Palavras Diversas

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Intrujice do Datafolha: a paixão em detrimento da razão

Povo aprova, em sua grande maioria, proposta de Dilma para realização de plebiscito da reforma política

Povo aprova, em sua grande maioria, proposta de Dilma para realização de plebiscito para a reforma política [clique na imagem para ampliar]

O Datafolha colocou uma pesquisa nas ruas para avaliar a popularidade da presidenta Dilma.  Nada de anormal, não fosse o fato de que o fez novamente 3 semanas após ter realizado uma outra, coincidentemente, antes dos protestos.  Não achou necessário esperar a acomodação do sentimento coletivo sobre os fatos ocorridos. Ou seja, qualquer instituto de pesquisa sabe que as pessoas pensam melhor com a razão e não com a paixão.  O Datafolha explorou a paixão do momento…

Neste período, entras as duas pesquisas realizadas, a avaliação do governo caiu.

Mas a queda deu-se acentuadamente entre os mais ricos, mais escolarizados e mais jovens, segundo os gráficos do próprio Datafolha.

Foram justamente estes extratos da sociedade que saíram as ruas “contra tudo que está aí”.

Mas o instituto de pesquisa da Folha de São Paulo, desconsiderando que a onda de protestos se pautou, também, pelo descontentamento contra todos os políticos e governos, em todas as esferas de poder, resolveu escolher somente Dilma para crucificar nos índices divulgados hoje.

Não há menção na pesquisa sobre governadores, prefeitos ou sobre a corrida presidencial.  O foco foi somente sobre a presidenta e seu governo.

O Datafolha parece ter escolhido esta semana ao perceber a diminuição dos protestos pelo Brasil, considerando o número de manifestantes nas ruas, para fazer tal apuração.  Se as manifestações diminuíssem ainda mais a crista da onda seria perdida e poderia não mostrar os números de agora.  Passado o estrondo, a razão costuma se sobrepor ao furor da sociedade e as coisas passam a ser melhor colocadas e respondidas.

O fato é que, sem dúvida a popularidade da presidenta cairia, assim como de todos que estão governando e outros políticos à procura de mandato, as manifestações já haviam dado este recado.

O sistema político atual e sua representatividade social capenga nos trouxeram até aqui e todos que estão dentro deste sistema são [e devem ser] alvos deste descontentamento, natural.

Se os questionamentos fossem feitos sobre a atuação do Congresso o abismo seria imenso.

A imprensa também não passou incólume neste período de inquietação social, sofreu mais danos a sua já frágil credibilidade.

O concreto é que o Datafolha não considerou importante questionar ou divulgar em conjunto [caso tenha feito tais levantamentos] tais perguntas sobre a imprensa e o congresso, pareceu-lhes irrelevante…

Apenas cumpriu o seu papel de sangrar o governo e tentar criar um fato semelhante ao que levou Lula a perder popularidade a menos de um ano de sua sucessão em 2006.  O movimento seguinte será o das análises políticas e eleitorais “isentas” dos bastidores políticos até 2014.  Uma verdadeira linha de montagem midiática.

Em março Dilma tinha 65% de avaliação ótima ou boa de seu governo, perdeu oito pontos até junho com o terrorismo da imprensa sobre a “inflação descontrolada” sendo despejada diariamente sobre o povo.

Em três semanas do mês de junho, a presidenta viu sua popularidade cair de 57% para 30%, mas mantendo-se positiva sobre os que consideram rui ou péssimo, 25%.

Um ato precedeu o outro sem qualquer conformidade, como as datas das pesquisas de opinião do instituto paulista parecem denunciar.

Mas ouso afirmar que os números são razoáveis diante do que tem sido a cobertura jornalística dos protestos, creio que a Folha de São Paulo aguardava queda superior, como a de FHC em janeiro de 1999 que, após estelionato eleitoral nas eleições de 1998, segurou o dólar artificialmente até conseguir reeleger-se, e quebrou o país com uma violenta crise cambial, origem do escândalo dos bancos Marka e Fontecindan.  Naqueles dias sua avaliação positiva ficou em 13%!  Isto sem cobertura midiática “isenta”, nos moldes atuais, dos movimentos sociais que saíram as ruas para denunciar e pedir a queda daquele governo.

O lado positivo destes dados é que 68% dos entrevistados concordam com a proposta de Dilma sobre o plebiscito e 73% é favorável a uma constituinte específica para a reforma política.

O desenrolar dos acontecimentos políticos podem refletir em uma recuperação da aprovação do governo, ou estes números podem passar a  influir nas negociações políticas.  Dependerá das ações do governo e sua capacidade de gerar respostas concretas aos pedidos dos brasileiros por mais representatividade na política e reforma deste sistema.  Começou bom com a aceitação do plebiscito.

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2 comentários em “Intrujice do Datafolha: a paixão em detrimento da razão

  1. diversaspalavras
    30/06/2013

    Prezada Iolanda, penso que a oposição não tem este interesse, pois poderiam ser derrotados em 2014, dependendo do arranjo. Existe muita desinformação rolando, Dilma precisa trabalhar para recuperar o “prejuízo”, política é momento e as coisas podem mudar rapidamente, depende da capacidade do governo de responder sem vacilações o que o povo exige neste momento.

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  2. Iolanda
    30/06/2013

    Recebi um e-mail que me fez ficar agoniada sobre um provável impeachment da Presidenta Dilma, até que ponto isto é verdadeiro? Não quero que isto aconteça, pois para mim ela é uma ótima Presidenta.

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