Palavras Diversas

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Oposição à médicos cubanos tem a mesma origem de outros conflitos políticos

Grupos contrários ao programa do governo Dilma para atrair médicos para a periferia e o interior é composto por insensíveis

Grupos contrários ao programa “Mais Médicos”, do governo Dilma, é composto por insensíveis profissionais.  Reação retrógrada tem a mesma origem que aquelas que condenam o Bolsa Família, por exemplo…

A reação agressiva e intimidadora de setores da sociedade, apoiados pela imprensa conservadora, contra a chegada de médicos cubanos e em favor de interesses corporativistas, nada mais é do que um comportamento recorrente de grupos sociais e políticos que não se conformam com a ação do Estado em favor de quem dele mais precisa.

Estas pessoas se acostumaram a ter o Estado gerido pelos seus pares e em favor de seus proveitos.

Associações de classe e sindicatos emitiram notas petulantes ameaçando o programa “Mais médicos” do governo federal, mas não fazem o mesmo sobre o descaso com a saúde pública ou o descompromisso escandaloso de médicos que deixam hospitais, clínicas e postos de saúde públicos, sem nenhum atendimento.

Não são raros os casos de médicos que faltam a plantões do SUS para dar serviço em instituição de saúde privadas.

Priorizam o lado financeiro em detrimento de seus compromissos sociais.

Isto não não sensibiliza a imprensa, nem tampouco conselhos e sindicatos ao ponto de darem um basta a uma situação que beira a calamidade em algumas regiões do país.

A corporação médica não é capaz de ir onde o povo necessita de seus serviços.  Não são obrigados a ir, mas não têm o direito de tentar impedir quem quer ir, como os médicos estrangeiros que o governo decidiu importar.

Cuba vai enviar 4 mil médicos até dezembro, 400 já chegaram e o que se vê, neste momento, é o cultivo de um clima de histeria e terror por parte de quem deveria agir para ajudar na solução do problema.

O que ocorre é, novamente, a materialização do pensamento retrógrado daqueles mesmos que se posicionam contra o Bolsa Família, a ampliação dos direitos das empregadas domésticas, a adoção de cotas sociais e raciais nas universidades públicas, a política de juros baixos, a reforma política através de um plebiscito popular, os recursos impetrados no STF no julgamento do mensalão, contra Vargas, Juscelino, João Goulart, Lula e Dilma.

Não é coincidência que esta turma se manifeste estrondosamente contrariada pela chegada de médicos cubanos, também sejam contra tudo aquilo que beneficia a maioria do povo brasileiro e reclame sua parte maior no bolo.

Estes grupos não se revoltam com os gastos astronômicos do governo para pagar os juros da dívida pública, o bolsa banqueiro, escandalosa usurpação de recursos públicos para benefício de poucos, que retira centenas de bilhões de reais em verbas da saúde e da educação públicas.

Não se incomodam com a situação precarizada de trabalhadores mal remunerados, subempregados ou em condição de trabalho escravo, pois preferem deixar que esses setores sejam regidos pela mão invisível do mercado, sem a interferência do Estado.

Não estavam nem aí se o ensino público superior era elitizado e oferecia poucas oportunidades aos mais pobres.

Preferem manter uma legislação eleitoral desastrosa que possibilita que as eleições continuem sendo dominadas pelo abuso do poder econômico e gerando resultados distorcidos que favorecem a poucos e a seus muitos interesses inconfessáveis.

Não se sensibilizam com a fome de milhões e se prestam, ridiculamente, a depreciar a miséria daqueles esquecidos pelo Estado. Chamam de esmola ação social emergencial.

A reação à chegada dos médicos de Cuba é mais uma manifestação preconceituosa, insensível e mesquinha destes grupos que agem em nome de seus próprios interesses e se incomodam com o bem estar da maioria.

A elite brasileira, amplificada por seus aparelhos político e midiático, berra contra o povo brasileiro neste novo episódio de intolerância, nitidamente.

Na verdade, não bradam contra os cubanos em defesa de nossa soberania ou de uma categoria profissional, mas revelam seus desprezos para com os direitos de assistência médica do povo que não dispõe de médicos brasileiros que queiram atendê-los no seu dia a dia, isso não os escandalizam…

Apoio popular

Segundo a última pesquisa Datafolha, 54% dos entrevistados aprovam a contratação de médicos estrangeiros, a tendência é que esta ação ganhe mais apoio com o seu desenrolar.  Também não será nenhuma surpresa de que também este programa seja combatido ainda mais vigorosamente por seus opositores.

Juramento de Hipócrates

Os médicos brasileiros e suas associações de classe que se opõe ao exercício dos colegas cubanos em favor dos que mais necessitam de assistência médica, estão negando o juramento de Hipócrates:

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte com boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário.”

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