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Cinema e ideologia: Darín não seria um amestrado global

Astro argentino, Ricardo Darín, negou-se a desempenhar o papel de um traficante mexicano em um filme de Quentin Tarantino

Astro argentino, Ricardo Darín, negou-se a desempenhar o papel de um traficante mexicano em um filme de Quentin Tarantino. Sua recusa foi ideológica: “por que os mexicanos sempre tem que fazer os traficantes se os maiores consumidores do mundo são os ianques?”

Mais umas palavrinhas: Ricardo Darín é um dos grandes atores da atual geração argentina, com excelentes trabalhos no cinema.  Além disso parece ser dotado de sensibilidade social bastante aguçada, algo pouco comum em astros tão bem remunerados e que, muito comum, se consideram acima dos demais seres mortais, conforme deixou transparecer em uma entrevista para um talk show de seu país sobre uma recusa sua ao diretor Quentin Tarantino para desempenhar um papel em Hollywood.

Por aqui o que é presenciado são astros globais que, a despeito do que pensa ou como vive o povo, se colocam ao lado dos poderosos e agem como apoiadores amestrados das causas que geram desigualdade e criam estereótipos sociais condenáveis.

A recusa de Darín a Tarantino

Entrevistado em setembro no late show argentino Animales Sueltos, o ator e também argentino Ricardo Darín me sai com essa:

Fantino: É verdade que você recusou uma oferta para filmar em Hollywood com Tarantino?

Darín: Sim, é.

F: E por quê?

D: Porque me ofereceram o papel principal mas eu teria que fazer um traficante mexicano. E eu perguntei ao produtor por que os mexicanos sempre tem que fazer os traficantes se os maiores consumidores em nível planetário são os ianques.

F: E o que ele respondeu?

D: Bom, a resposta que ele me deu me incomodou tanto que confirmou minha escolha de não filmar com Tarantino. Me disse “Então é uma questão de dinheiro. Diga quanto você quer que pagamos. Você coloca o preço”. Quer dizer, não podem chegar a ver nem a compreender que existem códigos fora do dinheiro que alguns de nós temos… entende?

F: Mmm… não, na verdade não.

D: Como não? Ale, você é esperto, tem que entender o que falo…

F: Mas você poderia ter ganho mais dinheiro.

D: Mais dinheiro? Ser milionário? Pra quê?

F: Como pra quê? Pra ser feliz.

D: Feliz com mais dinheiro? Do que você está falando?

F: Bom, todos queremos ter mais dinheiro pra ser felizes.

D: Ale, eu tenho dinheiro, tenho um carro importado de alto nível. Como o que quero no café da manhã, no almoço e no jantar, e posso tomar dois banhos quentes por dia. Você tem ideia de quantas pessoas no mundo podem tomar dois banhos quentes por dia? Muito pouca gente, entende? E como eu não me considero um excelente ator, sempre digo a mim mesmo que foi por pura sorte, entende? Nesse mundo capitalista selvagem eu sou um cara de muita sorte. Eu sou um privilegiado entre milhões de pessoas. E mais, eu tenho a sorte de poder ver isso em mim, o que me permite ter uma boa conta bancária e não acreditar nela. Eu posso me ver de fora e dizer “Puta, que louco, que sorte você teve”.

F: Mas você filmaria em Hollywood… e não pode negar que do Tarantino ao Oscar seria um pulo…

D: Acho que eu não sei me explicar direito… eu já estive na cerimônia do Oscar e não gostei, tudo é de plástico dourado, até as relações entre as pessoas. Fui, aproveitei, mas esse mundo não é o meu, não é o que elegi nessa vida.

Numa época de busca desenfreada de likes, views, cliques e de questionamento das estruturas sociais, é sempre bom ter uns exemplos práticos e consistentes de quem prefere se apegar à substância do seu ofício. Pra não falar de quem tem uma mínima noção de como é a vida lá fora.

Darín agrega.

O Esquema

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4 comentários em “Cinema e ideologia: Darín não seria um amestrado global

  1. Vinicius
    20/11/2013

    Essa entrevista é um “fake”, se assistir o video original vai perceber que o Darín não falou metade do que foi “traduzido”.

    Curtir

  2. Henrique de Souza Vieira
    19/11/2013

    Na verdade o papel recusado não era em um filme de Tarantino, mas sim de Tony Scott.

    Curtir

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