Palavras Diversas

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Porque Dilma vence a eleição

Protestos de junho foram oportunidade única para Dilma impor agenda progressista ao seu governo. Oposições não se encontram e se perdem no atraso de discursos velhos

Protestos de junho foram oportunidades únicas para Dilma impor uma exitosa agenda progressista ao seu governo. Presidenta é favorita para 2014 e oposições se encontram presas no atraso de discursos e personalidades velhas

Algumas constatações, de momento, projetadas para o futuro, me levam a crer na vitória de Dilma em 2014.

Apesar da fragilidade da área responsável para mobilizar apoios políticos, no Parlamento e na sociedade civil, Dilma deve vencer seus adversários, já conhecidos do eleitor brasileiro.

O governo Dilma chacoalhou-se após os protestos de junho e, com justiça, para melhor.  Os apelos das ruas foram a grande oportunidade para o governo sair de uma acomodação perigosa nos braços de uma ala conservadora da coalizão.  Apesar dos altos índices de popularidade e de intenção de votos até maio passado, de nada adiantaria vencer jogando feio e pelos lados do atraso fisiológico que ganhava cada vez mais espaços dentro do Planalto.

Dilma estreitou suas relações com os movimentos sociais, não se pautou pela mídia e estabeleceu uma agenda propositiva, como as exitosas articulações no Congresso pela aprovação dos royalties do petróleo para a educação[75%] e saúde[25%] e o estabelecimento do programa Mais Médicos.  As imagens de Dilma e do PT saíram-se fortalecidas após a imposição destas agendas vitoriosas.  Atualmente as pesquisas de opinião conferem legitimidade ao programa que leva médicos ao interior e às periferias e alavancam Dilma para 2014, com grande potencial de crescimento nas próximas sondagens.

Mas um jogo não é jogado só por um dos competidores.

O que faz de Dilma ainda mais promissora eleitoralmente, além de sua capacidade de reinventar-se e postar-se ao lado de aspirações genuínas da sociedade, é a incapacidade medonha de seus adversários em conseguir fazer o mesmo que ela conseguiu: reinventar-se e renovar-se.

É preciso dar o devido “mérito” a imprensa hegemônica, ao PSDB, PPS, DEM, Marina, PSOL e demais articuladores oposicionistas pela reabertura da avenida de grandes oportunidades que se abriram para Dilma no pleito de 2014.

Mais do mesmo…

A imprensa pinta um cenário de crise, política, econômica e social insuportáveis para o Brasil de hoje e, muito pior, para o Brasil de amanhã. Desconsideram, com desprezo à razão de sua audiência, que o brasileiro não percebe o Brasil da maneira que, mal e porcamente, ilustram. Apesar, de algumas questões necessitarem ser aprofundadas ou aprimoradas por todas as esferas de poder, o país vai bem, obrigado. Dados sócio-econômicos desmentem panfletos políticos disfarçados de análises que a opinião publicada tenta emplacar em seus noticiários fraudados.  A realidade passa ao largo das manchetes de alguns veículos de comunicação, notadamente filiados ao conservadorismo e contumazes críticos do governo Dilma, inclusive de seus acertos, sem nenhum pudor.

Jogando o jogo da desinformação dolosa, a grande imprensa levanta desconfianças de sua atuação junto a sua própria audiência, que não mais compra tudo aquilo que propagam como verdades absolutas.   Atingem, é verdade, um nicho conservador que vai se consolidando, mas que é incapaz de mobilizar o povo em nome de suas bandeiras políticas e econômicas, que, diga-se de passagem, penalizam a maioria.

A oposição move-se capitaneada por um senador mineiro, radicado no Rio de Janeiro, que não apresenta novas propostas para o país.  Aécio Neves, em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos, é aconselhado por seus tutores partidários a recorrer ao velho ideário neoliberal, responsável pela ruína do PSDB e de seus aliados.  Seus mentores políticos são velhos conhecidos do povo brasileiro.  Muitos deles tiveram papeis importantes no governo FHC e hoje posam de “mensageiros da novidade”, trazendo à cena velhas fórmulas, via programa tucano…

Marina Silva não apresenta o novo, posta-se sobre um muro que não a credencia, nem como opositora, tampouco como continuidade.  A ex-senadora do PT, mantém-se onde está por conta do recall das últimas eleições presidenciais, mas não consegue alçar voos em direção a um projeto diferente “de tudo o que está aí”… Muito pelo contrário, ao aliar-se e ser financiada por agentes do sistema financeiro, como a família que controla o banco Itaú, Marina mostra que a esperança de mudança não passa pelo seu programa político, que ninguém sabe ao certo do que se trata, assim como é mistério seu partido “apartidário”.

Os demais não são relevantes o suficiente para embolar a competição e não surgem como alternativas.  Não existe o “novo” do outro lado do front.

Aí está o centro da questão que me faz acreditar na vitória de Dilma, mesmo com seus erros na articulação política até recentemente: não há o novo que a confronte.

Os adversários da presidenta são representantes do atraso, do velho, da oportunidade travestida de “novidade”… Os personagens que ora se insurgem contra Dilma e o PT não se identificam com os anseios da maioria do povo brasileiro e vice-versa.  Representam, poucos, conservadores e entreguistas.  Os nomes destes são os mesmos de alguns anos para cá: Aécio Neves, FHC, Marina Silva, José Serra, PSDB, Miriam Leitão, Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor… As oposições, política e midiática, mesmo com a chegada de Eduardo Campos para reforçar-lhes o escrete, não se renovaram, não se reinventaram e, pior, continuam apostando em um centro político derrotado, reiteradamente desde 2002.  Lembram aquele jogador de futebol contestado, que quando é escalado, já entra em campo sob vaias e desconfianças de sua própria torcida.

A genialidade política de Lula

Aponto mais uma questão importante para o favoritismo da presidenta: Dilma e o PT ainda representam o novo e precisam continuar renovando-se e reinventando-se para trilhar este rumo com sucesso.  Perceberam erros grosseiros de distanciamento programático e procuraram acertar os ponteiros com suas bases históricas no sindicalismo e a sociedade organizada, no campo e nas cidades.

Lula foi genial ao propor Dilma em 2010, Haddad em 2012 e Padilha em 2014, pois oxigenou seu partido e apresentou novos participantes de uma disputa política que, para manter sua equipe como hegemônica, necessita de personagens novos para manter o sopro de mudanças que o país experimenta.

Lula deu o ponta pé inicial para a renovação política do PT em 2010 e, como em um grande time de futebol, repôs jogadores em alto nível.

As oposições demonstram fadiga de material e que, também, não possuem elenco competitivo para manter-se na briga com fôlego suficiente para tentar uma virada.  Já entram em campo com validade vencida e sem ser capazes de mobilizar seus apoiadores com entusiasmo, por isso a constante aposta em um sentimento coletivo de derrota e do “quanto pior, melhor”, teses que nivelam o embate por baixo.  Mas isso, só funciona quando a audiência acredita em tais artifícios…

p.s. Ao contrário do que crê Merval Pereira, conforme uma de suas últimas colunas em O Globo, este blog não recebe qualquer recurso público para defender as escolhas políticas que aqui faz, de acordo com o teor dos textos publicados.  O imortal colunista, pretenso tutor do STF, imagina que todos pratiquem jornalismo à sua semelhança: a troco de alguma remuneração para fazer considerações políticas, como bem faz para atacar governos que contrariem os interesses do patrão.

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7 comentários em “Porque Dilma vence a eleição

  1. florencio1
    27/04/2014

    Republicou isso em Florencio1's Blog.

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  2. diversaspalavras
    02/10/2013

    Caros amigos, pelo grupo que apóia Marina e pelo estardalhaço que setores conservadores da imprensa estão fazendo em nome dela, creio que ela já comprometeu qualquer possibilidade de ser uma candidata independente, sem ligações com estes grupos. Não me iludo com nomes, mas com agrupamentos majoritários que apoiam uma candidatura. A família proprietária do Itaú financia Marina, seu partido não diz a que vem e sua afirmação de que a Rede é um partido “apartidário” é de uma pobreza política enorme. Sentar-se sobre o muro não lhe trará grandes possibilidades ano que vem. Não se enganem: 2014 terá tudo para ser uma das campanhas mais sujas dos últimos anos e, havendo segundo turno, é possível que todos se unam contra Dilma.

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  3. A Marina Silva tem primeiro que abrir a boca e falar. A mulher não fala nada, então imagina se ela for expor seu programa de governo como vai ser? A mulher não abre a boca.
    Mais o restante que foi descrito acima eu já sabia, pois essa direitona com seus personagens não tem nada de novo para propor ao Povo Brasileiro isso é fato.

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  4. João guilherme
    01/10/2013

    Talvez,Marina silva possa acrescentar e elevar o nível do debate,mas perderá o discurso si se aliar há certas figuras como o próprio texto diz,fadiga…

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