do governo do PSDB e que ocupam espaços midiáticos estratégicos na grande imprensa, que há uma crise nos rondando e que o país estaria à deriva, baseada em uma espantosa fragilidade dos indicadores fiscais e inflacionários.

O Brasil que a imprensa tenta forjar é o do fracasso, da crise econômica iminente e do caos.

O Brasil que acorda cedo diariamente e trabalha com afinco, desmente esta versão, reiteradamente.

Acontece que uma mentira repetida muitas vezes pode se transformar em verdade para alguns.

Dilma perdeu parte de sua popularidade por conta destes ataques ao país, isto não pode ser ignorado ou minimizado.

A frase de Aécio dirigida aos que votam com o fígado vai de encontro e completa a estratagema oposicionista político-midiática: fabricar um ambiente de descontrole na economia e, em seguida, oferecer a solução, “coincidentemente” durante o período pré-eleitoral.

Qual seria a “solução”?

Medidas impopulares!

Quais medidas seriam estas que o tucanato estaria disposto a praticar para “salvar o país”?

Esteves adiantou uma delas, aumentar tarifas públicas. Entende-se aí uma série de preços controlados, principalmente o da energia elétrica. Acham-na barata demais…

Mas há outras, que de tão impopulares, não podem ser faladas com tanta antecedência para o mais interessado e, também, pagador da fatura destas medidas, o povo brasileiro.

Aumento dos juros para frear a inflação, apesar desta estar dentro da meta desde 2004. E para isso ninguém melhor que Armínio Fraga que, quando presidente do Banco Central, elevou a taxa Selic a astronômicos 45%!

Esta medida é basilar para outras seguintes e alcançar os efeitos desejados para esfriar a economia, derrubar a oferta de emprego e, consequentemente, reduzir a renda do trabalhador.

Trocam-se salários altos dos empregados por juros mais altos e encarecimento do crédito, estariam dispostos os empresários do setor produtivo a aceitar tal ajuste? A experiência tucana foi esta e seus pensadores na área econômica continuam a defender esta receita.

E teria mais.  Corte nos investimentos em educação, saúde e infraestrutura, entre outros, para gerar mais recursos para pagar os juros da dívida pública, que apesar de estar em cerca 34% do PIB, seu nível mais baixo em 20 anos, seria dosada de maneira cavalar para aumentar o superavit primário e passar uma mensagem ao mercado de austeridade.

Uma medida por demais impopular, mas muito apreciada pelos banqueiros, maiores beneficiados de um corte deste tipo: retirar recurso do orçamento público para injetar nos cofres de bancos privados.

E não é só isso.

O enxugamento do Estado e a diminuição do setor público consta desta agenda nefasta.  Demissões, arrocho salarial e mais privatizações.  O modelo é este, o do estado mínimo regulador.

O que implicaria no momento seguinte, em um cenário de sindicatos enfraquecidos e trabalhadores ameaçados, com salários baixos e um mercado de trabalho diminuído, a pauta seria a imposição de leis que flexibilizem direitos trabalhistas, em nome de um projeto modernizante da economia para reforçar a “competitividade” dos produtos brasileiros no mercado interno e externo.

Não importa se conseguido a base de desemprego e queda da renda do assalariado, medida impopular é para ajustar o país para o “rumo [que consideram] certo”.

Além de outras não menos importante, penso que, baseado em tudo o que escrevem, entrevistas que concedem e declarações bombásticas como a do senador mineiro, os programas de transferência de renda seriam reduzidos drasticamente até serem extintos, paulatinamente.

O Bolsa Família não resistiria a um choque de gestão neoliberal, dinheiro é para irrigar os projetos empresariais, não para reduzir a desigualdade, segundo esta cartilha.

Este post não faz um exercício de futurologia, muito pelo contrário, emprega nesta análise os flagrantes pensamentos de quem está no núcleo da candidatura tucana e na prática de quando governaram o país entre 1995 e 2002.

Aécio foi sintético em suas intenções de agradar aos donos do capital: “Se o preço [das medidas] for ficar quatro anos com [índices de] impopularidade, pagarei esse preço. Que venha outro [presidente] depois de mim.”

O senador diz estar disposto a “pagar o preço” destas medidas, mas de fato, seria o povo quem pagaria, e muito caro, pela prescrição danosa do presidenciável tucano ao Brasil.

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2 comentários em “Aécio e o discurso revelador daqueles que votam com o fígado

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