Palavras Diversas

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Globo incita a violência sem pudores: regulação já!

Globo acionou sua audiência para escolher de que forma uma personagem de sua novela de maior audiência seria surrada, clique na imagem para ampliar.  Estes são os valores que a maior emissora do país difunde aos seus telespectadores


A enquete veio acompanhada de ilustrações para “auxiliar” o leitor em sua tarefa



As 11h50 da manhã a maioria do público escolhia chute na cara e joelhada como os golpes preferidos…


A Globo para conquistar uma maior audiência recorreu aos milhares de leitores de seu portal, globo.com, para que o público escolhesse de que maneira uma personagem da novela Salve Jorge deveria ser surrada.

A emissora incita a violência e transforma tal sentimento em ordem do dia.

O folhetim das 21h da Globo não tem obtido boa audiência para os padrões globais, mas mesmo assim adentra na casa de 6 entre 10 pessoas com aparelhos ligados e sintonizados na tv aberta na cidade de São Paulo.
Este número representa um contingente considerável que assiste esta novela.

Isto não se configura em um ato condenável em qualquer sociedade minimamente civilizada?
Utilizar um meio de comunicação, como o portal globo.com, para inquirir pessoas sobre como surrar alguém, mesmo um personagem fictício, não merece a reprovação de sua audiência?
Tal atitude não deveria merecer, no mínimo, uma reprimenda dos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização das empresas de comunicação?

Os grandes grupos de comunicação não aceitam qualquer projeto de regulamentação e, formam opinião pública favorável aos seus interesses e taxam qualquer iniciativa como censura, simplificando cinicamente o debate.

Um portal de internet atrai todo tipo de público, inclusive crianças e adolescentes, ainda não capazes de discernir com clareza determinados valores impressos naquilo que acessam.

A Globo apela para conseguir mais audiência e tudo fica por isso mesmo…
Nem o governo, o Congresso ou a sociedade civil organizada conseguem levar adiante uma discussão concreta para estabelecer limites e regras para este segmento empresarial.

Empresas de comunicações mostram-se incomodadas devido as demandas por novas regras de funcionamento. Empresários deste ramo de atividade difundem ideias, valores e abordagens subjetivas, muitas vezes para consolidar posições particulares que pretendem popularizarem para benefício próprio.

Aqueles que defendem a regulamentação da área, defendem o contrário, e afirmam que o setor é monopolizado e que um novo pacto legal tem por base a defesa do pluralismo de opiniões.

Como é possível encontrar no Portal Brasil 247 hoje, idéias que norteiam uma proposta de um novo marco regulatório das mídias:
“…fim da concentração do mercado, proibição de políticos serem donos de veículos de comunicação, o estímulo à regionalização da produção de conteúdo e a regulamentação específica para o direito de resposta na imprensa. Além disso, o mais polêmico seria a criação de um Conselho Federal de Jornalismo, que provoca receio no Executivo, apesar de o partido garantir que não há intenção de cercear o conteúdo publicado.”

 
Enfim,para que servem, considerando o modelo de difusão e configuração dos negócios, os grandes grupos de comunicação?
Ainda se submetem aos interesses públicos?
A primeira pergunta ajuda a negativar a segunda e o episódio do linchamento virtual que a Globo protagonizou hoje, só faz tornar, muito mais nítida, a necessidade de uma regulação social urgente dos meios de comunicação brasileiros. Que estejam à serviço da sociedade e dos interesses públicos, difusor da pluralidade cultural brasileira, privilegiando a produção local, com a multiplicidade de opiniões no centro dos debates embutidos nos discursos veiculados.
Não me parece muito o que se deseja alcançar.
Mas grupos poderosos se negam a avançar nestas questões, fechando-se em falácias que pregam censura de conteúdos.
Sobre o tema A regulação da mídia na América Latina uma questão foi lançada para dois pesquisadores, com diversos livros publicados sobre o assunto, Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes, e Dênis de Moraes, professor de Comunicação na Universidade Federal Fluminense:

Há necessidade de se regulamentar as comunicações num tempo de surgimento acelerado de novos meios?

Bia Barbosa – Sem dúvida. Nossa principal legislação do setor – o Código Brasileiro de Telecomunicações – tem 50 anos. É preciso efetivar a proibição do monopólio nos meios de comunicação de massa, como previsto na Constituição Federal; consolidar um sistema público de comunicação no país; regulamentar a veiculação de conteúdo regional e independente no rádio e na TV; criar mecanismos para que a população se defenda de eventuais abusos na exploração do serviço de radiodifusão; dar transparência aos processos de concessão e renovação de outorgas; acabar com as concessões para políticos; fomentar as rádios comunitárias; etc.

Denis de Moraes – É inadiável a necessidade de regular o sistema de comunicação sob concessão pública. Em primeiro lugar, devemos ressaltar a importância estratégica das políticas públicas de comunicação para redefinir o setor de mídia em bases mais equitativas, combatendo assimetrias que têm favorecido a iniciativa privada (hoje, predominantemente nas mãos de dinastias familiares, muitas delas associadas a corporações transnacionais). Está em questão proteger e valorizar as demandas coletivas frente à voracidade mercantil que prospera à sombra da convergência entre as áreas de informática, telecomunicações e mídia, tornada possível pela digitalização.

 
Por enquanto a audiência tem ao seu alcance apenas uso do controle remoto para reprovar bizarrices que atentam contra a dignidade humana e desvirtuam o papel primordial dos meios de comunicação, que é o de oferecer informação baseada em conceitos éticos claros.

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