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Discriminação racial: Brasil precisa seguir combatendo

Esta imagem é de um "capitão do mato" do Rio de Janeiro, datado de 1982 e expressa que o preconceito racial ainda é uma luta   muito incipiente na sociedade brasileira

Esta imagem é de Luiz Mourier, intitulada “Todos Negros”, ganhadora do Prêmio Esso de Fotografia de 1983 e flagrou um “capitão do mato” do Rio de Janeiro, datado de 1982, ao capturar “suspeitos” e expressa que o preconceito racial ainda é uma luta muito incipiente na sociedade brasileira

Consciência Negra: movimentos avaliam avanços e retrocessos

Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, diversos atos e eventos culturais estão programados em todo o país. Movimentos sociais levarão para as ruas pautas que estão no centro dos debates como a desmilitarização das polícias, a reforma política e as ações afirmativas como as cotas raciais no serviço público. Em São Paulo, será realizada a 10ª Marcha da Consciência Negra, promovida pelo movimento negro.

O Dia da Consciência Negra é comemorado para homenagear Zumbi dos Palmares, líder negro, morto na mesma data, em 1695, e para marcar a luta contra o preconceito racial. A data e o feriado na cidade de São Paulo e algumas outras cidades do país. Também faz parte do calendário nacional, porém, não tem status de feriado em todo o território brasileiro.

Para Edson França, presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), trata-se de um dos momentos mais importantes do movimento negro para chamar a atenção dos brasileiros sobre a desigualdade racial alarmante que ainda existe em todo o país. “Faremos a 10ª edição da Marcha e serão levados temas relevantes como a desmilitarização da polícia. Está consolidada no Brasil a compreensão, pelas organizações, de que está em curso um genocídio contra a juventude negra. Não é possível tantos jovens negros serem assassinados e nada ser feito para impedir e punir os culpados”. E completa: “Cinco jovens negros são assassinados ao dia. Quem mata os jovens negros? O Estado, a partir da polícia, além do tráfico de drogas. O Estado não é somente omisso. Não! O Estado também aperta o gatilho”, pontuou.

A desmilitarização da polícia é uma das questões que emergiram a partir das manifestações de junho, apesar de não ser um debate novo na sociedade é, de certa forma, novo para o movimento negro que tem como base de atuação o racismo e seus agravos. Recentemente, a presidenta da Republica Dilma Rousseff apontou para esse problema no Twiiter, ao comentar a execução de Douglas Rodrigues, 17 anos, por um policial militar na zona norte da capital paulista que, como ele, “milhares de outros jovens negros da periferia são vitimas cotidianas da violência. A violência contra a periferia é a manifestação mais forte da desigualdade no Brasil”.

Para diminuir o abismo da desigualdade, a presidenta enviou ao Congresso Nacional, no início deste mês, terça-feira (5), em regime de urgência, o projeto de lei que reserva 20% das vagas do serviço público federal para negros.

“Não podemos ignorar que a cor da pele foi, e infelizmente ainda é, motivo de exclusão e de discriminação contra milhões de brasileiros”, declarou Dilma durante sua participação na 3ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que ocorreu entre 5 e 7 deste mês, em Brasília. “Preconceito contra mais da metade da população, que hoje se reconhece como afrodescendente, como negra e parda. Temos de superar as consequências do nosso longo período escravocrata que não acabou com a abolição, mas se manteve na hierarquização da sociedade, na qual a base são negros e indígenas. Para superar isso, são necessárias ações afirmativas, como esta das cotas no serviço público federal”, completou a presidenta.

A Unegro faz uma avaliação positiva sobre o posicionamento do governo federal durante a Conferência, tendo como base o discurso da presidenta que, nas palavras de Edson França, “demonstrou sensibilidade e compreensão apuradas com relação à desigualdade social que pesa de maneira negativa sobre a população negra e sobre as relações raciais no Brasil” além de ter reconhecido publicamente o alto grau de violência contra os jovens negros.

“Não podemos ignorar que a cor da pele foi, e infelizmente ainda é, motivo de exclusão e de discriminação contra milhões de brasileiros”, declarou Dilma durante sua participação na 3ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. “Preconceito contra mais da metade da população, que hoje se reconhece como afrodescendente, como negra e parda. Temos de superar as consequências do nosso longo período escravocrata que não acabou com a abolição, mas se manteve na hierarquização da sociedade, na qual a base são negros e indígenas. Para superar isso, são necessárias ações afirmativas, como esta das cotas no serviço público federal”, completou a presidenta.

Para Nuno Coelho, coordenador Nacional da Associação Pastoral de Negros (APN), os anúncios da presidenta durante a Conferência também significaram um avanço, mas chegaram tarde. “Foi um avanço, uma conquista do movimento negro em primeiro lugar. São instrumentos de ações afirmativas como esses que vão mudar o panorama social, político e econômico do país. Mas, na minha avaliação, os anúncios vêm na reta final do governo, o que deveriam ter sido feito logo no início do governo para marcar um posicionamento sobre a questão”, afirma Nuno.

Avanços
 e retrocessos

Outras conquistas durante a conferência, citadas pelos movimentos ouvidos pelo Vermelho foi o avanço no debate sobre a reforma política com a unidade em torno de dois projetos de lei que tramitam na Câmara: uma Proposta de Emenda Constitucional que estabelece reserva de vagas para parlamentares de origem negra na Casa e nas assembleias legislativasm que reservaria cotas raciais por cinco legislaturas seguintes (o equivalente a 20 anos), de autoria do deputado Luiz Alberto (PT-BA); e a proposta do deputado Paulo Paim (PT), que reserva 5% do fundo partidário para ampliar a participação do negro na política.

No entanto, com relação ao tema da Conferência, “Democracia e Desenvolvimento sem racismo, por um Brasil afirmativo”, Edson França acredita que o movimento negro não compreendeu sua importância. “Ficamos presos às pautas anteriores que nós não conseguimos efetivar. Estamos indo para uma pauta mais avançada [a da reforma política] sem resolver as que já foram colocadas anteriormente. Ficamos muito no campo da política pública”, avalia Edson, que chama a atenção para um ponto preocupante constatado durante a conferência: a do aumento do número de grupos religiosos organizados politicamente, principalmente de matrizes africanas.

“Houve certo protagonismo das comunidades tradicionais, especialmente dos religiosos de matriz africana, o que me preocupa. O protagonismo deve ser mais politizado e não ocorreu. Há um crescimento das comunidades de terreiros, elas têm se colocado de maneira mais efetiva, têm se organizado mais, semelhante ao fenômeno que ocorreu na década de 1970 com as comunidades eclesiásticas de base, o que ocorre também mais recentemente com o ativismo dos evangélicos. A religião organizando a ação na política é preocupante porque extrapola uma pauta que nós construímos, a da liberdade religiosa, e não a da religião na política. Se não tomar cuidado, vamos ter um grande atraso na política do movimento negro a partir dessa ascensão religiosa”, avalia o presidente da Unegro e membro do Comitê Central do PCdoB, reeleito durante o 13º Congresso do Partido no último final de semana.

“Parece ser pequeno esse fato, mas não é. O próprio IBGE não conseguiu detectar a quantidade de religiosos de matrizes africanas no Brasil, já que muitos não se autodeclaram no senso com receio de discriminação. É um Brasil submerso ainda. Mas muito representativo. É um aspecto novo, importante, e que contribui para uma baixa politização. Essa conferência foi extremamente preocupante nesse ponto”, conclui Edson França, lembrando que houve efetivamente um alargamento da base do movimento negro nesta última Conferência, mas com baixo grau de politização.

“É um grande desafio para nós do movimento negro: ampliar o grau de politização, com informação e formação. Fico mais preocupado com a questão da informação, levar os dados para a população sobre o que está ocorrendo de fato”, alerta o militante comunista.

Nuno Coelho, da APN, faz coro com Edson: “Foi uma Conferência sem debate político. Esperávamos muito mais do que uma revisão dos planos de Igualdade Racial. É preciso um balanço sobre o que avançou e o que será necessário daqui pra frente. Os Grupos de Trabalho se concentraram na revisão dos planos e de incluir novas propostas neles. Tinham mais de 200 propostas a serem avaliadas”, exclama Nuno que chama a atenção para a necessidade de se debater as questões diretamente com o sistema, incluindo negros e negras nos mecanismos de controle social, por exemplo.

O coordenador nacional da APN denuncia que ainda faltam espaços de participação social para a população negra, que representa metade da população brasileira. “O Conselho Nacional está cobrando da Seppir [Secretaria de Igualdade Racional] essa maior participação. Estão pressionando para que ocorra um encontro entre os conselhos municipais e estaduais para discutir isso. Só que não há avanço”, lamentou Nuno, lembrando que também foi aprovado, durante a Conferência, o decreto que regulamenta o Sistema Nacional de Igualdade Racial, previsto no Estatuto da Igualdade Racial (senappir), desde 2006. Na prática, o decreto possibilita a criação de instâncias de igualdade racial nos municípios, nos estados, nas instâncias de governos como, por exemplo, no ministério da Saúde para tratar de patologias especificas, além de prever critérios de repasse de recursos para o tema nos orçamentos.

“Agora, a gente percebe que, do ponto de vista jurídico, o Brasil está acima dos demais. Desconheço outro país que tenha leis antidiscriminatórias tão avançadas quanto o Brasil. Temos os instrumentos necessários para avançar na pauta antidiscriminatórias, alcançar o equilíbrio e partir para a mudança. Acho difícil uma unidade mais profunda do povo brasileiro se a gente não der voz às justas reclamações do movimento negro”, afirma Edson França, que participa das ações deste 20 de Novembro.

Não se trata somente de uma herança dos tempos de escravidão. O racismo ainda opera nas sociedades contemporâneas e permanece aprofundando as desigualdades a partir de mecanismos institucionais, burocráticos e culturais, criando barreiras para a população negra. “Mantém a população negra à margem. Sem ações afirmativas, sem colocar o dedo na ferida, não tem revolução, não tem desenvolvimento no país”, conclui Edson.

Deborah Moreira / Vermelho

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4 comentários em “Discriminação racial: Brasil precisa seguir combatendo

  1. assédio-moral-pois como os antigos escravos do tempo imperio-portugues-etc-desde-1500dc-mesmo ainda em pleno século-xxi-ano-2014-2015-quase todas as profissionais enfermagens so frem-assédio moral mas de todos os lados inclusive dentro da própria categoria profissional e mesmo entre elas próprias-uma desrespeitando-tirando um sarro da outra-eou-entregando-de durando-menosprezando-eouse-sentindo-uma-superior-á-outra-eou rezando que a outra-se-ferre-ao-invés-de-ajudá-la-eou então até mesmo por parte de suas próprias diretas indiretas che fias
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    pois muitas quando auxiliares ou técnicos enfermagens são excepcionais mas ao se tornarem enfermagem curso superior-istoé-ao colocarem o blazer azul-se tornam uma local pequeninini nha covarde ditadorziziznha-a maioria absoluta-se-torna-homem-como diz=waldez=luiz=ludwig=diz-em=00=44=02=00=56=57=01=03=01=chefe idiota mata-“””motivação a gestão estratégi ca waldez ludwig””” pois-chegam-á-gritar-quase-uivando-á-rosnar-e gostam de impor-de cima para baixo-gostam-de-obrigar-ameaçar-colocar temor terror pavor medo na equipe pois tudo tem que ser do meu jeito ou emtão etc-os qua is tudo isto é tudo resquicios mas do tempo da escravatura hoje no lugar de-chefes-chefias-etc-é lideranças compartilhadas-e por parte de todos os se us patrões públicos-particulares-entida des que insistem em dizer serem sem fins lucrativos-filantropias-ong’s-home-cares-etc
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    vejam que antigamente os amos os senhorios os donos os patrões públicos particulares filantrópicos-etc-colocavam chicotes-enforcadeiras-correntes-nas mãos de alguns antigos escravos negros-os antigos-capatazes-capitães do mato-hoje são as tais-ditadorzizizinhas covardes chefias-chefes-etc-mas para caçar prender amordaçar acorrentar e ou chicotear até sangrar no tal pelourinho mas ao máximo os outros escravos-mas principalmente os tais-fujões-rebeldes-etc-aonde colocavam nos tais-troncos-e ou ainda as tais=mascara de flandres=
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    e hoje no lugar de tudo isto-mascaradeflandres-correntes-chicotes-enforcadeiras-etc-está o tal-código-disciplinar-a tal punição perseguição imposição de cima para baixo-as tais-ameaças-colocar -medos-terror-pavor-etc-nos seus-subordinados-comandados-etc-tudo isto é ainda resquicios das escravaturas-como o tal quarto da empregada doméstica-e o pior é que tudo isto ainda existe e re siste em pleno século-xxi-ano-2014-2015-mas dentro da própria enfermagem brasileira-imposição e obrigação mas de cima para baixo-terror pavor-tortura-etc-problemas-psiquiátricos-etc-e o pi or é que na enfermagem bra sileira tudo isto sempre foi feito e é ainda feito não por homens ditadores mas sim por mulheres-mães-avós-etc-
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    http://historianoutraface.blogspot.com.br/2010/08/o-trafico-negreiro-representou-uma.html
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    álias jamais permitiram que as profissionais enfermanges brasileiras tivessem-consciencia força poder-autonomia-político-financeiro-juridico-união-corporativismo -lideranças-comparti lhadas-etc-inclusive-alfabetização educação independência financeira economica-empreendedorismos-inovativos-estratégicos-futuras-rendas-passivas-etc-istoé desde o primeiro dia que vão trabalhan do vão formando e ou tendo vários portfólios-futuras-rendas-passivas-para que quando se aposentar e ou não poderem mais trabalhar-ter algo ou algumas coisas mas para pode rem-complemen tar financeiramente a sua própria=aposentadoria=afastamento=etc-
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    pois o tal valor da aposentadoria diminui dia após dias e então para não se vêrem daqui prá frente mas como sempre foi antigamente e hoje em dia em apuros apertos financeiros-etc-mas princi palmente ao se aposentarem-e ou não poderem mais trabalhar-pois tudo isto se adquire aprende assimila mas principalmente quando se é ainda-estudantes–como sempre fizeram por exemplos os médicos e hoje os farmácias cursos superiores-etc-e-depois tudo isto fará parte do seu dia a dia quando profissional
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    pois são coisas que os outras categorias profissionais profissões-recentes como os acs-aces-farmacias-cursossuperiores-já estão anos luz da enfermagem etc-senão tendo os seus próprios e in ternos parlamentares mas tendo então os seus parlamentares lobbies lobbismos lobbistas mas principalmente lá em todo o congressonacional -etc-por isso sem fazer muito alardes todoseles estão conquistando tudo que se imagina e inclusive as 30 horas-pisosalarialnacional-repasseintegral-etc-como alguns profissionais acs aces já tem em vários municipios brasil afora-
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  2. Pingback: Discriminação racial: Brasil precisa seguir combatendo « EVS NOTÍCIAS.

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  4. charlesfildes
    20/11/2013

    Republicou isso em Alo Presidenta do Brasil.

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