Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Grande imprensa acuada: Comissão da Verdade e CPI

A grande imprensa defende interesses e posições que se opõe aos da maioria dos brasileiros.  Nesta imagem vê-se que a imprensa conservadora se acovarda  quando é confrontada com  altivez e coragem

A tensão paira sobre o baronato da mídia

O baronato das comunicações anda tenso, preocupado. É fácil de perceber um certo nervosismo apenas folheando as revistas e os jornalões, pelo que dizem e pelos grandes espaços de silêncio. Assusta-os a CPI do Cachoeira, porque já revelou as relações pelo menos perigosas entre a grande imprensa e o crime organizado – a ponto de interferir (ditando linhas de ‘investigação’) na pauta de uma grande revista semanal. Ou, dito de outra forma, sem amenizar a gravidade dos fatos, sabe-se que muitas reportagens “investigativas” foram levadas a cabo para atender a interesses nada republicanos de um criminoso hoje na cadeia e à espera de processo e julgamento. Na bacia das almas, empresas e meliante (também ele empresário…) já entregaram aos leões o Catão do Serrado, do qual se serviram para defender interesses indefensáveis, e atacar os adversários de sempre. O grande paladino da moral e dos bons costumes enquanto no Senado e nas folhas brandia a espada na luta cívica contra a corrupção, nos desvãos da Esplanada (nela incluídos tribunais superiores), advogava os negócios do crime, em uma malha tão profunda que talvez jamais venha a ser de todo destrinchada.

Seja por isso, seja por aquilo, as grandes empresas de comunicação olham de lado, desconfiadas, para a CPMI. Contestam como insinceros os motivos de sua convocação e anunciam todo santo dia, como se estivessem fazendo uma denúncia, mas na verdade exprimindo um desejo, o inevitável fracasso dela. Acham normalíssimo o procurador geral da República, beneficiando criminosos, quedar-se três anos com um inquérito em sua gaveta, e o aplaudem por se negar a comparecer à comissão para prestar os esclarecimentos que deve ao país. Mas seus donos ficam eriçados, orelhas em pé, pelo arrepiado, garras expostas, quando deputados “insolentes” (e logo acusados de estar a serviço dos “mensaleiros”) pretendem ouvir, não o poderoso Cidadão Kane, mas o simples preposto que fazia a intermediação entre o crime e a revistona.

Por práticas similares, o grande Ruppert Murdoch teve de prestar satisfações ao parlamento britânico, e ninguém, nenhum jornal, nem lá nem aqui, arguiu ofensa à liberdade de imprensa. Aqui é tamanho o incômodo que Roberto Civita foi brindado com editorial de um grande matutino de empresa “concorrente”, no qual se afirma que ele não é Murdoch. E não é mesmo! Jornalista estrangeiro especialista em “ligações perigosas” é chamado para falar em seminário e explica que não há nada de mais repórter e fonte criminosa andarem conluiados.

A inquietação também ocorre relativamente à Comissão da Verdade, finalmente instalada. No dia mesmo da solenidade no Palácio do Planalto os editoriais clamavam contra os “riscos de revanchismo”, e os mais audaciosos já defendiam a “bilateralidade da apuração”, ou seja, “a investigação de atos praticados por grupos de esquerda que se opuseram ao regime militar”. Outros, estão preocupadíssimos em assegurar-se de que não haverá punições. Quer saber a grande imprensa se o Ministério Público pode utilizar os resultados das investigações para tentar condenar militares (absoluta indiferença relativamente aos criminosos civis) “que cometeram violações”. No Globo do dia 17, o coronel da reserva João Batista Fagundes, representante das Forças Armadas na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, é chamado a falar:

“A Comissão da Verdade é oportuna mas não pode se enveredar pela questão criminal dos agentes do passado. A Lei da Anistia está em vigência e a própria lei que criou a comissão não prevê condenações. No meio das Forças Armadas, o receio é que se abram processos já albergados sob o pálio refletor da anistia.”

Em editorial do dia 12, o mesmo jornal afirma que “a escolha de nomes acima de qualquer suspeita para a Comissão da verdade”(…) ‘…serve de garantia de que a Comissão não extrapolará os limites da Lei da Anistia, já referendada pelo Supremo”.

Esses temores e esses condicionantes talvez expliquem tanto a demora na aprovação da lei (ora, já lá se vão 27 anos desde quando o último general presidente deixou o Palácio do Planalto pela porta dos fundos!), quanto a demora na escolha (elogiada por gregos e troianos) de seus integrantes. Não podendo impedir a apuração (mas tendo podido nesse longo período destruir documentação e provas) busca-se limitar ao máximo o alcance da Comissão. O intuito declarado de impedir o eficaz funcionamento da Comissão já ficara claro quando o legislador estipulou o período de apurações começando em 1946, misturando democracia com ditadura, e alargando o objeto propositalmente, na expectativa de que assim tão amplo ele se tornasse inalcançável, donde, apuração nenhuma.

O que a nação deseja e quer é conhecer os crimes praticados pelo regime militar, e esses crimes começam com a própria ruptura democrática de primeiro de abril de 1964. Naquele momento as Forças Armadas, que como instituição existem para garantir a integridade territorial, a soberania nacional e a segurança de nosso povo, aquele que paga seus salários, soldos e tudo o mais, traíram seu chefe supremo, rasgaram a Constituição e deram início a uma escalada de arbítrios que surrupiou pela violência centenas de mandatos eletivos, milhares de empregos, cortou carreiras profissionais, sepultou esperanças, exilou e desterrou brasileiros, suprimiu a liberdade física de milhares de cidadãos e transformou em letra morta direitos e garantias individuais, a começar pelo direito à expressão livre, e impôs a indignidade da censura prévia, até de livros científicos. Tudo o mais que a história contará é mera consequência. Devem elas, sim, pelo que fizeram, um pedido público de desculpas à Nação, para voltarem a desfrutar do respeito que merecem pelo exercício das suas nobres funções. Estará assim, aberto o caminho para a superação de desconfianças mútuas que ainda estão a toldar, pelo silêncio-tabu, o congraçamento entre civis e militares.

Tudo será possível, menos censurar a História, menos reescrevê-la, menos adulterá-la, pois o tempo, sempre, trará a lume a verdade. Assim, também se contará a História, a aliança entre empresários da comunicação, políticos e militares na preparação do golpe. A história também contará o papel de uma imprensa que, com raríssimas exceções, participou da conspiração, defendeu o golpe e os atos tenebrosos que ele desencadeou, até se ver diante da inevitabilidade de aderir ao irresistível movimento de massas pela democracia que tomou impulso a partir de 1974. Mas isso foi opção ideológica e não passará pela peneira da Comissão.

A palavra final, porém, não será dada nem pelo governo, nem pela imprensa, nem pelos militares, mas pela sociedade, apesar da imprensa. Se a sociedade cruzar os braços, der-se por satisfeita com a simples constituição da Comissão, pouca esperança teremos de resultados satisfatórios. Esta é a hora de as organizações civis voltarem à liça, reaglutinarem-se os perseguidos, os torturados e as famílias dos assassinados. Da força de sua demanda dependerá a profundidade do que será esclarecido.

Roberto Amaral / Carta Capital
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2 comentários em “Grande imprensa acuada: Comissão da Verdade e CPI

  1. Anonymous
    23/05/2012

    Os militares NUNCA ENGOLIRAM a submissão ao poder civil e ao ESTADO DE DIREITO.
    A cultura militar brasileira tem raízes profundamente fincadas em conceitos hierárquicos de extrema rigidez, com fim de controle máximo e liberdade mínima, onde o que interessa é garantir a obediência cega dos subordinados a qualquer custo e o meio utilizado para alcançar esse fim são regulamentos disciplinares extremamente severos editados a despeito de qualquer preocupação com conceitos de justiça.
    As leis brasileiras não são respeitadas pelos chefes militares. Nem mesmo a constituição federal é respeitada. A despeito de qualquer lei nacional, eles cumprem normas elaboradas por eles mesmos, que permitem a prática, dentro de um mundo fechado, de absurdos jurídicos inqualificáveis.
    Agem através da imposição do temor ou da dissimulação de ações, conforme os interesses a serem atingidos. Devido a extrema rigidez de opiniões não têm habilidade no trato de questões que exigem raciocínio jurídico e são um desastre em assuntos de desenvolvimento social.
    São um constante risco à consolidação da democracia brasileira porque sempre tendem a resolver pela força das armas as controvérsias que não conseguem solucionar com a força dos argumentos.

    Essa comissão da verdade é tiro de festim. Está sendo montada só para enganar os organismos internacionais que tem pressionado o Brasil cobrando uma postura do governo que não toma nenhuma iniciativa realmente efetiva contra os ex-ditadores brasileiros.
    O governo ainda está comendo na mão dos militares.
    Isso não vai dar em nada. Sequer responsabilização criminal dos envolvidos será possível pleitear pela comissão fajuta que já surge repleta de limitações justamente para não poder fazer o que teria que ser feito de maneira satisfatória.
    Acorda povo brasileiro!!
    É uma grande farsa. Uma enganação planejada e ensaiada.
    Uma satisfação tem que ser dada à comunidade internacional que realmente leva esse assunto a sério.
    Só por essa razão esse assunto incômodo ainda consta das pautas de decisão do Governo. Não fosse por isso já teria sido enterrado em algum lugar que ninguém sabe.
    É preciso convencer os gringos de que houve empenho para ficar bem na foto.
    Aqui ninguém tem peito nem coragem de enfrentar nos tribunais os militares que já estão há muito tempo empenhados em amaciar autoridades que ocupam funções chave no governo e nos poderes constituídos.
    A verdade é que a impunidade ainda impera nesse sistema institucionalizado de corruptos e corruptores que se beneficiam mutuamente de interpretações fantasiosas e convenientes que permitem manter as coisas em constante estado de insegurança jurídica, onde a lei tem papel meramente decorativo e só é efetivamente cumprida e respeitada se não contrariar os interesses dos grandes.
    Somente uma intervenção internacional, isenta dessa nociva contaminação histórica enraizada nas nossas instituições será capaz de obter algum resultado realmente significativo e confiável.
    Já negaram publicamente uma autoridade da república legitimamente instituída. Qual será o próximo passo?
    A quem interessa mostrar a VERDADE?
    A quem interessa manter a MENTIRA?
    Sabendo essa resposta você já sabe quem vai vencer essa disputa de forças desiguais.

    Curtir

  2. Anonymous
    23/05/2012

    Os militares NUNCA ENGOLIRAM a submissão ao poder civil e ao ESTADO DE DIREITO.
    A cultura militar brasileira tem raízes profundamente fincadas em conceitos hierárquicos de extrema rigidez, com fim de controle máximo e liberdade mínima, onde o que interessa é garantir a obediência cega dos subordinados a qualquer custo e o meio utilizado para alcançar esse fim são regulamentos disciplinares extremamente severos editados a despeito de qualquer preocupação com conceitos de justiça.
    As leis brasileiras não são respeitadas pelos chefes militares. Nem mesmo a constituição federal é respeitada. A despeito de qualquer lei nacional, eles cumprem normas elaboradas por eles mesmos, que permitem a prática, dentro de um mundo fechado, de absurdos jurídicos inqualificáveis.
    Agem através da imposição do temor ou da dissimulação de ações, conforme os interesses a serem atingidos. Devido a extrema rigidez de opiniões não têm habilidade no trato de questões que exigem raciocínio jurídico e são um desastre em assuntos de desenvolvimento social.
    São um constante risco à consolidação da democracia brasileira porque sempre tendem a resolver pela força das armas as controvérsias que não conseguem solucionar com a força dos argumentos.

    Essa comissão da verdade é tiro de festim. Está sendo montada só para enganar os organismos internacionais que tem pressionado o Brasil cobrando uma postura do governo que não toma nenhuma iniciativa realmente efetiva contra os ex-ditadores brasileiros.
    O governo ainda está comendo na mão dos militares.
    Isso não vai dar em nada. Sequer responsabilização criminal dos envolvidos será possível pleitear pela comissão fajuta que já surge repleta de limitações justamente para não poder fazer o que teria que ser feito de maneira satisfatória.
    Acorda povo brasileiro!!
    É uma grande farsa. Uma enganação planejada e ensaiada.
    Uma satisfação tem que ser dada à comunidade internacional que realmente leva esse assunto a sério.
    Só por essa razão esse assunto incômodo ainda consta das pautas de decisão do Governo. Não fosse por isso já teria sido enterrado em algum lugar que ninguém sabe.
    É preciso convencer os gringos de que houve empenho para ficar bem na foto.
    Aqui ninguém tem peito nem coragem de enfrentar nos tribunais os militares que já estão há muito tempo empenhados em amaciar autoridades que ocupam funções chave no governo e nos poderes constituídos.
    A verdade é que a impunidade ainda impera nesse sistema institucionalizado de corruptos e corruptores que se beneficiam mutuamente de interpretações fantasiosas e convenientes que permitem manter as coisas em constante estado de insegurança jurídica, onde a lei tem papel meramente decorativo e só é efetivamente cumprida e respeitada se não contrariar os interesses dos grandes.
    Somente uma intervenção internacional, isenta dessa nociva contaminação histórica enraizada nas nossas instituições será capaz de obter algum resultado realmente significativo e confiável.
    Já negaram publicamente uma autoridade da república legitimamente instituída. Qual será o próximo passo?
    A quem interessa mostrar a VERDADE?
    A quem interessa manter a MENTIRA?
    Sabendo essa resposta você já sabe quem vai vencer essa disputa de forças desiguais.

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Publicado em 22/05/2012 por em Uncategorized.

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