Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Projeto “A dor da gente não sai no jornal”

Na página do projeto é possível encontrar fotos, como a registrada acima, áudios de depoimentos, manuscritos, imagens que remetem às histórias de amor captadas.

Na página do projeto é possível encontrar fotos, como a registrada acima, áudios de depoimentos, manuscritos, imagens e outras relíquias que remetem às histórias de amor captadas

Projeto de autoria das fotógrafas Manoela Lemos e Mariana Pêgas,  baseado na música interpretada por Chico Buarque, “Notícia de Jornal”.

O trabalho traz mulheres contando suas histórias de amor – com gravações de áudio – sendo fotografadas tendo jornais por plano de fundo, através de um conjunto de espelhos desenvolvido para a objetiva da câmera.
Amores e suas dores, histórias permeadas de detalhes e sentimentos na metamorfose temporal. Em um mundo essencialmente materialista, onde cabe o amor? Amor que dá sentido, amor que gera a vida, amor que traz a paz. Onde cabe a dor de um amor que não permanece?

Tantas Joanas de tal e tais Joãos, perdidos e encontrados em cada uma das histórias contadas; memórias, antes sem importância, escondidas em corações partidos, em disfarces que ocultam o sentimento tido por banal, ganham rosto e voz: porque a dor da gente não sai no jornal.

Depoimento de Clara M., uma das Joanas do Projeto:

“Manoela e Mariana entravam em nossas casas armadas de dois sorrisos e um pedido: que abríssemos duas ou três caixas guardadas dentro da gente, retirássemos uma história, talvez relêssemos algumas cartas, mas que, sobretudo, falássemos. Se de início parecíamos buscar histórias enterradas no fundo da memória, uma rápida leitura da listagem de perguntas propostas para a entrevista era decisiva: o que havíamos sentido continuava ali, bem guardado. Foi assim que, casa a casa, Manoela e Mariana ouviram sobre amores nascendo e crescendo, com paciência, simplicidade e carinho por aquelas realidades que acabavam de conhecer. Pude reescrever pela primeira vez minha história para seus ouvidos atentos, tentando não deixar de fora os detalhes mais importantes. Se até então a dor havia me impedido de lembrar do que era belo – e usava, bravamente, os piores momentos como defesa – essa era a primeira vez que podia me distanciar de um trecho recente da minha própria história, contá-la como um conto e deixar que vivessem as partes importantes. O processo de sobreviver a um amor é, sem dúvida, o processo de se reescrever. A partir de uma história interrompida,lentamente somos capazes de separar nossos medos adquiridos daqueles lugares onde queremos voltar, das pessoas que desejamos conservar, dos hábitos que queremos manter. Se apenas nos olhos do outro conseguimos visualizar nossa imagem, refletida, foi através de suas lentes atentas que tivemos a oportunidade de nos enxergar novamente. E nos despedíamos em lágrimas, abraços e um sorriso.”

www.adordagente.com/

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