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Ninguém regula a América: Washington espiona a web

Governo Obama estaria espionando pessoas mundo afora.  A pergunta é: desde quando?

Governo Obama estaria espionando pessoas mundo afora. A pergunta é: desde quando?

Mais umas palavrinhas: E se tal notícia fosse revelada envolvendo algum governo do “eixo do mal”? Se fosse sobre Cuba? Venezuela? Irã ou Bolívia? O que está sendo tratado pela velha imprensa e políticos, neste momento, como apenas um assunto delicado,  já, certamente, teria sido transformado em uma campanha histérica para criminalizar e tentar derrubar governos que não respeitariam a individualidade e o livre pensar de seus povos, muito pior seria dito se tal fato levasse a crer que outros povos seriam objeto de espionagem.
As revelações são gravíssimas: a maior potência do planeta, auto-intitulada defensora da “justiça, democracia e liberdade”, espiona a sociedade através das redes sociais e monitora o pensamento livre. Apesar da vigilância midiática se mostrar alerta para os resultados de eleições na Venezuela e Irã e fazer pouco caso deste escândalo de proporções absurdas, os Estados Unidos chafurdam na lama do jogo sujo político de seus dirigentes. Será que a blogueira cubana Yoani seria convidada a escrever um editorial em O Globo ou Veja se Caracas fosse desmascarada em um escarcéu destes???
Pior: um agente da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), James Clapper, tentou tranquilizar o público americano dizendo que a operação teria como objetivo apenas monitorar cidadãos de outros países…

Confira o texto de BBC Brasil:

Caso de espionagem abre debate sobre privacidade na web

As surpreendentes denúncias publicadas pelo jornal britânico The Guardian e o americano The Washigton Post sobre o alcance da vigilância do governo dos EUA sobre redes de comunicações internacionais abriram um acalorado debate sobre a questão da privacidade na internet.

Segundo os jornais, como parte de um programa de espionagem chamado PRISM (sigla em inglês para Métodos Sustentáveis de Integração de Projetos), agentes da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA na sigla em inglês) teriam acesso direto aos servidores de uma série de grandes empresas que manejam redes de comunicações privadas na web, incluindo Google, Microsoft, Facebook, Yahoo, Skype e Apple, além de acessarem informações da rede de telecomunicações Verizon.O programa coletaria dados como conteúdo de e-mails, histórico de navegação, conversas de chats e transferências de arquivos.

Seu objetivo seria, principalmente, obter informações sobre suspeitos e redes de terrorismo, segundo autoridades americanas.

Todas as empresas negam ter conhecimento sobre este programa, insistindo que não oferecem acesso amplo a seus dados, mas apenas abrem informações quando recebem intimações judiciais relacionadas a indivíduos específicos.

Explicações

James Clapper, diretor a NSA, tentou tranquilizar o público americano dizendo que a operação teria como objetivo apenas monitorar cidadãos de outros países – o que evidentemente não ajudou muito a reduzir as preocupações de grupos e indivíduos fora dos EUA.

Neste sábado, por exemplo, foi anunciado que funcionários do centro de espionagem britânico Government Communications Headquarters (Quartel-general de Comunicações do Governo, ou GCHQ), terão de prestar depoimento em um comitê parlamentar sobre as denúncias de que teriam tido acesso a dados do PRISM.

Segundo o The Guardian, o GCHQ teria obtido informações sobre cidadãos britânicos por meio do programa. O centro, porém, diz ter operado “dentro de quadros legais” britânicos.

Hoje, boa parte da população global tem uma presença online e compartilha dados pessoais por meio de e-mails ou redes sociais.

A questão que o caso levanta, segundo o jornalista especializado em tecnologia da BBC Rory Cellan-Jones é como podemos confiar nossos dados e questões relativas a nossa privacidade a empresas americanas – que armazenam todo esse conteúdo em grandes centros de informações nos EUA.

“É possível que essas empresas sejam rigorosas no controle desses dados e de nosso direito à privacidade, mas também é possível que se sintam obrigadas a cooperar diante das exigências do governo”, escreveu Cellan-Jones.

Repercussão

Diretor da NSA diz que apenas cidadãos não-americanos seriam monitorados

As denúncias sobre o PRISM motivaram uma série de reações por todo o globo.

“Para os EUA, todos são suspeitos, até o Papa”, reclamou o senador esquerdista colombiano Alexander Lopez em entrevista à agência de notícias AP. ”Isso deveria ser levado às Nações Unidas.”

Na Alemanha, o secretário da Justiça do estado de Hesse, Joerg-Uwe Hahn, pediu um boicote às empesas de internet envolvidas no escândalo.

Para o ativista americano Christopher Soghoian todos os políticos estrangeiros deveriam evitar usar contas de email do Google.

”Esse esquema tem dado à NSA vantagem sobre todas as outras agências de inteligência do mundo”, disse Soghoian.

Na Grã-Bretanha, o caso também ampliou as preocupações do Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento sobre o uso de redes e equipamentos de uma empresa chinesa no sistema de telecomunicações britânico.

“Podemos não nos sentir feliz com o fato de que os americanos controlam nossos dados e os chineses, os equipamentos que garantem nossas ligações de celular e banda larga de internet”, conclui Cellan-Jones.

“Do meu ponto de vista, a vida é muito curta para eu me preocupar se o FBI está lendo meus e-mails ou checando minhas atualizações no Facebook – ou se o Exército chinês está ouvindo meus telefonemas.”

Cellan-Jones ressalta, porém, de que há um certo consenso de que o nível de privacidade e segurança das informações de cada um deveria ser uma escolha pessoal – em que cada indivíduo deveria ter ao menos algum grau de controle.

“A impressão que temos hoje é que esse controle está nas mãos de empresas americanas e chinesas. E ao menos que você esteja disposto a deixar o mundo digital, há muito pouco que possa fazer sobre isso.”

BBC Brasil

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