Palavras Diversas

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Um produto clássico da cultura de guerra dos EUA: atirador Chris Kyle

Até maio de 2011 a guerra no Iraque havia consumido, em média, US$120 bilhões por ano e 4.323 soldados americanos e outras dezenas de milhares de Iraquianos haviam morrido

Há alguns dias atrás foi publicado na imprensa mundial o lançamento de um livro de um ex-combatente americano no Iraque, “American Sniper” (atirador de elite americano).

Este livro relata suas comemoradas façanhas e entre elas o número de pessoas que teria matado, segundo ele, soldados inimigos apenas.
Este veterano de guerra teria matado, segundo seus próprios cálculos, 255 pessoas.
Mas o número em si, frio em seus contornos, ainda não é o pior: Chris Kyle não se arrepende em momento algum de ter ceifado tantas vidas com seus tiros certeiros.  Muito pelo contrário, se diz orgulhoso por “ter cumprido sua missão com excelência” e que gostaria de “.. ter matado mais gente. Não para poder me gabar, mas porque acho que o mundo é um lugar melhor sem selvagens à solta tirando vidas americanas”.
Kyle achava seu trabalho “divertido”.
O atirador reformado, relata, com a crueza de um assassino em série, que está em paz consigo mesmo e sem qualquer trauma:  “Depois da primeira morte, as outras vêm facilmente. E não tenho que fazer tratamento psicológico ou mental – eu apenas ponho meu alvo na mira e mato o inimigo antes que ele mate alguém do meu povo”.
Kyle é produto de um Estado beligerante, a polícia do planeta, que recruta jovens e os transformam em máquinas mortíferas.
Lavam seus cérebros e os fazem crer que livram seu povo de males maiores do que aqueles que oferecem às nações inimigas.
O governo americano ataca nações sem qualquer capacidade de resistência ao seu gigantesco poderio militar, agem covardemente, como aqueles “valentões da 8ª série” que resolvem surrar seus inimigos da 4ª série.
A cultura de guerra ao terror que se intensificou após o 11 de setembro de 2001, cria, alimenta e fortalece este tipo de pensamento, em tempo uma política de estado eficaz, criada, oportunamente, para substituir a extinta demanda da guerra fria, que financiou a indústria de armas por décadas a fio.
O governo republicano de Bush acabou, mas os democratas com Obama não foram capazes de superar esta agenda.  Atualmente os “inimigos do povo americano”, como os que Kyle  adorou matar no Iraque, são os iranianos, que em um passado recente, o governo de Ronald Reagan, aliado a Saddam Husseim, combateu nos anos 1980.
O povo americano convive, de tempos em tempos, com tragédias dentro de suas fronteiras, causadas por atiradores lunáticos que armados até os dentes, invadem escolas, cinemas e outros lugares públicos e atiram a esmo contra inocentes.  O acesso as armas é fácil, sem grandes restrições muitas pessoas podem possuir seu arsenal particular, livremente.  Isto gera bilhões de dólares em receita anualmente para a indústria bélica dos Estados Unidos e o governo é o maior de seus clientes.
A escalada de violência que o governo americano desenvolve no planeta, serve de exemplo para o cidadão comum de seu país agir da mesma maneira para defender seus limites ou atacar seus inimigos mais próximos. Podem ser mexicanos, porto riquenhos ou negros, isso depende do “território em perigo”…
Kyle é um destes, que a serviço de sua nação, sem qualquer arrependimento ou perturbação pelas mortes que foi obrigado a causar, orgulha-se de estar “defendendo seu território maior” e mostra-se como exemplo de dedicação a uma causa: the american way of life, os defensores da liberdade.
Hoje o ex-combatente vive no Texas e é diretor de uma empresa que treina atiradores de elite para as Forças Armadas norte-americanas, servindo de multiplicador da cultura de guerra ao terror e deve inspirar seus aprendizes com a seguinte frase: “Adorei o que fiz. Ainda adoro. Se as circunstâncias fossem diferentes – se minha família não precisasse de mim – eu voltaria em um piscar de olhos”.

Com informações do Opera mundi

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Publicado em 09/01/2012 por em Uncategorized.

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