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Che é mito, já os “heróis” da direita sul americana são abjetos

Para conservadores os ilustres pesonagens acima são heróis, louvados incessantemente pela imprensa como exemplos de homens modernos e lideranças sérias...Já Che Guevara, segundo a Veja, não passou de uma farsa...

Para conservadores os ilustres personagens acima são heróis, louvados incessantemente pela imprensa como exemplos de homens modernos e lideranças continentais sérias. Em comum o fato de que todos deixaram heranças malditas e são rejeitados por seus povos…Che Guevara se tornou uma liderança mitológica, inspiração de luta por justiça social e soberania, mas segundo a Veja, não passou de uma farsa…

Confira a entrevista de John Lee Anderson, biógrafo de Che Guevara concedida a revista Carta Capital em 2007.  Anderson repudiou matéria da Veja que tentou desconstruir o mito, segundo as palavras do jornalista americano, “baseado em fontes parciais e comprometidas, sem nenhuma novidade, é um exemplo singular de jornalismo barato, ou seja, algo construído a partir do nada, mas com o objetivo de fazer sensacionalismo. Embora aparente ser jornalismo investigativo, na realidade é puramente tablóide.”

Guerra é guerra*

O jornalista norte-americano Jon Lee Anderson, autor de Che Guevara – Uma Biografia (Editora Objetiva), considerado o mais completo relato sobre a vida do guerrilheiro executado em 1967, rebate incisivamente as acusações de que Che fosse não um herói, mas um assassino frio que se regozijava de matar seus inimigos. Lee Anderson é colaborador da revista The New Yorker desde 1998.Respeitado correspondente internacional, escreveu, além do livro sobre Che, A Queda de Bagdá (Editora Objetiva) e Guerrillas (inédito no Brasil), em que analisa os mujaheddin do Afeganistão, a FMLN (Frente Farabundo Martí de Liberación Nacional), de El Salvador, a Unidade Nacional Karen (KNU) birmanesa, a Frente Polisário do Saara Ocidental e um grupo de jovens palestinos que luta contra Israel na Faixa de Gaza.

O jornalista criticou a reportagem de capa da revista Veja em que o revolucionário argentino é acusado de ser uma farsa e até de não gostar de tomar banho. “O artigo de Veja é ridículo! Baseado em fontes parciais e comprometidas, sem nenhuma novidade, é um exemplo singular de jornalismo barato, ou seja, algo construído a partir do nada, mas com o objetivo de fazer sensacionalismo. Embora aparente ser jornalismo investigativo, na realidade é puramente tablóide.”

Leia a seguir a íntegra da entrevista de Jon Lee Anderson, que se encontra atualmente viajando por vários países dando palestras sobre Che Guevara. Ele falou à CartaCapital via e-mail enquanto esperava, no aeroporto de Miami, um vôo para Caracas.

Che e Fidel são ícones de esperança e luta pela liberdade e justiça social, mesmo com toda campanha midiática para negá-los e diminuí-los em seus papéis históricos, sobrevivem altivos no inconsciente popular

Che e Fidel são ícones de esperança e luta pela liberdade e justiça social, mesmo sob intensa  campanha da mídia corporativa para negá-los e diminuí-los em seus papéis históricos, mantém-se altivos no inconsciente popular

CartaCapital: É verdade que Che Guevara se acovardou em seus últimos momentos, dizendo: “Não disparem. Valho mais vivo do que morto”?

Jon Lee Anderson: Não me consta e francamente duvido que tenha dito isso. Tudo parece crer que, ao contrário, demonstrou muita coragem em seus últimos momentos, como havia demonstrado antes. Não se acovardou. Isso é uma invenção para desacreditá-lo.

CC: Che foi um assassino frio e cruel? Tinha prazer em matar?

JLA: Che queria mudar o mundo. Não foi cruel. Foi, isto sim, uma pessoa muito rigorosa e teve um período severo (mas totalmente justificado pelas normas da guerra) na guerrilha cubana com traidores, desertores e demais. Executou algumas pessoas e ordenou a execução de outras. Depois do triunfo, presidiu os tribunais para criminosos acusados de delitos pelo antigo regime, tais como tortura, violação e assassinato. Centenas deles foram julgados e justiçados. Posteriormente, houve uma tentativa de um grupo de críticos da revolução cubana de reviver essa época para apresentar o Che como uma espécie de assassino em série, como fez Veja. A verdade é que Che se portou como um soldado encarregado de uma tropa em precárias condições e com a responsabilidade de um oficial. Não fez nem menos nem mais do que qualquer outro militar confrontado com situações de vida ou morte. Não se regozijou de matar, assumiu-o como um mal necessário da guerra, por sua vez necessária para mudar o regime cubano de Fulgencio Batista. Ninguém nunca acusou Che e seus combatentes de haver matado soldados inimigos capturados, nem os feridos que encontraram. Ao contrário: Che os socorreu pessoalmente ou providenciou para que fossem socorridos. Em alguns casos liberou soldados presos, à diferença da tropa de Batista, que assassinou rebeldes capturados e civis simpatizantes também. Descontextualizar as ações de Che na guerra, além de tendencioso, é totalmente absurdo do ponto de vista histórico.

CC: Alguns soldados criticam a atuação de Che como líder, dizendo que foi fraca, desastrosa. Ele não sabia liderar?

JLA: Os líderes nem sempre são populares com todos os seus subordinados. Alguns podem ter se ressentido com Che por sua língua afiada e tendência a não perdoar os idiotas nem os frouxos – podia ser muito ácido. Mas outros respeitaram este mesmo rasgo da personalidade do Che e o definiram como um fator de seu crescimento pessoal. Aceitaram a crítica e trataram de melhorar para também receber o beneplácito de Che, a quem respeitaram muito por sua coragem, honestidade e incorruptibilidade. Em resumo, sim, sabia liderar, mas era muito exigente.

CC: Che matou gente com suas próprias mãos?

JLA: Que soldado não mata? A guerra é um teatro bélico no qual os homens enfrentam sua própria morte e tentam matar os inimigos para que não os matem.

CC: A biografia do Che é a história de um fracassado, como defendem alguns?

JLA: Isso depende da ótica política de cada um, obviamente. Eu acho que o legado do Che é mais inspirador que derrotista. Quer dizer, é certo que ele não triunfou em seus esforços para fomentar a revolução em países como o Congo e a Bolívia. Mas o legado que deixou, de que um homem pode tentar mudar o mundo e que pode deixar um exemplo que estimule outros a segui-lo – inclusive depois de morto –, é mais duradouro. Universalmente, o Che é, fracassado em vida ou não, visto como um herói, um símbolo de rebeldia e princípios diante de um status quo injusto. Isto é o que enlouquece os de direita, o que os incomoda: que o Che siga potente como um símbolo, um mártir, um herói. Que herói eles têm para ostentar à raiz da Guerra Fria, alguém que a garotada queira pôr em camisetas? Pinochet???

CC: Em sua opinião, quem matou Che, a CIA ou o Exército boliviano?

JLA: Está comprovado que foram os dois. A CIA esteve presente. O agente Félix Rodríguez admite ter recebido a ordem de executar Che do Alto Comando militar boliviano e de haver pedido a um voluntário para cumprir a ordem. O sargento boliviano Mario Terán levantou a mão e o fez. A responsabilidade é conjunta, compartilhada.

CC: O senhor é um fã de Che? Acredita que ele seja um herói?

JLA: Sou seu biógrafo, não um fã. Os fãs são totalmente acríticos, são groupies para quem seus heróis podem fazer qualquer coisa e o aceitam. Eu não sou fã de ninguém porque ninguém é infalível. O Che tem meu respeito, isso é verdade. Havia aspectos nele dos quais eu não gostava, e outros que sim. Se no meu julgamento tinha aptidões de herói? Sim. Viveu de uma forma muito heróica, sobretudo ao final. E morreu com valentia. Isso, como sempre foi para a humanidade através da história, o faz um herói. Assassinar um homem ferido e depois esconder seu cadáver, isso é covardia. Qualifica- se como um crime de guerra.

*Reportagem originalmente publicada em CartaCapital em 11/10/2007.

Trecho extraído de Socialista Morena

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4 comentários em “Che é mito, já os “heróis” da direita sul americana são abjetos

  1. Nelson Andreas Materazzi
    14/08/2016

    FHC E MENEM…..DIREITA ?????????? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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  2. Eu não tenho herói algum; mas é uma pessoa que eu admiro.

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