Palavras Diversas

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Flamengo expõe caixa preta das finanças dos clubes brasileiros

Transição da administração de Patrícia Amorim para a de Eduardo Bandeira de Mello respeitou a recente tradição corrente no futebol brasileiro:  empurrar problemas adiante sem resolvê-los.  Novo mandatário do Flamengo recebeu uma bomba da gestão anterior, prestes a explodir…

O futebol brasileiro tem passado por um período de bonança, que tem acompanhado o crescimento econômico do país. Com uma ressalva: o aumento das receitas dos grandes clubes brasileiros está acompanhada de um aumento ainda maior das despesas.

Resultado, os grandes clubes de futebol subiram o patamar de suas dívidas, com algumas poucas exceções neste cenário, para níveis insuportáveis e não gerenciáveis.
O avanço da economia trouxe a reboque a irresponsabilidade dos dirigentes brasileiros.

O Flamengo, clube de maior torcida do Brasil, divulgou esta semana uma auditoria que levantou uma dívida de R$ 750,7 milhões! Muito acima dos dados apresentados em 2011, quando foram “apurados” valores de R$ 355,452 milhões.

O que isso revela? O que a grande maioria já desconfiava…As contas apresentadas pelos clubes, em geral, são peças fantasiosas, encomendadas para tapar o sol com a peneira, sem validade alguma.

A atitude da nova direção do Flamengo escancara uma realidade dura, mas mostra um real interesse em resgatar a credibilidade e reconstruir a imagem de um clube que vem sendo dilapidado nos últimos anos, por diversas administrações.
Publicar o tamanho de uma dívida muito maior do que se especulava, quebra uma sequência de irresponsáveis exames financeiros fraudulentos.

Contornar esta situação é possível, não só para o Flamengo, mas para a maioria dos grandes clubes brasileiros. A longo prazo, claro, e sem ilusões imediatistas.

Mas para isso, creio que seja necessário uma readequação do ambiente institucional destes clubes. É mais do que necessário um novo reordenamento estatutário, de forma a torná-los “administráveis”, impedindo a perpetuação de cartolas no comando. A disposição do governo em renegociar as dívidas fiscais do futebol [maior parte das dívidas], precisa vir acompanhada de contrapartidas que alterem este quadro de irresponsabilidade gerencial e transformem os clubes em entes com maior compromisso social, atendendo a jovens carentes, em diversas modalidades esportivas, sem a cobrança de matrículas ou mensalidades, por exemplo.

A vontade de negociar por parte do governo não pode se transformar em uma simples e escandalosa anistia fiscal, mas em um projeto capaz de obrigar, com a proposição de uma legislação específica, os grandes clubes a alterarem seus estatutos, impedindo reeleições indefinidas, obrigando as diretorias a gastar dentro da margem das receitas e responsabilizar dirigentes que ultrapassarem a linha da gestão temerária com a disponibilidade de seus bens particulares à justiça.

E isto deve incluir as federações, outras caixas pretas repletas de obscuridades…

Saldo disto tudo: se a BDO Consultoria afirmou que a dívida dos grandes clubes somava cerca de R$ 3,6 bilhões ao final de 2011, podemos acreditar que estes valores podem estar subdimensionados e serem, de fato, muito maiores após a iniciativa da nova gestão do Flamengo em expor que deve bem mais do aquilo que se pensava.

Exceções?
Segundo Pedro Daniel, responsável pela Gestão de Esportes da BDO, a dívida não é um problema sem solução, mas a gestão irresponsável sim, ele exemplifica que, “O Real Madrid, por exemplo, é o clube mais endividado do mundo – a soma beira os 500 milhões de euros. Ao mesmo tempo, sua receita também é a maior do mundo do futebol, com 514 milhões de euros entre 2011 e 2012.(…)Não é necessariamente um problema para o clube ter dívidas, desde ela seja equalizada e sustentável”(…)Essa dívida sustentável que acontece com Corinthians e São Paulo, por exemplo, inexiste nos clubes cariocas”.

Soluções existem e não parecem fáceis, mas a vontade do governo em solucionar este imenso problema financeiro dos clubes tem que vir acompanhada de nova regulamentação e de contrapartidas sociais fortes, o certo é que como está não pode continuar.

Em tempo:
O jornal esportivo O Lance publicou uma entrevista com o especialista em marketing esportivo, Amir Somoggi, sobre a iniciativa da gestão Eduardo Bandeira de Mello em desvendar um problema muito além do se imaginava:

“Primeiramente, tem de falar que é a primeira auditoria de uma empresa deste porte em um clube de ponta. Encontraram um rombo absurdo nas contas. E me parece que um alto valor na gestão da Patricia, com impostos não pagos, as questões do Ronaldinho Gaúcho, questões trabalhistas e, provavelmente, encontraram altos valores também em gestões anteriores. Isso mostra que existe uma falha grave nas auditorias feitas pelas antigas gestões.

Se a maior parte da dívida é com o governo, e era cerca de 400 milhões, agora quase dobrou. Por que isso não foi encontrado? É muito positivo que saibamos o quanto o Fla realmente está devendo.

Neste ponto, acredito que o credor, que é o governo, deveria publicar qual o rombo dos clubes com o órgão. Se fosse uma empresa, teria falido. Não teria ativos para bancar essa dívida.

Acredito que essa auditoria deixa o Flamengo com bons olhos no mercado. O trabalho que essa administração está fazendo é tentar resgatar a imagem do clube.”

Amir Somoggi

Especialista em marketing esportivo, em entrevista ao LANCE!Net

Em tempo 2:
Projeto de Lei é apresentado no Congresso para salvar o futebol brasileiro, mas artigo 15 do anteprojeto redigido pelo deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), com a participação de técnicos do Ministério do Esporte, não obriga a publicação dos débitos.

Segundo cálculos internos do Ministério do Esporte, o valor das dívidas do esporte brasileiro com o Fisco deve chegar a R$ 5 bilhões, considerando a dívida de clubes, ligas, federações e confederações, com o não pagamento do FGTS, do Imposto de Renda, do INSS e de outros tributos federais.

As entidades que planejam ingressar no programa terão um ano de moratória antes de começar a quitar 280 prestações mensais. São 20 anos de pagamentos, com direito a desconto em caso de acerto antecipado. Do montante total, 90% poderão ser pagos com bolsas destinadas à formação de atletas olímpicos.

O advogado tributarista Jacques Veloso defende, “pelo bem da fiscalização” que os valores perdoados sejam publicados, “Isso é relevante até para que os clubes fiscalizem uns aos outros, o esporte brasileiro tem o interesse de ser moralizado.”

Com informações do Correio Braziliense.
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Publicado em 13/04/2013 por em Uncategorized.

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