Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Justiça social no topo da agenda, mérito dos governos Lula/Dilma

Apesar do programa Bolsa Família ser considerado um modelo exemplar de distribuição de renda pela ONU, políticas sociais de Lula/Dilma sofrem oposição severa de parte considerável da tradicional classe média

Apesar do programa Bolsa Família ser considerado um modelo exemplar de distribuição de renda pela ONU e não alcançar 1% do PIB, políticas sociais de Lula/Dilma sofrem oposição severa de parte considerável da tradicional classe média

Desde que Lula venceu as eleições em 2002, houve, por um lado houve a descrença de que seu governo seria capaz de avançar mais e melhor, após os 8 anos de FHC, sintetizados por uma herança pesada deixada para o seu sucessor.  Por outro lado houve quem acreditasse em uma revolução socialista radical.

Dois lados equivocados, entre outras expectativas geradas pós 2003.

Mais ricos e parte considerável da classe média estavam ali representados nestas probabilidades não concretizadas.

Tirando deste texto qualquer análise social e econômica do Brasil, de conquistas ou perdas, dependendo de quem vê o fenômeno político, Lula teve grande mérito, entre tantos outros, ao eleger o tema de combate a fome e à miséria no cotidiano do brasileiro.

O ex-metalúrgico e líder sindical trouxe para o topo da agenda do dia as discussões sociais que o país não poderia mais se dar ao luxo de adiá-las.  O quadro social de urgente necessidade de intervenção do Estado em 2003, levou Lula, inevitavelmente, ao encontro dos anseios dos mais pobres e excluídos.  Até este momento esta batalha não está vencida, talvez não esteja ainda nos próximos anos, devido ao enorme passivo acumulado em séculos de descaso por grande parte dos governantes.

O desemprego crescente, renda do brasileiro despencando e garantias trabalhistas sob risco de ataques neoliberais desenhavam um país à deriva e sem esperançosos horizontes à vista no período pré-Lula.

Ao estabelecer como meta de sua administração o combate à fome e ao desemprego, atendeu uma prioridade que envergonhava o Brasil mundo afora.  Um país com enorme potencial de crescimento, mas caricaturado como um canto de incríveis indiferenças sociais e cruéis desigualdades.

Penso que desde 2003 é possível compreender que há aqueles que permanecem contrários ao legado de Lula e aqueles que mudaram de lado. Mais ricos e parte da classe média tradicional, novamente, ocupam estes lugares.

O debate do dia-a-dia e nas universidades sobre sistema de cotas sociais e raciais no ensino superior e programas de distribuição de renda, foram capazes de fazer a sociedade brasileira mostrar o que pensa e como se comporta nestes novos tempos de inclusão social, sem mascarar seu ideário.

Aquela classe média que saía às ruas para apoiar o PT e Lula, em parte, migrou para o lado dos conservadores ou se aliou à esquerda radical.

As escolhas do governo pelos mais pobres criou entre os agora neo-conservadores, um sentimento de traição às suas “aspirações justas” e/ou devoções interesseiras.  Para estes, seja qual for a ação dos governos Lula e Dilma, creem que lhes negaram agendas salutares, em favor de políticas que os colocam em segundo plano, enquanto grupo social organizado e crítico, para atender o povão desorganizado.

Boa parte desta classe média que, para um lado ou outro tenha se movido, aspirava por políticas que aperfeiçoassem os mecanismos administrativos dos governos até então existentes, para melhor servi-los prioritariamente e o que sobrasse, ser oferecido aos mais pobres, desde que sem majorar os impostos sobre a renda ou lucro de seus negócios.

Este acerto dos governos petistas, de trazer a tona discussões emergentes sobre justiça social, também foi responsável por exibir um contingente de brasileiros que almejavam, tão somente, mais e melhores recursos para si, que os flagrantes discursos ou ataques dispensados ao PT denotam atualmente. Um sentimento “pequeno burguês”, de quem não se importava, com a firmeza de suas convicções, com a fome de milhões de brasileiros.

Programas sociais do governo consumem pouco mais de 2,5% do orçamento da União, enquanto o valor destinado a amortizar a dívida pública abocanhe mais de 45% e pouco se vê de indignação da classe média com este disparate

Programas sociais do governo consomem pouco mais de 2,5% do orçamento da União, enquanto o valor destinado para amortizar a dívida pública abocanhe mais de 47% e não se vê indignação da classe média com este disparate

É possível observar, 11 anos depois, que parecem preferir a ideia de eliminar a fome por meio do trabalho de Ongs, engajada por uma parte desta classe média ressentida, como uma espécie de meio capaz de diminuir o peso de consciências, bem servidas de oportunidades, porém cercadas de desigualdades, com ações cosméticas de assistencialismo.  Elegendo pequenos grupos para serem favorecidos, mas com ações comprometidas pela incapacidade de atender ou querer acudir as dezenas de milhões que se encontram em situações idênticas ou piores.

O Brasil pré-Lula vivia um silêncio que escondia preconceitos e ranços sociais que hoje são claramente perceptíveis nos espaços públicos e privados.

O Brasil pós 2003 fez aflorar ressentimentos e desmascarar conservadores que se encontravam adormecidos sob a casca de cidadãos progressistas.  O Novo Brasil destacou falas totalitárias, que antes não se pronunciavam em alto volume, sem qualquer constrangimento.

Os xingamentos cada vez mais explícitos à Lula, à Dilma, ao PT, aos negros e pobres cotistas, aos nordestinos e suburbanos não surpreenderiam tanto se continuassem a ser, unicamente, a prática das elites que comandavam o país.  Mas é fato que os outrora apoiadores do PT, oriundos da classe média, se somaram aos conservadores para travar uma batalha política encarniçada e oportunamente reveladora de seus desejos mesquinhos e egoístas.

O balanço deste debate é favorável para que o lulismo permaneça influenciando a maioria do povo com as ideias de democracia com justiça social.  Apesar do crescimento político de conservadores e o assanhamento de pequenos grupos fascistas, parte da tradicional classe média e daqueles que ascenderam socialmente defendem o legado de Lula e garantem o avanço de políticas progressistas e da consolidação de uma ideia de democracia que privilegia o acesso aos direitos, oportunidades e bens de consumo para todos, não somente para poucos.

O alerta dever ser ampliado no sentido de combater, duramente e com ações de governo, o pensamento radical de direita que contamina setores sociais descontentes com o governo Dilma, para que não seja comprometido o bom andamento desta importante obra política, que necessita ser aprofundada e acelerada.

Mas o saldo é positivo e uma das grandes virtudes deste período foi revelar quem são aqueles que mudaram de lado e quais eram, de verdade, seus reais interesses.

Anúncios

6 comentários em “Justiça social no topo da agenda, mérito dos governos Lula/Dilma

  1. Pingback: Justiça social no topo da agenda, mérito dos governos Lula/Dilma « Blog da Ligia Deslandes

  2. Pingback: Rolezinhos: classe média não quer dividir o mesmo espaço com pobres e negros | Palavras Diversas

  3. Pingback: Justiça social no topo da agenda, mérito dos governos Lula/Dilma | Luizmuller's Blog

  4. Pingback: Justiça social no topo da agenda, mérito dos governos Lula/Dilma | EVS NOTÍCIAS.

  5. Pingback: Justiça social no topo da agenda, m&eacu...

  6. Essa ampliação do bolça família no governo Lula e Dilma, expôs de fato que são as pessoas ou grupo de classe que se interessa pelo crescimento do país como um todo, quando falo todo é abrangendo negros, brancos, vermelhos e amarelos das classes baixas e assim conhecemos a hipocrisia de pessoas que diziam que apoiavam as políticas desses governos.

    Curtir

Deixe aqui seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Democratização da mídia, apóie!

Seja amigo do Barão!

Digite seu e-mail para seguir este blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 3.452 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: