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MPL, a direita e Dilma: os dados foram lançados

MPL decide não chamar novos protestos para evitar ação da extrema direita em seu atos. Movimento compreendeu ações de radicais para se apropriarem dos ganhos damobilização popular

MPL decide não chamar novos protestos para evitar ação da extrema direita em seu atos. Movimento compreendeu ações de radicais para se apropriarem dos ganhos damobilização popular

O Movimento Passe Livre [MPL], um grupo social organizado e de esquerda, foi responsável por uma conquista espetacular em nossa história recente: conseguiu mobilizar, pressionar e influir, direto das ruas, em uma decisão política.  O MPL provocou o recuo de prefeituras e governos estaduais sobre o aumento dos preços de passagens de ônibus, trens e metrôs.  Conseguiu mais: espaço privilegiado e capital político considerável para sentar-se a mesa com o poder público para apresentar propostas concretas que custeiem um serviço de transporte realmente público e democrático.

Além dessas credenciais conquistadas na força de suas manifestações pacíficas, deu exemplo de como portar-se exemplarmente no estado democrático de direito: apesar de autodenominar-se apartidário, não fez apologia ao antipartidarismo e fez questão de abrir espaços para partidos políticos e associações que somassem forças para fortalecer suas ideias e levantar mais alto suas bandeiras.

Não nos custa lembrar de movimentos sociais organizados de esquerda que mobilizaram dezenas de milhares de pessoas e foram derrotados, porque não conseguiram reverter decisões governamentais das quais discordavam e que eram nocivas ao povo brasileiro.

O movimento contra as privatizações do governo neoliberal de FHC, no final dos anos 1990, não foram capazes de evitar a entrega do patrimônio público brasileiro, com financiamento público[!], ao capital privado e internacional.  Apesar de lutas contínuas, os sindicatos e movimentos sociais foram reprimidos e contrariados.  Só não se pode afirmar, categoricamente, que foram massacrados porque a resistência contínua, mesmo em desvantagem na disputa ideológica, impediu a entrega da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e da Eletrobrás.

Não foram derrotados por fraqueza ou mobilizações descoordenadas, muito pelo contrário, chegaram a levar 100 mil pessoas a Brasília em 1999 para um ato “Fora FHC”.  Vencidos foram pelo atropelo à democracia e a surdez do governo tucano aos apelos da sociedade, que, blindados pela mídia corporativa, sonegaram ao povo informação e espaço para a discussão responsável de um tema tão sensível a nação.

Em 1999 cerca de 100 mill pessoas marcharam sobre Brasília para pressionar FHC. Mobilização social derrotada pela surdez do governo

Em 1999 cerca de 100 mill pessoas marcharam sobre Brasília para pressionar FHC. Mobilização social derrotada pela surdez do governo

Este é um exemplo que corrobora a afirmação da vitória histórica do MPL e da certeza de que continuamos avançando na consolidação de nossa democracia.

O diálogo produtivo se constrói para ajustar o presente e apontar rumos para o futuro.  Os governos precisam ouvir a sociedade organizada, ampliar seus espaços de discussão de suas políticas públicas.

Ao Legislativo cabe representar, de fato e de direito, seus eleitores e promover o debate de propostas que aperfeiçoem o processo consultivo e propositivo dos diversos grupos sociais.

O Judiciário precisa estar ao alcance do povo, ser democratizado e consolidar nossa Constituição como instrumento de cidadania e não ser instrumentalizado como agente da desigualdade, como ainda ocorre.

Os partidos políticos, indispensavelmente, precisam renovar-se e se construírem solidamente como organismos sociais representativos e tornarem-se mais objetivos na propagação de seus valores e pensamentos políticos.

A imprensa requer ser repensada, necessita ser mais plural e à serviço do povo, não pode continuar, impunemente, trabalhando contra a informação e sendo um negócio concentrador e antidemocrático.

Mas o MPL e os movimentos sociais democráticos, de esquerda e progressistas, deram uma lição aos partidos políticos, aos poderes constituídos da República e à imprensa.  Não passaram recibo para oportunismos conservadores e golpistas e demonstraram maturidade para propor.

A presidenta Dilma, em pronunciamento oficial, chamou para o debate e para a construção conjunta do país, estes grupos. Agora será a hora da maturidade para mostrar a capacidade de promover pensamentos que elaborem um pacto que permita mais espaço para influenciar a vida pública, ajustar onde há desacerto e fortalecer, ainda mais, a democracia brasileira.  Não é tarefa fácil, os interesses permanecerão como são atualmente, distintos e muitas vezes contrários, mas é na disputa pela hegemonia e maioridade que a prática democrática constitui-se como elemento de aprendizado e amadurecimento institucional.

Isto não se faz sem partidos, não se faz sem a associação e sem avigorar a coletividade.

Os que gritam “sem partido”, invocam o individualismo e a difusão de vozes dessemelhantes que não são capazes de garantir a vitória da maioria.  A humanidade está repleta de exemplos de que quando a dispersão de energia e a difusão de ideias dos descontentes não é orgânica, as minorias mais radicais se apropriam do ambiente confuso para promover suas vontades, geralmente, contrárias à maioria.  Nazismo e Fascismo se promoveram em ambientes que reprimiam a organização coletiva.

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