Palavras Diversas

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Quando o JB pôs O Globo em seu devido lugar

Os “princípios (meios e fins)” de O Globo escancarados nesta capa, “muito além” do papel de um jornal …

“Recordar é viver, editorial do JB acabou com você”… Cantariam as torcidas organizadas no Maracanã lotado, fosse a resposta do Jornal do Brasil transfigurada em uma histórica goleada, com direito a olé, sobre os “princípios morais e éticos” que tanto se esforçam em nos fazer crer os olímpicos editorialistas de O Globo.

O Globo tenta embalar, para o povo, um ideário nocivo aos interesses de quem, supostamente, pretende informar sobre o que seria melhor para o país.

O Globo perseguiu, ao longo de sua história, àqueles que estiveram ao lado do povo, como Getúlio Vargas, Leonel Brizola e Lula, para sedimentar a sua opinião no pensamento de seus leitores menos avisados.

O Globo embala peixes, limpa vidros e serve para cobrir pisos de residências em obras, com maestria e qualidade, mas não consegue passar boas intenções aos leitores de suas manchetes estampadas em bancas de jornal Brasil afora.

Nos dias atuais, após o incômodo provocado por uma notícia veiculada no blog de Rodrigo Vianna, sobre a perseguição que se tramava contra o recém empossado ministro da Defesa, Celso Amorim, pelas Organizações Globo, os seus manda-chuvas resolveram publicar, em todos os meios de comunicação que pertencem aos irmãos Marinho, o seu “manual de boas práticas de redação”, elencando seus melhores “princípios”, ignorando, a bem da verdade, seus mais obscuros “meios e fins”.

O editorial do JB, versão atualizada de dezembro de 2010, não perdeu a oportunidade de (re)lembrar qual o papel deste jornal em um momento histórico crucial para o povo brasileiro:

“…Nos anos 60 e 70, publicações como o Jornal do Brasil resistiram com altivez aos senhores da noite. 

Já O Globo cumpriu ordens obedientemente, às vezes com animação. 

Tornou-se o jornal preferido do governo autoritário.
O jornal de Luiz Garcia estampava em editorial no fatídico 1o. de abril de 1964, 
primeiro dia da implantação da Ditadura: Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos“.

Jornal do Brasil responde a Luiz Garcia 

Em artigo intitulado ‘JB’, publicado na edição de 3.9.2010 de O Globo, o jornalista Luiz Garcia incorpora a cômica figura formulada pelo Embaixador Roberto Campos para caracterizar integrantes da pseudo-intelectualidade brasileira o arrognante , personagem que mistura arrogância com ignorância. 

A soberba recém-adquirida e a confortável superficialidade de Luiz Garcia são financiadas pelas benesses do oligopólio midiático a que serve.

Nos últimos dias, grandes jornalistas, como Miriam Leitão, analisaram profundamente a trajetória do Jornal do Brasil na TV Globo e no Globo. Outros, em vez de examinar a dinâmica tecnológica que fez o JB tornar-se o primeiro 100% digital do País, optaram por rememorar com nostalgia o JB dos anos 1950, 60 e 70.

Garcia, no entanto, em vez de analisar a evolução de técnicas e costumes, arroga-se ministrar lições de moral. O acidental professor de ética ensina: o negócio do jornalismo tem uma característica rara e vital: é negócio, mas também é serviço público . Como se essa característica não estivesse também presente em empresas de alimentação, remédios, hospitais, transportes, águas urbanas ou mesmo a padaria da esquina.

Que deve achar Luiz Garcia do (des)serviço público prestado à reconstrução democrática no país pela empresa a que fisiologicamente se ligou?

Talvez Garcia considere a mão que o alimenta, e a que agora Garcia retribui avassalado, o exemplo mais perfeito de ética jornalística e concorrencial. Ora, alguém com honestidade intelectual e mínimo conhecimento da história recente do País pode achar que a Globo ou O Globo são esses campeões da moral?

Os brasileiros não esquecem episódios desastrosos protagonizados pela empresa que sustenta Luiz Garcia. Nos anos 60 e 70, publicações como o Jornal do Brasil resistiram com altivez aos senhores da noite. Já O Globo cumpriu ordens obedientemente, às vezes com animação. Tornou-se o jornal preferido do governo autoritário.

O jornal de Luiz Garcia estampava em editorial no fatídico 1o. de abril de 1964, primeiro dia da implantação da Ditadura: Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos . Não surpreende se um Editorial como esse tenha sido escrito por Luiz Garcia.

Pretenso professor de moral, Luiz Garcia defende em seu artigo: O jornal exerce o comércio de vender espaço para anunciantes, mas tem de fazê-lo segundo normas éticas .

A etiqueta de Garcia o faz olhar para o lado quando seu jornal pratica o dumping e pressões quase criminosas contra anunciantes. Todo o mercado publicitário brasileiro sofre com a prática do monopólio. Por ele, impõem-se veículos globais a agências de publicidade e clientes. O Globo, ao exercer política de exclusividade , pratica níveis de descontos comerciais em que, caso o cliente anuncie em outro veículo, é ameaçado de retaliação.

As agências e todos os outros veículos de comunicação no Brasil são vitima dessa política, assim como dos incentivos dos veículos “globais”. São as bonificações de volume, os conhecidos BVs , com prêmios em dinheiro recompensa por determinados patamares de faturamento que atinjam. Espécie de aliciamento a que, constrangidas, as agências se submetem.

E pensar que Garcia, ao menos no nível do discurso, se arvora homem de supostos princípios de esquerda a que cosmeticamente abraçou em anos não muito distantes.

É um erro achar que Luiz Garcia seja alheio à ética concorrencial do jornal que o paga. Garcia, bastante conhecido no meio jornalístico por seu adesismo, é remunerado por uma empresa campeã do capitalismo cartorial.

JB Online

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Publicado em 23/11/2011 por em imprensa conservadora, politica.

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