Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

A reforma política é a lição que Cunha e sua turma merecem

Sérgio Cabral é apontado como um dos articuladores do cabo de guerra que parte do PMDB faz com  Dilma, acionado pelo deputado federal e líder do PMDB no Congresso, Eduardo Cunha

Sérgio Cabral é apontado como um dos articuladores do cabo de guerra que parte do PMDB faz com Dilma, acionado pelo deputado federal e líder do PMDB no Congresso, Eduardo Cunha

A tal “rebelião” do PMDB, comandada pelo deputado federal pelo Rio de Janeiro, Eduardo Cunha, inimigo de eleições democráticas e transparentes e, agora, também da liberdade de expressão na internet, segundo vários analistas tem como pano de fundo o desejo de Dilma e do PT de deflagrar uma ação que resulte em um chamamento a reforma política.

Isto contraria, severamente, interesses de setores do PMDB e também da oposição, que se garantem a cada quatro anos pelo poder econômico para serem eleitos. Políticos sem base, mas com bastante dinheiro para torrar nas campanhas.

Cunha é desse grupo.

Aliás, é bom que não se esqueça, o deputado federal peemedebista e da “tropa de elite” parlamentar de Sérgio Cabral, é figurinha carimbada em um dos maiores escândalos de caixa dois do Brasil: a lista de Furnas, confira AQUI.

A chantagem que o líder do PMDB, partido aliado do governo, tenta impor a Dilma é parte de um sistema político-eleitoral esgotado, que se baseia, muitas vezes, em um balcão de negócios e que alija o conteúdo programático das discussões que devem conduzir um governo.

Cunha faz um enorme favor a presidenta ao explicitar aos brasileiros seu apetite voraz e tornar visível, a olho nu, os costumes políticos que seu grupo está acostumado praticar.

À opinião pública é preciso relembrar que, a menos de um ano atrás, Dilma propôs um plebiscito para a realização da reforma política, para torná-las transparentes, democráticas e acessíveis a todos os grupos políticos participarem de pleitos em condições mínimas de oportunidades garantidas por lei.

Quem se levantou contra, lembram-se?

Cunha nos bastidores trabalhou para enterrar a proposta do governo, que oferecia mais representatividade política a sociedade, após um período de grandes manifestações que, entre bandeiras distintas e até opostas, clamavam pela reforma política.

E não foi só o  líder do PMDB que foi contra.

Algumas frases dos que condenaram o plebiscito:

José Serra, ex candidato a presidência da República pelo PSDB: “completamente fora da realidade…Isso não é coisa, me desculpe, para presidente da República fazer”.

Aécio neves, senador e presidente do PSDB: “Me parece muito mais a intenção de, mais uma vez, abster-se de suas responsabilidades e transferi-las ao Congresso Nacional. Me parece desnecessária, juridicamente duvidosa e perigosa essa iniciativa.” 

FHC: “As declarações da presidente são inespecíficas e arriscadas, pois, para alterar a Constituição, ela própria prevê como. Mudá-la por plebiscito é mais próprio de regimes autoritários”.

Coincidência? Não existe coincidência em política.  Cunha costurou com setores governistas que aderem ao governo por fisiologismo e à oposição, de quem já fora aliado no período de FHC.  Estes grupos mantém-se no Congresso a base de fartas doações privadas, muitas delas não contabilizadas.

O momento é delicado para a coalizão liderada pelo PT, mas penso que esta seja uma oportunidade ímpar para Dilma marcar território e estabelecer limites a estes grupos, dar uma lição pública aos assanhados lobos em peles de cordeiros.

Movimentos de embates entre aliados, como estes, ainda mais em períodos pré-eleitorais, costumam cobrar um preço alto e fomentar traições, mas também é certo que o povo brasileiro não vê com bons olhos quem chantageia e não pratica a política com respeito aos valores éticos mais caros ao país.

Quem perde, se mantida esta pendenga é Cunha e seu grupo.  O PMDB pode sair chamuscado pela ação kamikase de sua liderança.

Muitas pessoas foram às ruas e chegaram a cercar o Congresso Nacional em junho, porque não se sentem representadas e seus interesses são ignorados por partidos e um sistema político em crise. Pediram a renovação de sua estrutura e melhores práticas para sua condução.

Dilma conclamou sua base de apoio para atender este pedido do povo, meses atrás, mas foi vencida.

O momento é de novo oportuno, Cunha em seu desatino e baixeza política dá a oportunidade da presidenta de conclamar a sociedade pela reforma política.

Repetimos o que já havia sido dito em outra postagem:

“Política sem eleger uma bandeira torna-se uma prática inócua e pouco promissora, o governo tem as suas, elogiáveis, que contemplam boa parte do eleitorado, como na efetividade das ações governamentais que combatem a desigualdade social, justas e importantes.

Mas é urgente somar outra: o aperfeiçoamento do fazer político e o combate incisivo ao enguiço que acomete o sistema eleitoral, considerando partidos pouco representativos, eleições pouco democráticas e dominadas absurdamente pelo poder econômico.

Dilma conclame a sociedade e reordene sua coalizão em nome de uma constituinte exclusiva para a reforma política, este é o tempo, esta também é uma bandeira valorosa, entre outras de sua administração.”

 

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Um comentário em “A reforma política é a lição que Cunha e sua turma merecem

  1. Jairo Menegaz
    14/03/2014

    A Reforma Politica com Constituinte Exclusiva, será a principal Luta politica do povo brasileiro contra o reacionarismo. Devemos propugnar que os partidos politicos encaminhem uma mensagem ao Congresso, a semelhança do que o Executivo já faz, no inicio dos trabalhos legislativos, onde cada partido apresenta sua proposta de pauta nacional prioritária com suas propostas para todos estes pontos. Estas declarações de voto se constituiriam em uma vacina contra a péssima mania dos partidos e em especial do PMDB de chantagear o executivo cobrando cargos ou benesses para aprovar matérias, sem considerar o interesse nacional, ou o que é ainda pior, considerando os interesses de empresas em detrimento do interesse publico como no caso do Marco Civil da Internete….

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