Palavras Diversas

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Consumidor financiará aliança entre a “novidade” e o sistema financeiro?

Agora ao consumir qualquer produto ou serviço e pagar usando cartão magnético na RedeCard, o consumidor estará patrocinando, diretamente, a aliança entre Marina e o Itaú...

Agora ao consumir qualquer produto ou serviço e pagar usando um cartão magnético na máquina da RedeCard, o consumidor estará patrocinando, diretamente, a aliança entre Marina e o Itaú…

A novidade na política é a união de um grande banco, o Itaú, proprietário da Rede Card [agora apenas Rede…], com uma postulante ao cargo de presidente da República.

O novo vem embalado por um rótulo comercial criado para fazer milhões de pessoas registrarem, diariamente, um nome de uma facção política abrigada dentro do PSB de Eduardo Campos e vinculá-la, a partir de peças publicitárias, a uma nova prática comercial.

Marina aposta na diferença para agregar apoiadores, mas sua aliança com o maior banco privado do país que, apesar de ter obtido um lucro líquido de R$ 3,583 bilhões no segundo trimestre, foi responsável por demissões em massa, é uma dissimulada junção com o velho e mal acabado projeto neoliberal.

Segundo o Correio do Povo, o Itaú promove a ampliação do “arrocho nas vagas para emprego nas suas agências, em todo o país.  O Itaú Unibanco demitiu milhares de trabalhadores nos últimos doze meses. A situação se agravou a partir de janeiro deste ano. Somente no Rio de Janeiro, no período de um ano, cerca de 600 bancários foram mandados embora.

A política desumana do banco criou nas agências e nos departamentos um clima de verdadeiro inferno. Os funcionários estão sobrecarregados e com medo de serem os próximos a perder o emprego. Os clientes também têm sofrido com a piora no atendimento por conta das dispensas. E tudo isto é feito sem a menor necessidade, já que o banco está expandindo seus negócios por vários outros países, teve no ano passado o maior lucro já alcançado por uma instituição financeira em toda a América Latina (R$13,3 bilhões) e bateu novo recorde no primeiro trimestre deste ano, obtendo o maior lucro entre os bancos no Brasil: R$3,53 bilhões de lucro no período(…)

O corte tem dois objetivos cruéis. Um deles é reduzir custos a qualquer preço. O outro é criar deliberada e covardemente um clima de terror, um verdadeiro assédio moral coletivo, para manter os funcionários sob pressão, e assim obrigá-los a aumentar ainda mais seu ritmo de trabalho e a venda de produtos. Ambos para engordar ainda mais os resultados bilionários que o banco vem alcançando, afirma, em artigo, o Sindicato dos Bancários.

As recentes críticas que Marina fez ao governo Dilma por não respeitar o sagrado tripé econômico [elevados superávits primários , câmbio flutuante e metas de inflação], mais especificamente do uso da política de juros para combater a inflação e a redução dos investimentos do Estado, estão alinhados com os desejos do gigante do sistema financeiro, que, não coincidentemente, lucra somas exorbitantes com o pagamento dos juros da dívida pública do governo, balizados pela taxa Selic.

Qual “Marina”?

Por todos os recentes movimentos de Marina e a consolidação de seu novo grupamento “socialista”, cabe uma reflexão sobre o que defendia a ex-senadora petista pelo Acre e ex-ministra do meio ambiente de Lula, cargo que ocupou entre 2003 e 2008.

Quais pontos de seus discursos foram transmutados, á luz [ou trevas] dos embates políticos que se sucederam pós saída do governo Lula e do PT, para chegar ao ponto de acesso à direita e suas ligações com o grande capital, patrocinado pela “simpatia” [a troco de que?] dos Setúbal?

Quem já defendeu o trabalhador da floresta contra a exploração desumana dos latifundiários e a existência de perversas relações de trabalho, estipuladas unilateralmente por fazendeiros inescrupulosos que mataram Chico Mendes, contra os interesses do seringueiro e dos povos indígenas, agora alia-se a uma corporação que pune seus empregados com a perda de direitos e de emprego, justamente pelos bons resultados obtidos pelo conjunto de trabalhadores em favor de seus proprietários.

Estes remendos constrangedores de uma história política só se mantém sustentáveis aos olhos da opinião pública porque não é permitido, ao menos nos grandes espaços midiáticos, confrontar a Marina de antes com a Marina de hoje e provocar a discussão que levaria às revelações de um discurso contraditório em sua essência.

E a sustentabilidade do mercado de trabalho dos bancários, Marina, fica em segundo plano, é algo irrelevante? Não está nos programa de seu partido-facção?

Aliar-se ao banco que mais desemprega e arrocha empregados no país não é um bom começo…

Mais que isso, se este processo político tiver sucesso, seu final será ainda pior, mas somente para os trabalhadores, do setor financeiro e, consequentemente, de todo o mercado de trabalho, já que o meio corporativo tende a incorporar modelos de gestão em seus negócios onde vê prosperar o lucro.

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2 comentários em “Consumidor financiará aliança entre a “novidade” e o sistema financeiro?

  1. Pingback: Contrariar agências de risco e seus repetidores é preciso | Palavras Diversas

  2. Essa mulher só está faltando vender a alma para o diabo, para poder concorrer a Presidência da República.

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