Palavras Diversas

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Partidarização e manipulação midiática: corrupção tucana embaixo do tapete

Revista Veja pratica desavergonhado jornalismo panfletário.  A capa em que fazia alusão a "segredos de Valério", poderia ser feita para perguntar o mesmo sobre a Siemens, não é mesmo? Mas a Carta Capital já provou que esse tipo de comportamento não aconteceria no semanário dos Civita...

Revista Veja pratica desavergonhado jornalismo panfletário. A capa em que fazia alusão aos “segredos de Valério”, poderia ser adaptada para perguntar o mesmo à Siemens, não é mesmo? Mas a Carta Capital já provou que esse tipo de comportamento não aconteceria no semanário dos Civita…

O leitor e a audiência dos grandes meios de comunicação são imaginados como seres ingênuos ou desatentos, logo pessoas que não se preocupariam em checar as informações que recebem ou possuírem a capacidade de analisar, criticamente, o noticiário que lhes é entregue.

A máxima que se quer impor é: saiu na imprensa, é verdade!

Mas não seria melhor adaptar esta pretensão fraseada, para uma realidade mais atual? Algo como “saiu na GRANDE imprensa, é A NOSSA verdade”.

O forte bloqueio editorial criado para impedir que o escandaloso caso do propinoduto tucano de São Paulo, já apelidado pela imprensa desobediente, aquela que ousou furar este bloqueio, e pelas redes sociais de “Trensalão” é um forte indício da crença dos velhos “formadores de opinião”na incapacidade de seus leitores compreenderem a realidade em que vivem e serem, facilmente, manipulados.

As revistas Veja e Época, as de maiores de vendagens, ainda que em números descendentes, tem chegado ao cúmulo de combinarem manchetes para não ter que dar a notícia e criar outras mais “interessantes” para entreter seus assinantes.

Ignoram, solenemente, o mar de lama em que se encontra a cúpula tucana.  A revista Isto É conseguiu chegar ao ponto mais nebuloso da corrupção tucana e as suas recentes revelações dos desvios de verbas públicas, que já chegaram a casa dos R$600 milhões, apontam para uma teia de corrupção que une a lista de furnas e a compra dos votos para a reeleição de FHC.

O que já foi apurado até este momento é gravíssimo, mas tirando algumas poucas matéria veiculadas na TV, o caso é mantido em banho maria nas redações das maiores empresas de comunicação do país.  Nenhum artigo histérico pedindo investigações por parte do Ministério Público foi exigido pelos articulistas globais, da Veja, Época, Folha de São Paulo…

Uma das últimas revelações da Isto É, mostra que o PSDB tem uma conta em paraíso fiscal, carinhosamente chamada de “Marília”, que já movimentou cerca de R$64 milhões de reais, de forma ilegal e por onde teriam transitado propinas e recursos gerenciados por homens de confiança do governo Mario Covas, em São Paulo, e até do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Expediente usado por Veja e Época: lançar capas duras contra adversários ou manchetes que fujam do assunto para proteger seus aliados...

Expediente muito usado por Veja e Época: lançar capas duras contra seus adversários ou manchetes que fujam do assunto de outras publicações para proteger seus aliados…

É preciso fazer algumas ressalvas.  O estadão tem publicado matérias a respeito, só não tem dado o devido destaque que um escândalo desta magnitude merece, nem tampouco estampado o nome do partido envolvido em sua capa.

Na TV, a Bandeirantes veiculou reportagem tratando do assunto e apresentando nomes, mas ainda é pouco.

No mais o que se percebe é uma cobertura branda, descontinuada e que apresenta Geraldo Alckmin, José Serra, FHC e outros integrantes do PSDB, como vítimas da denunciante, a Siemens…

Roberto Jefferson, réu confesso de ter recebido dinheiro de caixa-dois em nome de seu partido, foi elevado a herói destemido ao criar a fábula do mensalão e até hoje está esquecido das pautas da imprensa hegemônica, vive tranquilamente sem ser incomodado.  A Siemens, que agora exerce o mesmo papel que já foi de Jefferson, em relação ao caso que envolve o PSDB, é mostrada como nada confiável e chantagista… Pesos e medidas distorcidas, bem oportunas para cada momento.

A ocorrência de fatos, no mínimo suspeitos, como o da fuga de um senador boliviano, perseguido pela justiça daquele país, orquestrada e executada por um desobediente diplomata brasileiro e uma rede ainda desconhecida de sabotadores; a inacreditável vitória parlamentar de um deputado condenado a prisão por corrupção em votação na Câmara Federal; somados ao esforço da grande imprensa em ocupar todos os espaços possíveis com a cobertura dos julgamentos dos recursos do mensalão, fazem com que as denúncias de desvios de dinheiro público dos governos paulistas desapareçam ou sejam soterradas por estas pautas emergentes.

O leitor pode esquecê-las, rapidamente…

Estes assuntos citados são importantes e devem, também, ter tratamento de notoriedade por parte da imprensa, assim como o que a Isto É revelou e continua revelando, semana após semana, munida de documentos e evidências, quase que sozinha, sem despertar o interesse de seus pares na imprensa.

Não lhes parece, no mínimo estranho este comportamento? Chamo de conivência.

Ou o que dizer da censura pública que sofreram Ricardo Noblat, de O Globo, por parte de sua colega de púlpito conservador, Miriam Leitão, e o jornalista Jorge Pontual, na Globo [old] News, por defenderem a chegada de médicos cubanos ao Brasil.  No caso de Pontual, por fazer elogios explícitos ao sistema de saúde cubano, ao reconhecimento internacional do trabalho dos médicos da ilha e dos ótimos índices de expectativa de vida e de controle da mortalidade infantil que Havana consegue manter estáveis, apesar do bloqueio imposto pelos Estados Unidos há mais de 50 anos.  Colocaram Eliane Cantanhede em destaque para ofuscá-lo…

Livro de Palmério Dória, "Príncipe da Privataria" é mais um sério candidato a best seller e também a ser renegado pela grande imprensa

Livro de Palmério Dória, “O Príncipe da Privataria” é mais um sério candidato a best seller e também a ser renegado pela grande imprensa

Partidarização na publicação de livros

A partidarização agressiva também ocorre na produção de livros para combater publicações que desagradam o grupo político-midiático mais conservador.

O Best seller “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr. Foi praticamente ignorado pela mídia hegemônica e não obteve espaço para ser divulgado nos grandes meios de comunicação, mas, assim mesmo, é um campeão de vendas.  Mas para neutralizá-lo e, também, anular seu arsenal de documentos públicos que provam os graves ilícitos denunciados, foram lançados dois títulos, Um do próprio FHC, “a soma e o resto – um olhar sobre a vida aos 80 anos “, para servir de auto louvação a seu governo. O outro foi Merval Pereira, intitulado “Mensalão”, uma coletânea de artigos do imortal da ABL, publicados em O Globo, para jogar sobre o STF, mais pressão na hora do julgamento e desviar o foco das investigações de Amaury Ribeiro Jr.  Mas a publicação de Merval vendeu menos que o de Paulo Moreira Leite, “A Outra História do Mensalão”, que apresentou trabalho mais consistente sobre os erros cometidos pelos ministros da mais alta corte do país, durante o julgamento mais midiático da história do STF, em que foi transformado o processo AP-470.

Esta semana chega às livrarias o ”Príncipe da Privataria”, do jornalista Palmério Dória, que promete escancarar os bastidores do governo FHC e os desvios ocorridos durante o processo de privatizações do governo tucano para comprar a sua reeleição.

O livro que um jornalista da Veja, Otávio Cabral,  elaborou sobre uma biografia não autorizada de José Dirceu, “Dirceu, A Biografia”, ou o de José Neumane Pinto sobre “O que sei de Lula” são incapazes de apresentar informações consistentes e fatos evidenciados para desmerecer o valor literário de o “Príncipe da Privataria”. Aliás,  Cabral teve que pedir uma nova edição com correção de informações não confirmadas, baseadas tão somente em relatos de detratores de Dirceu, belo exemplo da atual produção editorial partidarizada, ao estilo Editora Abril.

O fato é que todos os livros que apontam suspeitas ou apresentam apurações sólidas e coesas, são ignorados, jogados embaixo do tapete da grande imprensa, em uma tentativa desesperada de evitar que o grande público tome ciência dos fatos narrados, analisados e, em alguns casos, comprovados por farta documentação.

Movimentos grosseiros de manipulação midiática

Os movimentos que adulteram o noticiário são cada vez mais grosseiros, partidários e constrangedores, para suas equipes jornalísticas, para a sociedade e para a democracia.

Certa vez a revista Veja, expoente do denuncismo de forte viés político, publicou em sua capa que Lula teria milhões de dólares em uma conta corrente secreta no exterior, sem apresentar qualquer prova ou indício daquilo que publicava na capa de uma de suas edições, apenas as palavras de uma fonte que não se identificava.  Agora se presta ao mais comum de seus papeis em tempos de decadência financeira e editorial, estampa matérias sobre dicas de saúde para tentar encobrir as denúncias que a Isto É e as redes sociais fazem contra seus principais financiadores, o governo do tucano de São Paulo…

Eles creem, firmemente, que são capazes de transformar uma mentira em uma verdade e de manipular os corações e as mentes de sua audiência sem riscos de serem pegos em flagrantes contradições editoriais.

*publicado originalmente em 5 de setembro de 2013.
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