Palavras Diversas

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Parcialidade escancarada, grande imprensa é o "juiz" que usa dois uniformes

A grande imprensa age de acordo com o seu peculiar entendimento de isenção e imparcialidade…

Um fato escancarou aquilo que uma pequena parte da sociedade brasileira já tinha certeza: o partidarismo e a parcialidade da grande imprensa brasileira: as graves denúncias contidas e documentadas no livro investigativo de Amaury Ribeiro Jr., “Privataria Tucana”.
Esta parcela da sociedade, em que me incluo e os leitores deste blog, não viu novidade alguma no tratamento jornalístico e na (falta de)repercussão das denúncias na Veja, Época, O Globo, Folha de São Paulo, Estadão e congeneres agentes da desinformação social.
O que saltou aos olhos foi a maneira, nada discreta, como fizeram.
Desta vez foram obrigados a agir, sem qualquer disfarce, toda a parcialidade que escondem sob suas chamadas de “jornalismo imparcial”, na “busca da verdade” que carimbam suas edições para o leitor comum.

A questão é saber se a audiência geral percebeu este movimento de um ogro desajeitado, trôpego em uma seção de cristais.
Não tenho como precisar, mas acredito que uma pequena parcela das pessoas que se informam(?) pela grande imprensa, não tenha ainda entendido todo o silêncio articulado como uma jogada política partidária, que seus veículos de comunicação preferidos executam durante este mês de dezembro.

Mas este é um dos méritos do livro: tornar explícito os movimentos suaves de manipulação que a grande imprensa vem desempenhando ao longo dos últimos anos.

Partidarismo escancarado, o caso Orlando Silva
É possível colocar na balança fatos, muito distintos e sem qualquer correlação de importância, o tratamento editorial que a grande imprensa deu, por exemplo, ao caso da queda do ministro dos esportes, Orlando Silva, com os fatos narrados em “Privataria Tucana”, de proporções gigantescas, pelo volume de dinheiro envolvido e pela vilipendiação do patrimônio do povo brasileiro.

Pois bem, Orlando Silva caiu após bombardeios diários da mídia sobre sua gestão à frente da pasta do esporte,  iniciado por uma denúncia de uma pessoa condenada e presa por desvios de recursos de um programa desenvolvido pelo ministério, o policial militar João Dias Ferreira.
O denunciante chegou a afirmar possuir um vídeo que aniquilaria a vida política de Orlando Silva.
Nunca o apresentou, apesar de muitos veículos de comunicação terem ratificado tal ameaça em suas matérias como prova cabal do malfeito denunciado.  Percebe-se que tratava-se apenas de intimidação política, pois quem disseminava a existência do tal vídeo, nunca o viu para, mas mesmo assim cumpriu seu papel político de manipular um fato com imprecisões jornalísticas ou mentiras.
O ministro caiu e nada mais foi apurado pela grande mídia.
O objetivo, claramente, era derrubar mais um ministro e causar ruído na coalizão do governo Dilma e imputar a Lula a pecha de leniente com a corrupção em seu governo.
Orlando Silva não teve direito a espaços equitativos para defender-se e apresentar suas explicações.
Todo o esforço midiático fazia sentido apenas para fragilizá-lo até cair.

Não há aqui a defesa de quem quer que pratique atos de corrupção.
Praticou? Provou? Puna-se!
Outros ministros caíram, mas enquanto não houver a prova da denúncia, fica tudo no campo da especulação e da contenda política governo X oposição.

Mas e agora, quem desequilibra este jogo?
Com o livro de Amaury Ribeiro Jr. a grita foi apenas da blogosfera e das redes sociais para que se apurem a gravidade das acusações contra os principais nomes da oposição, quando governaram o país no governo FHC.
Com o mesmo tratamento, questionamentos diários e aprofundamento das investigações, trazendo à cena política personagens citados no livro e confrontando com as defesas do grupo denunciado por parte das empresas de comunicação do país.
Que se faça o jornalismo investigativo apurar o dolo ou a inocência de todos os envolvidos e que o processo político seja evidenciado na cobertura da grande imprensa.
Sem mais, nem menos.

A democracia é um grande jogo de interesses republicanos, seus debatedores se colocam, a despeito das novelas investigativas que focam seus desvios éticos, em defesa de interesses, contrários, daquilo que entendem por administração da coisa pública para alcançar este ou aquele objetivo.

Tem sido, por demais, facilitado perceber a distinção dos grupos antagônicos que dominam o cenário político brasileiro.
Se por um lado, os tucanos defendem a modernização do Estado brasileiro, com a abertura de seu mercado ao capital internacional, daí as privatizações em massa das grandes empresas nacionais, e a radicalização dos preceitos neoliberais que varreram as economias dos países latino americanos nos anos 1990 e precarizaram as relações capital-trabalho, em desfavor dos trabalhadores.
Por outro lado, o grupo petista prioriza a participação do Estado no fomento a economia e na defesa da soberania nacional no tabuleiro das relações internacionais.
Isto hoje é muito claro.

Neste jogo de interesses, encontra-se a figura do “juiz”, que arrogou para si tal função, aquele que presumindo isenção e imparcialidade, julga tais interesses, ostensivamente, em seus espaços públicos de divulgação: a mídia.

A grande imprensa é seu grupo predominante e tem agido como aquele juiz de futebol que só apita infração contra um lado e ignora as reclamações daqueles que se julgam prejudicados.
A grande imprensa atua, reiteradamente, com a camisa de seu time favorito por debaixo de seu uniforme oficial.
Esse tem sido o papelão desempenhado por quem se autodenomina imparcial e isento, em busca da verdade para informar a sociedade.
Quem ainda crê nisso, após o penalti vergonhoso que resolveram ignorar, escandalosamente e na frente de todos os espectadores, contra o povo brasileiro???
Muitos ou poucos, eis a questão?

Mas o destaque deste momento, com a grande mídia abrindo espaço ou não, foi o excelente trabalho do deputado Protógenes Queiroz, em dobradinha com Brizola Neto, em que colheram mais do que o mínimo  necessário de assinaturas de parlamentares de diversos partidos para a instalação de uma CPI para investigar tão triste período de nossa história.

Após a instalação de uma CPI, a pergunta que fica é: Quantos ainda não verão que a penalidade não foi marcada propositalmente, de agora em diante???

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Um comentário em “Parcialidade escancarada, grande imprensa é o "juiz" que usa dois uniformes

  1. Anonymous
    21/12/2011

    Excelente ponto de vista! A comparação da mídia com os árbitros de futebol é bem oportuna, já que tanto uma quanto o outro são de reputação um tanto quanto desacreditada.
    Parabéns pela linha de racicínio!!!

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Publicado em 21/12/2011 por em Uncategorized.

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