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Dois Josés e a mesma história de luta contra a arbitrariedade

José Genoíno e José Dirceu, personagens da história brasileira, que lutaram contra a ditadura e ajudaram a construir a vitória de Lula em 2002

José Genoíno e José Dirceu, personagens da história brasileira, que lutaram, sem medo, contra a ditadura e ajudaram a construir a vitória de Lula em 2002

Hildegard Angel publicou hoje em seu blog um trecho de uma conversa que teve com José Dirceu e o conselho que lhe deu, como amiga e crente em sua inocência:”Conversei hoje, às duas e meia da tarde, com José Dirceu. E o que disse a ele? O que poderia dizer, num momento de contagem regressiva, a quem considero inocente, ante o super espetáculo de linchamento público que se lhe preparam, em rede nacional?

– Não perca a dimensão histórica deste momento, mantenha sua altivez de homem de fibra que é, pois só um homem de fibra teria se mantido todo este tempo, sob tamanho bombardeio, de pé como você; não vista a carapuça que lhe imputam, pois é isso que pretendem; acredite, você tem amigos que se mantêm e se manterão ao seu lado; não use óculos escuros; aja como aquele jovem Dirceu, no momento de partir para o exílio: como um herói, e não como alguém com culpa, como agora pretendem, já que culpa você não tem; não se acabrunhe. Seus amigos estão com você.”

Hildegard em famoso vídeo que gravou em apoio a Dirceu e Genoíno, tratou o caso julgado pelo Supremo Presidente do STF e seus colegas de toga com o devido nome que a história tratará de reconhecer e dar lugar: Mentirão!

Pedidos de prisão, meticulosamente programados para o feriado da proclamação da República, tem simbolismo para seus postulantes a um lugar na história do país, mas “esquecimentos”, partidarismos e protecionismos do Judiciário para alguns, como no caso do Trensalão Tucano de São Paulo, Lista de Furnas, Propinoduto Paulista, Mensalão Tucano, Cachoeiroduto e outros escândalos jogados para debaixo do tapete, confirmam que há uma campanha persecutória contra um partido político, o PT, e seus filiados importantes.

É certo que a associação judicial/midiática em ação pretendia levar Dirceu e Genoíno a cometer atos desesperados, como uma fuga do país ou suicídio, ou oferecer generoso espaço para que culpassem outros para livrarem-se, quem sabe atingir Lula… Pretendiam torná-los símbolo da culpa por fraquezas cometidas em esperados atos de medo do encarceramento e do linchamento público incessante a que são submetidos a quase 10 anos.

Dirceu e Genoíno são fortes personagens do país e suas histórias, em algum momento, se confundiram com a brasileira na luta contra a ditadura militar e em defesa da democracia.  Não se prestariam a um papel ridículo, falso e insidioso a que se prestou, por exemplo, Roberto Jefferson, réu confesso de ter desviado R$ 4 milhões em caixa dois de campanha, transformado em novo “herói” da mídia…

Abaixo reproduzimos as notas de Dirceu e Genoíno:

dirceu

CARTA ABERTA DE JOSÉ DIRCEU AO POVO BRASILEIRO

15 de novembro de 2013
“O julgamento da AP 470 caminha para o fim como começou: inovando – e violando – garantias individuais asseguradas pela Constituição e pela Convenção Americana dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário. A Suprema Corte do meu país mandou fatiar o cumprimento das penas. O julgamento começou sob o signo da exceção e assim permanece. No início, não desmembraram o processo para a primeira instância, violando o direito ao duplo grau de jurisdição, garantia expressa no artigo 8 do Pacto de San Jose. Ficamos nós, os réus, com um suposto foro privilegiado, direito que eu não tinha, o que fez do caso um julgamento de exceção e político. Como sempre, vou cumprir o que manda a Constituição e a lei, mas não sem protestar e denunciar o caráter injusto da condenação que recebi. A pior das injustiças é aquela cometida pela própria Justiça. É público e consta dos autos que fui condenado sem provas. Sou inocente e fui apenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha – contra a qual ainda cabe recurso – com base na teoria do domínio do fato, aplicada erroneamente pelo STF. Fui condenado sem ato de oficio ou provas, num julgamento transmitido dia e noite pela TV, sob pressão da grande imprensa, que durante esses oito anos me submeteu a um pré-julgamento e linchamento. Ignoraram-se provas categóricas de que não houve qualquer desvio de dinheiro público. Provas que ratificavam que os pagamentos realizados pela Visanet, via Banco do Brasil, tiveram a devida contrapartida em serviços prestados por agência de publicidade contratada. Chancelou-se a acusação de que votos foram comprados em votações parlamentares sem quaisquer evidências concretas, estabelecendo essa interpretação para atos que guardam relação apenas com o pagamento de despesas ou acordos eleitorais. Durante o julgamento inédito que paralisou a Suprema Corte por mais de um ano, a cobertura da imprensa foi estimulada e estimulou votos e condenações, acobertou violações dos direitos e garantais individuais, do direito de defesa e das prerrogativas dos advogados – violadas mais uma vez na sessão de quarta-feira, quando lhes foi negado o contraditório ao pedido da Procuradoria-Geral da República. Não me condenaram pelos meus atos nos quase 50 anos de vida política dedicada integralmente ao Brasil, à democracia e ao povo brasileiro. Nunca fui sequer investigado em minha vida pública, como deputado, como militante social e dirigente político, como profissional e cidadão, como ministro de Estado do governo Lula. Minha condenação foi e é uma tentativa de julgar nossa luta e nossa história, da esquerda e do PT, nossos governos e nosso projeto político. Esta é a segunda vez em minha vida que pagarei com a prisão por cumprir meu papel no combate por uma sociedade mais justa e fraterna. Fui preso político durante a ditadura militar. Serei preso político de uma democracia sob pressão das elites. Mesmo nas piores circunstâncias, minha geração sempre demonstrou que não se verga e não se quebra. Peço aos amigos e companheiros que mantenham a serenidade e a firmeza. O povo brasileiro segue apoiando as mudanças iniciadas pelo presidente Lula e incrementadas pela presidente Dilma. Ainda que preso, permanecerei lutando para provar minha inocência e anular esta sentença espúria, através da revisão criminal e do apelo às cortes internacionais. Não importa que me tenham roubado a liberdade: continuarei a defender por todos os meios ao meu alcance as grandes causas da nossa gente, ao lado do povo brasileiro, combatendo por sua emancipação e soberania.”

José DirceuJosé Genoíno lutou na guerrilha do Araguaia contra as forças do regime militar. Esta imagem é a que mídia e o STF gostariam de poder reproduzir no JN...

José Genoíno lutou na guerrilha do Araguaia contra as forças do regime militar. Esta é a imagem que a mídia e o STF gostariam de poder reproduzir no JN…

Nota Pública de José Genoíno

“Com indignação, cumpro as decisões do STF e reitero que sou inocente, não tendo praticado nenhum crime. Fui condenado porque estava exercendo a presidência do PT. Do que me acusam, não existem provas. O empréstimo que avalizei foi registrado e quitado.

Fui condenado previamente numa operação midiática inédita na história do Brasil. E me julgaram num processo marcado por injustiças e desrespeito às regras do Estado democrático de direito.

Por tudo isso, considero-me preso político.

Aonde for e quando for defenderei minha trajetória de luta permanente por um Brasil mais justo, democrático e soberano.”

José Genoino

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2 comentários em “Dois Josés e a mesma história de luta contra a arbitrariedade

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