Palavras Diversas

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A parcialidade da Mídia II: “Globogate” e propinoduto tucano ignorados

Globo omite escândalo milionário de desvios de dinheiro público dos tucanos em São Paulo e não está sozinha nisso... Grande imprensa seleciona casos de corrupção para publicar

Globo omite, dolosamente, escândalo milionário de desvios de dinheiro público praticado pelos tucanos em São Paulo, mas não está sozinha nessa… Grande imprensa pratica partidarismo midiático

Que a grande imprensa brasileira pratica jornalismo investigativo seletivo, isto já não é mais novidade.

Está ao alcance da audiência e do leitor um pouco mais atento, todo o manancial da parcialidade escancarada praticada pelos principais meios de comunicação do país.

Escândalos tem sido, sumariamente, escondidos do noticiário, se estes envolvem aliados políticos ou a própria corporação midiática.

Os exemplos recentes desta deslavada ação partidária foram os casos da sonegação bilionária da Globo e do propinoduto tucano, que teria desviado cerca de R$450 milhões dos cofres públicos de São paulo.

“Globogate”

As notícias sobre a Globo foram poucas e espaçadas nas edições de jornalísticos [jornais e internet], sem nenhum destaque e aprofundamento das apurações, nos espaços midiáticos ou mesmo do Ministério Público[!].

Abaixo um trecho de um post publicado aqui:

“Segundo o que foi apurado, a emissora da família Marinho, teria pago R$274 milhões de multa ao fisco brasileiro, referentes a sonegação fiscal da compra dos direitos da copa do mundo de 2002.  O valor total dos débitos alcançaria, corrigidos neste período, cerca de R$1,2 bilhão de reais!  Os indícios apontam também para o crime de evasão fiscal, com a abertura de uma empresa de fachada, a Empire, nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal e paradeiro mundial de dinheiro de origem suspeita.

Nada mal, não?  Um furo espetacular, escândalo para abalar as estruturas de uma das maiores empresas de comunicação do planeta e detentora de quase 60% da verba publicitária brasileira destinada ao setor.

Mas a imprensa calou-se, sentou em cima da gravidade dos fatos.  Assim como fizeram no caso do escândalo da Veja/Cachoeira/Demóstenes Torres/Marconi Perillo… Modo operante do corporativismo midiático acima de tudo, até mesmo da função maior de informar à sociedade.”

A imprensa segue calada, protegendo a Globo e, também, se precavendo de futuros problemas desta espécie.

A Record e a blogosfera independente tem tentado romper a barreira do silêncio imposta pela corporação de mídia, mas não tem sido fácil enfrentar empresas que controlam mais de 80% de conteúdo que é produzido jornalisticamente no Brasil.

Propinoduto tucano

Outro exemplo deste doloso serviço de desinformação e manipulação prestados pela imprensa hegemônica é omissão do grave escândalo de desvio de recursos públicos do governo tucano de São Paulo, tradicionais aliados políticos da imprensa conservadora.

Apenas a revista Isto É tem se dedicado a apresentar para a sociedade o tamanho do rombo da corrupção dos governos do PSDB.  Uma massiva cobertura de toda a imprensa, devido a gravidade dos fatos, logo após as grandes manifestações que mobilizaram o país, poderia destruir as bases políticas do tucanato e seus aliados mais próximos, não só em São Paulo, mas em todo o país.  Estes malfeitos ocorrem desde quando Mário Covas governava o estado mais rico do Brasil e continuaram ocorrendo nas gestões de Geraldo Alckmin e José Serra, dois grandes caciques tucanos.

Confira trecho da matéria de Isto É:

“As provas oferecidas pela Siemens e por seus executivos ao Cade são contundentes. Entre elas, consta um depoimento bombástico prestado no Brasil em junho de 2008 por um funcionário da Siemens da Alemanha. ISTOÉ teve acesso às sete páginas da denúncia. Nelas, o ex-funcionário, que prestou depoimento voluntário ao Ministério Público, revela como funciona o esquema de desvio de dinheiro dos cofres públicos e fornece os nomes de autoridades e empresários que participavam da tramoia. Segundo o ex-funcionário cujo nome é mantido em sigilo, após ganhar uma licitação, a Siemens subcontratava uma empresa para simular os serviços e, por meio dela, realizar o pagamento de propina. Foi o que aconteceu em junho de 2002, durante o governo de Geraldo Alckmin, quando a empresa alemã venceu o certame para manutenção preventiva de trens da série 3000 da CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos). À época, a Siemens subcontratou a MGE Transportes. De acordo com uma planilha de pagamentos da Siemens obtida por ISTOÉ, a empresa alemã pagou à MGE R$ 2,8 milhões até junho de 2006. Desse total, pelo menos R$ 2,1 milhões foram sacados na boca do caixa por representantes da MGE para serem distribuídos a políticos e diretores da CPTM, segundo a denúncia. Para não deixar rastro da transação, os saques na boca do caixa eram sempre inferiores a R$ 10 mil. Com isso, o Banco Central não era notificado. “Durante muitos anos, a Siemens vem subornando políticos, na sua maioria do PSDB, e diretores da CPTM.”

A grande imprensa está consumando um esquema de proteção jornalística, sem qualquer constrangimento, a seus “amigos” políticos e se omitindo a investigar ou tecer qualquer comentário a respeito destes crimes.  Pior, estão se negando a cumprir uma função social de grande relevância, que é oferecer ao seu público, informação imparcial e relevante.

Da mesma forma, a grande imprensa está despindo-se de sua ética, sem nenhum pudor, a frente de uma surpresa audiência.  Os movimentos de agora não são mais discretos, como já foram um dia.

Mas e se o escândalo tivesse ocorrido no governo federal?  Nem é preciso imaginar como as tintas seriam carregadas… Aliás, creio que desvios desta natureza mereçam, de fato, editoriais e edições pesadas, aprofundadas até a raiz da questão.  Mas não é o que se vê para todos os lados.

Nem Jabor, Merval Pereira, Alexandre Garcia, Reinaldo Azevedo, Eliane Cantanhede ou Miriam Leitão e congêneres, esbravejam sobre estes ocorridos, calam-se e destroem, mais um pouco, suas carcomidas credibilidades.

Se observar bem, você leitor, perceberá que não existe mais motivos para crer na informação que lhe é entregue diariamente pelos maiores grupos de comunicação do Brasil.

O partidarismo tomou conta das redações Globais, Vejais, Folhais, Estadais e similares, há muito tempo…

Perde-se a imprensa, perde, muito mais, a democracia.

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