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Dilma desautoriza Temer, mas plebiscito e coalizão são fragilizados

Michel Temer tem agido para derrotar Dilma sobre a reforma política entre a base de apoio do governo. Parlamentares de seu partido afirmam que Temer não lidera bancada do PMDB...

Michel Temer tem agido para derrotar Dilma na proposta da reforma política na base de apoio do governo. Parlamentares de seu partido afirmam que Temer não lidera bancada do PMDB…

A proposta de Dilma sobre o plebiscito da reforma política transparece interesses distintos, isso ninguém mais duvida.  O tabuleiro tem se modificado rapidamente e os movimentos são cada vez mais ruidosos, que comprovam uma disputa política acirrada dentro do Palácio do Planalto.

A oposição partidária e midiática já se manifestou, abertamente, contrária a ideia de se realizar uma consulta popular para fazer valer pontos importantes da reforma política já em 2014.  Aécio Neves, líder do PSDB, e Eduardo Cunha, da bancada do PMDB do Rio de Janeiro, consideram a sugestão do governo inoportuna, apesar dos apelos populares.

As posturas pessimistas e de pouco caso com que Renan Calheiros, presidente do Senado e Henrique Alves, presidente da Câmara, ambos do PMDB, receberam a mensagem da presidenta ao Congresso, já dava sinais de que o núcleo mais ao centro do governo não aceitara o aceno de Dilma para atender os pedidos vindos das ruas, sem passar pelo rito parlamentar tradicional.

Mas nada suplanta a atuação desastrosa do vice-presidente Michel Temer.  Cético e trabalhando para enterrar o pacto ofertado pelo governo, Temer superou-se ao chamar a imprensa para afirmar que a proposta do plebiscito havia sido posta de lado para 2013 e que os esforços seriam para incluir a consulta ao povo apenas no segundo turno das eleições do ano que vem.

Temer falou em nome do governo!

Dilma o fez recuar e rever o que havia dito… O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, do PT, foi escolhido para fazer o remendo deste desencontro.

Dilma parece contar com apoio do PT [com alguns ministros ineptos], PC do B, setores do PDT e certo descolamento do PSB nestas discussões.  O PMDB tenta atrair o PP para derrotar o núcleo do governo na questão da reforma política.  Mas a tensão pode provocar ruptura, lenta e gradual da coalizão que sustenta a presidenta no Congresso.

Segundo o portal Ig, Temer joga claramente contra o governo e que não tem liderança sobre a bancada de seu próprio partido:

“As idas e vindas sobre a reforma política e sobre a realização do plebiscito explicitaram a falta de sintonia entre a presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, que tem trabalhado contra a proposta anunciada pelo governo federal como uma das respostas às manifestações realizadas nas principais cidades.
 
A sensação ganhou mais força na semana passada, quando o vice-presidente deixou claro que não havia sido consultado sobre a proposta de criar uma constituinte específica para a reforma política.

Constitucionalista, Temer considerou a proposta conflitante com a Constituição Federal, declaração que contribuiu para inflar as críticas contra Dilma e fazê-la recuar.

Mesmo assim, Temer foi além, ao se reunir com líderes da base na Câmara para discutir a proposta de Plebiscito e, ao final, dizer que era “temporalmente é impossível” fazer um plebiscito para alterar as regras da política já para as eleições de 2014.

A declaração rendeu ao vice-presidente um telefonema da própria presidente Dilma Rousseff que estava em viagem à Salvador. Após a ligação, a assessoria divulgou nota na qual Temer diz que essa posição relatada por ele expressava a “opinião de alguns líderes da base governista na Câmara”. A assessoria do vice-presidente não confirma, no entanto, o telefonema.

(…)Um peemedebista da Câmara, em reservado, acusa o vice-presidente de nenhuma interlocução com a bancada e por isso sem condições de “entregar a mercadoria que promete” ao Planalto.”

A posição firme da presidenta em desautorizar Temer foi necessária e apropriada. O governo precisa ser convincente sobre suas intenções e passar a sociedade que este delicado tema conta com seu apoio.  Recuar, sem esgotar todas as possibilidades, significaria um desgaste ainda maior na confiança do brasileiro para com o governo.

Após mais uma batalha travada, justamente entre aqueles que deveriam construir as saídas democráticas para o atual momento político, o vice-presidente saiu-se com uma nota cheia de disse-me-disse:

“A minha declaração sobre a realização do plebiscito da reforma política relatou a opinião de alguns líderes da base governista na Câmara, em função dos prazos indicados pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral] para a consulta popular. Embora reconheça as dificuldades impostas pelo calendário, reafirmo que o governo mantém a posição de que o ideal é a realização do plebiscito em data que altere o sistema político-eleitoral já nas eleições de 2014”.

As perspectivas de vitória desta proposta no Congresso se mostram improváveis a cada demonstração de que a luta travada no Planalto é real e árdua.  Isto trará repercussões para o desenrolar da reforma política, nada animadoras para Dilma e para a sociedade.  Mas a disposição de Dilma de encarar a disputa política, joga para cima dos opositores e sabotadores de seu governo o ônus de terem negado ao povo brasileiro a oportunidade de decidir sobre tão importante assunto.

Por outro lado, expõe uma contradição desta coalizão:  o governo é limitado por seus próprios aliados, que derrotam o executivo em matérias importantes no parlamento.

Fica a pergunta: de que vale construir arco de apoio parlamentar com partidos que não assumem o conteúdo programático do governo? Será que valerá concorrer em 2014 com uma aliança tão díspar?  Não seria este, também, o momento adequado para o rearranjo das forças políticas progressistas visando as próximas eleições?

Penso que esta correlação de forças dentro do governo deveria ser pactuada, imediatamente, para garantir a governabilidade até o final do atual mandato, mas liberada para aqueles que quiserem postular a participação em outros campos ou construir suas próprias alternativas eleitorais.  Os que quisessem permanecer deveriam trabalhar pela construção de uma aliança consistente e fiel ao plano de governar o país com mais justiça e inclusão sociais.

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2 comentários em “Dilma desautoriza Temer, mas plebiscito e coalizão são fragilizados

  1. Maria Regina de Sá
    05/07/2013

    Quando o presidente da Câmara e do senado utilizam de aviões da FAB para viagens nada convencionais ou ligada ao interesse do povo e no meio do turbilhão do acorda Brasil, significa que eles têm certeza de que tudo será como antes. Este movimento imbecil de acorda Brasil está cada vez mais claro pra que veio. Por que a turba não manifesta agora para desratizar o congresso e o senado? O gigante continua roncado e só forças midiáticas para acordá-lo. Haja estômago

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  2. sebastião leme alves lima
    04/07/2013

    agora a coisa vai pegar fogo ,esta na hora da onça beber agua . AVISO AO PMEDB ; nossa presidente não gosta de falar muito , ELA GOSTA É DE AGIR

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