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Pesquisas e bandeiras: Dilma conclame a sociedade pela reforma política

Segundo levantamento do Ibope de agosto de 2013, a pedido da OAB, 85% dos brasileiros são favoráveis a reforma política

Segundo levantamento do Ibope de agosto de 2013, a pedido da OAB, 85% dos brasileiros são favoráveis a reforma política

A foto do momento

Deve ter doído um pouco para o colunista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo ter que admitir, como no texto abaixo, que o desejo de mudança, excessivamente estimulado pela grande imprensa, é preferido pela maioria sob o comando de Lula ou Dilma:

“Desta vez, o Datafolha foi além no levantamento dos dias 19 e 20 e indagou aos entrevistados qual dos pré-candidatos a presidente estaria mais preparado para adotar as tais mudanças no jeito de governar o país.

Encabeça a lista o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado por 28% como o melhor agente para promover mudanças no Brasil. Em segundo lugar está a atual ocupante do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, com 19%. Ou seja, os dois petistas somam 47% das preferências.”

Não me apego a esta pesquisa, apesar dos números amplamente favoráveis a Dilma, pois o tempo passará e o fogo cerrado continuará até a copa do mundo, aí sim será possível compreender melhor, com cenários consolidados e candidatos oficializados, em que pé se dará a disputa eleitoral.

Mas sem ser preciso fazer qualquer esforço para “profetizar” tendências, imagino que este será o pleito mais virulento, insidioso e manipulado desde a redemocratização do país.  A direita não suportaria ficar mais quatro anos longe do poder, nem tampouco se sentiria constrangida em abrir mais espaços em sua agenda para radicais conservadores, das mais variadas e perigosas estirpes, o esforço reacionário será grande e a necessidade de apoios serão vitais e aceitos, indistintamente, de quem quer que seja.  Como nas palavras de FHC, o presidente tucano que quebrou o país três vezes e, de joelhos, aceitou as imposições do FMI: qualquer um serve [menos a Dilma]”.

A bandeira da reforma política

A questão da representatividade social na gestão política não se resolverá se não houver uma ampla e profunda reforma política, a presidenta Dilma precisa reunir sua coalizão e fechar uma agenda que contemple esta urgência e renovar o ambiente político e, se não for possível eliminar, ao menos que seja viável reduzir bastante os vícios das campanhas que produzem sub representatividade para maiorias e sobre representatividade para minorias.  Não há como manter estáveis os pilares da democracia sem mexer nesta questão.

Em junho de 2013, Dilma pediu por uma constituinte exclusiva para reformar o sistema político, que não avançou, devido ao pouco apoio de sua base. É hora de trazer o tema a tona novamente

Em junho de 2013, Dilma pediu por um plebiscito para reformar o viciado sistema político, proposta que não avançou, devido ao pouco apoio de sua base. É hora de trazer o tema a tona novamente

O que for proposto e não centrar na reforma política como medida essencial, será apenas acessório e não terá condições de prosperar por muito tempo.

O governo precisa assumir o protagonismo político para oferecer aos descontentes soluções de longo prazo, pactuar por este desejo expresso de setores esclarecidos das classes médias e que se apresentam dispostos a discutir civilizadamente.

Existem grupos que apostam na instabilidade e são contrários a qualquer mudança, habitam a oposição e, também, se alojam dentro do governo. Apesar de evidente comportamento contraditório, se exibem para a opinião pública como defensores da mudança, sem, de fato, serem portadores da novidade.

Desmascarar estes atores políticos e tornar a agenda da reforma política predominante tem que ser um norte para Dilma e sua base parlamentar, ou pelo menos para a maioria de seus integrantes. É essencial separar o joio do trigo, priorizar quem quer sentar-se à mesa, possuem questões definidas e prezam o ambiente democrático.

Pesquisas indicam caminhos, limites e potencialidades a serem exploradas, e hoje Dilma está bem na foto.

Porém, levantamentos de espécie eleitoral não podem significar acomodação e sentimento de vitória antes do jogo começar, aí mora o perigo. O momento atual é de testar hipóteses, aquecer, para todos os lados envolvidos na peleja.

Política sem eleger uma bandeira torna-se uma prática inócua e pouco promissora, o governo tem as suas, elogiáveis, que contemplam boa parte do eleitorado, como na efetividade das ações governamentais que combatem a desigualdade social, justas e importantes.

Mas é urgente somar outra: o aperfeiçoamento do fazer político e o combate incisivo ao enguiço que acomete o sistema eleitoral, considerando partidos pouco representativos, eleições pouco democráticas e dominadas absurdamente pelo poder econômico.

Dilma conclame a sociedade e reordene sua coalizão em nome de uma constituinte exclusiva para a reforma política, este é o tempo, esta também é uma bandeira valorosa, entre outras de sua administração.

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2 comentários em “Pesquisas e bandeiras: Dilma conclame a sociedade pela reforma política

  1. Pingback: Pronunciamento de Dilma: discurso sem volta ou volta o retrocesso | Palavras Diversas

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