Palavras Diversas

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Crise moral do capitalismo e da mídia: sintomas similares, remédios idênticos?

A crise moral que assola as grandes corporações de mídia, sofre dos mesmos sintomas das graves crises econômicas de 2009 e 2011

Tal qual os mercados urgem regulação, para que se evite novas graves crises econômicas e sociais, como as de 2009 e a mais recente na Europa, resultados da cobiça desenfreada, da amoralidade das grandes corporações, total falta de compromisso com as demandas sociais e do comportamento aético dos global players, a grande imprensa precisa ser regulada.

Esta comparação não é mera ilustração, mas uma constatação da necessidade premente de controles externos sobre o modo operante das grandes corporações de mídia.
O modelo predominante é o de concentração das grandes empresas de comunicação, eliminando a competitividade do setor, o que, consequentemente, tem levado ao monopólio da informação carimbada pela imprensa como subsídio “fidedigno” da realidade vigente.

A grande mídia, tal como uma grande corporação, possui um modelo de produção industrial baseado na uniformidade de seus produtos, grande poder de sedução sobre seus potenciais clientes, controle do conteúdo distribuído, entre outros fatores similares.
A concentração nas mãos de poucos grupos midiáticos que absorvem, adquirem ou mesmo destroem seus pequenos e médios concorrentes locais, provoca um controle nefasto sobre a versão da realidade que será comercializada, influenciando a percepção de momento da grande maioria do público, sua audiência, seus clientes.

As versões distribuídas, ou melhor, os produtos manufaturados uniformemente, sob medidas padrões, formam um ambiente estéril de discussão, impróprio para a diversidade de todos os gêneros.
A sociedade perde conteúdo quando está sob influência de um modelo que prestigia a “montagem de seus produtos” em poucas versões.  As pessoas, em geral, não conseguem perceber que estão cercadas por um aparato controlador dos meios de produção da informação.

A associação das grandes corporações de mídia e de seus maiores anunciantes, torna ainda mais difícil saber se aquilo que se veicula como notícia está baseado em uma genuína peça informacional, que teria coberto todos os ângulos e idéias das partes envolvidas no fato divulgado.

Por exemplo, uma greve de bancários quando abordada por uma grande revista semanal pode estar comprometida pela interferência de seus patrocinadores do setor financeiro, dispostos a não verem a imagem de suas empresas arranhadas junto ao grande público, pela vinculação das más condições de trabalho e de remuneração que oferecem a seus empregados, exploradas em uma matéria que exibisse tais contenciosos.
Não é bastante comum que grevistas de bancos privados sejam retratados como radicais e malfeitores da sociedade, com a exibição contínua dos problemas que suas greves causam a sociedade?
Não é por acaso que assim seja.

No Brasil as maiores empresas de comunicação concentram uma fatia gigantesca da audiência, arrecadam fortunas com verbas publicitárias e agem como cartéis, sem concorrer no ofício de informar, em rota de convergência com seus maiores patrocinadores.
Este modelo concentrador da produção e distribuição da informação coloca em risco a democracia, pela perigosa hegemonia da visão dos fatos de poucos grupos, dos mais altos extratos sociais, imposta, suave e discretamente, para todos os demais.  Não oferece opções, em condições de igualdades, para discutir, de forma justa, a verdade propagada em grande escala.

As grandes corporações midiáticas precisam ser controladas por entes externos da sociedade e dos governos, não para tratar de seus conteúdos, mas para evitar que seu formato repleto de deformidades, que possibilita concentrar e erradicar as versões distintas da agenda da sociedade, leve a maioria dos cidadãos a aderir a uma ideia, qualquer que seja, pela sua distribuição sistemática e exaustiva, associada a uma omissão voluntária de pensamentos dissonantes que por ventura existam.

Assim como as grandes crises econômicas que devastaram dezenas de milhões de empregos de 2009 até hoje, alterando as composições de força trabalhadores X empregadores, pendendo para o lado “mais forte” da contenda, as grandes empresas de mídia precisam também ser reguladas, obedecer normas que impeçam uma concentração criminosa, que não destrua milhares de empregos, que não inviabilize a competitividade de atores distintos e suas mais variadas versões de um fato informado, que não elimine conteúdos regionais por causa de uma pauta universal e padronizada.
A regulação se faz necessária e urgente porque a grande imprensa, em seus mais variados formatos de disseminação, sofrem exatamente dos mesmos males das demais corporações capitalistas: cobiça desenfreada, amoralidade, total falta de compromisso com as demandas sociais e comportamento ostensivamente aético.
Os sintomas são similares, logo o remédio deveria ser o mesmo.

*publicado originalmente em 31 de janeiro de 2012

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