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Desigualdade mundial é escandalosa. Mas Brasil avançou em justiça social

Brasil e América Latina caminham na direção contrária do aumento escandaloso da desigualdade no planeta. Brasil, pelo contrário, reduz a miséria e a pobreza, e caminha, a passos largos, para se tornar um país classe média

Brasil e América Latina caminham na direção contrária do aumento escandaloso da desigualdade no planeta. Brasil reduz a miséria e a pobreza e caminha, a passos largos, para se tornar um país classe média

Pesquisa publicada pela organização humanitária, Oxfam, revela que o mundo é um lugar mais desigual hoje, do que a 30 anos atrás e que em 24 de 26 nações pesquisadas o desnível social cresceu.

O escárnio do pensamento neoliberal que ditou a política no mundo na última década do século passado, se traduz agora em mais crise, desemprego, fome e desigualdade.

Mas nem tudo é ruína neste estudo: a América Latina é citada como o continente que apresentou significativos avanços no combate a fome e a miséria. Os programas sociais mais reconhecidos por seus ótimos resultados são o nosso Bolsa Família, o Trabalhar da Argentina, o chileno Solidário e o Oportunidades do México, que, segundo as palavras do chefe da pesquisa, Ricardo Fuentes-Nieva, “colocaram a América Latina na vanguarda de políticas inovadoras de intervenção estatal para lidar com a desigualdade”.

As questões não estão resolvidas nesta parte do planeta, ainda longe disso, mas os avanços sociais e econômicos dos países latino americanos, principalmente do Brasil, revelam por um lado o fosso sócio-econômico em que vivíamos até os anos 1990, por outro lado comprova que nossa receita que prescreve maior participação estatal nas questões econômicas e sociais se mostraram bem sucedidas e se tornaram exemplos para o mundo.

Enquanto países ricos da Europa, como Espanha, Itália, Irlanda, Grécia e Portugal, sangram seus povos com pesadas receitas recessivas para sair da crise.  Brasil e América Latina começaram o longo caminho de recuperação de um ambiente social devastado, inescrupulosamente, pela imposição de uma cartilha liberal concentradora de riquezas e fomentadora da desigualdade por de décadas seguidas. Com visível aprofundamento de 1990 a 2002.

Há ainda muito o que fazer, não restam dúvidas sobre isso, mas começar a fazê-lo já se constituiu como uma das maiores obras políticas da América Latina em toda a sua história.

Em 12 de governos Lula e Dilma a pobreza extrema, considerando as classes D e E, caiu de 55% da população em 2003 para 25% em 2014

Em 12 anos de governos Lula e Dilma a pobreza extrema, considerando as classes D e E, caiu de 55% da população em 2003 para cerca de 25% em 2014

Confira a matéria divulgada no Carta Maior:

Pesquisa da Oxfam expõe desigualdade escandalosa no planeta

Segundo a Oxfam, cerca de 3,5 bilhões de pessoas ganham, somadas as suas rendas, o mesmo que as 85 pessoas mais ricas do mundo.

Londres – A desigualdade mundial é tão acentuada que até a Cúpula dos Ricos de Davos, que começou na quarta-feira, a citou como uma das grandes ameaças para a economia global. Um informe da organização humanitária Oxfam difundido segunda-feira ilustrou essa realidade com uma comparação que revela os extremos do desequilíbrio social em pleno século XXI. Segundo os cálculos da Oxfam, a metade da população mundial – cerca de 3,5 bilhões de pessoas – ganham, somadas as suas rendas, o mesmo que as 85 pessoas mais ricas do planeta. Esta aparente confluência no diagnóstico entre uma ONG que luta contra a pobreza global e o Fórum Econômico Mundial, organizador de Davos, termina com a identificação do problema.

Em uma pesquisa da empresa de consultoria internacional Pricewaterhouse Coopers, publicada quarta-feira, ficava claro que as mil multinacionais que financiam o Fórum de Davos defendem que a desregulação e a redução do déficit fiscal são fundamentais para lidar com os problemas econômicos globais. No caminho oposto, a Oxfam pretende terminar com os paraísos fiscais, promover um sistema tributário progressista e salários dignos, todas soluções rechaçadas pelas multinacionais. A Carta Maior conversou com o chefe de pesquisa da Oxfam, Ricardo Fuentes-Nieva sobre os desafios de promover uma maior igualdade em um mundo  globalizado.

A Oxfam está participando em Davos e coincidiu com a avaliação do Fórum Econômico Mundial sobre os perigos colocados pela desigualdade. Mas as coincidências param por aí, não?

Ricardo Fuentes-Nieva: Em nosso informe nos vimos que em 24 dos 26 países mundiais que têm informações estatísticas dos últimos 30 anos a desigualdade aumentou. Colocado de outra maneira, sete de cada dez pessoas do mundo vivem em um lugar mais desigual que há 30 anos. Uma segunda conclusão de nosso informe é que os ricos têm uma crescente influência nos processos políticos, o que coloca sérios problemas de legitimidade. Por último, pensamos que não razões para que essa situação siga sendo assim. É um tema que pode ser corrigido com políticas públicas concretas.

Precisamente, mas o caminho que vocês apontam é o oposto daquele que é promovido em Davos.

RFN: Nós acreditamos que deve haver um combate global contra a evasão fiscal e os paraísos fiscais. O estouro financeiro de 2008 aprofundou a desigualdade com os programas de austeridade aplicados para solucionar uma crise que teve sua origem nos mais ricos do mundo e sua especulação financeira. Os paraísos fiscais foram fundamentais nesta especulação e constituem uma das chaves do desfinanciamento dos estados porque distorcem a política governamental. Por um lado, forçam políticas de redução fiscal para os mais ricos para que não recorram à evasão e à fuga de capital. Por outro, impedem políticas sociais e econômicas que reduziriam a desigualdade pela queda da arrecadação fiscal.

Desde a década de 70, a carga tributária diminuiu para os ricos em 29 dos 30 países onde existem dados disponíveis. Esta é uma política impulsionada pelo crescente poder político dos ricos e pelo desequilíbrio em favor das corporações na distribuição dos lucros econômicos entre trabalhadores e o capital.

O argumento mais citado em favor de salários baixos e vantagens tributárias é a competitividade das empresas em um mundo globalizado. Sem questionar a globalização atual, não parece haver solução para o problema da desigualdade.

RFN: É um ponto muito importante. Parte desta concentração de renda está vinculada à globalização que, ao mesmo tempo, teve aspectos positivos ajudando a que milhões de pessoas saíssem da pobreza. Mas o certo é que o salário real médio decresceu em muitos países. Não se pode afirmar que este fenômeno se deva pura e exclusivamente à globalização. É certo que os avanços tecnológicos que acompanharam a globalização foram enormes e geraram uma redistribuição econômica para grupos com maior nível de educação. Mas, ao mesmo tempo, a concentração de renda que temos visto nos últimos dois anos não pode ser explicada por este fator porque a globalização é um processo em curso há muito tempo.

A América Latina foi um dos lugares mais desiguais do planeta por muito tempo. Como avalia a situação da região nos últimos dez anos?

RFN: Acreditamos que ocorreram grandes progressos que demonstram que é possível melhorar as coisas se existe vontade política. Programas sociais como o Bolsa Família no Brasil, o Trabalhar na Argentina, o Chile Solidário, e Oportunidades no México, colocaram a América Latina na vanguarda de políticas inovadoras de intervenção estatal para lidar com a desigualdade. Mas é certo que isso não foi suficiente. Os protestos no Chile ou no Brasil são sinais de que resta muito por fazer. Ainda assim, a tendência é animadora na América Latina e muito melhor do que em outras partes do mundo.

O que pode ocorrer se não se modificar este panorama de crescente desigualdade global?

RFN: Estamos diante de um perigo de ruptura do contrato social e de dissolução da ideia de cidadania. Se os governos não refletem a vontade de grande parte da população, começam a perder legitimidade, dinamismo e colocam em perigo a democracia, os direitos humanos e outras conquistas. Neste sentido, para além de se a avaliação que Davos faz da desigualdade como uma das ameaças da economia mundial é um mero exercício de relações públicas, creio que não é em interesse das mesmas empresas de Davos que essa situação se desdobra. Esse desdobre não vai passar de um ano, mas há um perigo que a sociedade se torne esclerosada com um impacto concreto econômico e com um risco crescente de explosão social porque, agora, a desigualdade está afetando ao conjunto da sociedade de muitos países, incluindo as classes médias, que foram uma das grandes perdedoras da crise de 2008.

Marcelo Justo / Carta Maior

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Espanha tem hoje cerca de seis milhões de sempregados e índice alcançou 27% da população economicamente ativa. Em um planeta que 85 bilionários detém a mesma riqueza que 3,5 bilhões de seres humanos, espanhóis retratam , infelizmente, muito bem o avanço da desiguladade no mundo

Espanha tem hoje cerca de seis milhões de desempregados, índice alcançou 27% da população economicamente ativa, resultado da adoção de duras medidas de ajuste econômico. Em um planeta que 85 bilionários detém a mesma riqueza que 3,5 bilhões de seres humanos, espanhóis retratam, infelizmente, muito bem o avanço da desiguladade no mundo

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Um comentário em “Desigualdade mundial é escandalosa. Mas Brasil avançou em justiça social

  1. Um esclarecimento aos pessimistas. Leiam, analisem e meditem.

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